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Angola COVID-19

Covid-19 em Angola

As notícias internacionais foram chegando e o conhecimento de um vírus desconhecido que teve início na China e que estava se espalhando por vários países do globo terrestre.

No instante em que os dirigentes de Angola tomaram conhecimento do que estava acontecendo pelo mundo, começaram a tomar medidas de precauções. De uma forma organizada, criaram um centro de quarentena para todos os ingressantes no país, que chegassem de territórios com riscos de contaminação, podendo assim ter o controle. Os indivíduos que chegavam de países de risco de contaminação, tiveram que ficar durante 14 dias nestes centros de quarentena, sob observação.

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Neste entre tempo, todos os comerciantes e estabelecimentos públicos começaram a se organizar. Grande parte da população de expatriados começou a seguir uma nova regra comportamental de cuidados e prevenções contra a contaminação do vírus. As empresas empregadoras, assim como os consulados, começaram a se comunicar com mais frequência com os seus cidadãos, passando informações e conselhos sobre esta situação atípica.

Os comerciantes começaram a colocar álcool gel na entrada de suas lojas, restaurantes e até mesmo em repartições públicas.

Em 18 de março de 2020, a escola da minha filha resolveu fechar por tempo indeterminado. Por se tratar de uma escola internacional, na qual há alunos provenientes de diversos países. A decisão mais prudente para a escola foi o fechamento. O ano letivo acabaria na primeira quinzena do mês de junho de 2020, dando entrada para as férias de verão. A escola teve que rapidamente organizar as aulas online para que os alunos não fossem prejudicados.

Já fazia uma semana que eu apenas sais em casos extremamente  necessários; o meu marido começou a trabalhar de casa no dia 16 de março. O meu bebê já não ia para creche há mais de uma semana, devido a uma conjuntivite. Somente a minha filha estava indo para a escola, porém havia parado as suas atividades esportivas e de dança.

A escola portuguesa e francesa já estavam fechadas já fazia uma semana. A escola francesa fechou na data imposta pelo presidente Macron, em um pronunciamento oficial.

Neste período em que a escola fechou, ainda não havia casos de Covid 19 em Angola, porém já havia começado em outros países africanos, assim como no Congo, país que faz fronteira com Angola.

Notem que nesse período em Angola não havia casos de contaminação por Covid 19. Devido a isto, as escolas angolanas não fecharam. Os alunos continuaram a ter aulas regularmente.

No dia 3 de março, não podiam entrar em Angola, pessoas provenientes de países com Covid 19, como Coréia  do Sul, Iran, Itália, Nigéria, Argélia, Egito e China.

Nas datas de 16 a 18 de março, as fronteiras do país continuavam abertas. Com o fechamento das fronteiras de diversos países que sofrem com a pandemia, vários cidadãos angolanos que se encontravam no exterior solicitaram voos de repatriamento, por intermédio de embaixadas angolanas. Foram efetuados ao menos dois voos de repatriação nos dias 17 e 18 de março, oriundos de Portugal. Vários cidadão foram encaminhados para o campo de quarentena, porém outros foram permitidos entrar em suas residência, mediante o compromisso em seguir uma quarentena imposta pelas autoridades sanitárias. Tendo em vista o anúncio do dia 17 de março, feito pelo  governo, dizendo que iria fechar as fronteiras do país no dia 27 de março de 2020, e a instauração do período de emergência, muitos dos que se encontravam fora, resolveram retornar ao seu país natal.

No dia 21 de março, a Ministra da Saúde anunciou dois casos de Covid 19 em Angola. Dois homens de nacionalidade angolana, que teriam retornado de Portugal nos voos dos dias 17 e 18 de março.

Com o passar do tempo, mais casos foram surgindo, porém de uma forma lenta. Antes mesmo do anúncio desses dois casos, os cidadãos estrangeiros encontravam-se apreensivos, com a situação de Angola e a falta de incerteza da gestão do período pandêmico, tendo em vista que o sistema de saúde do país não tem condições de suportar uma crise pandêmica.

A realidade entre os expatriados e angolanos de maior poder aquisitivo é completamente diferente do grande número da população, já que muitos devem sair para trabalhar, comprar comidas em feiras abarrotadas de gente, e mesmo buscar água por falta de água encanada em suas residências, em bairros no qual faltam saneamento básico.

No primeiro final de semana após o decreto presidencial do período de emergência, muitas pessoas saíram e continuaram a suas vidas normais como se nada tivesse acontecido. Tido isso como razão, as forças armadas foram para as ruas para manter a ordem e obrigar os cidadãos a ficarem em suas casas.

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Houve casos isolados em qua estrangeiros foram insultados e até mesmo o espancamento de uma mulher de nacionalidade portuguesa ao ir ao supermercados, a população local de pouco conhecimento e informação sobre o assunto, jogava a responsabilidade de uma futura pandemia por Covid 19 em Angola, em cima dos estrangeiros residentes.

Devido a esta incerteza, juntamente com a crise do petróleo, algumas empresas enviaram seus empregados aos seus países de origem. Muitas empresas fretaram aviões e realizaram a saída de seus empregados e familiares. As embaixadas realizaram voos comerciais de repatriamento de cidadãos residentes em Angola, bem como de turistas que se viram bloqueados em meio a esta situação atípica. A minha família e eu viemos para a França no dia 4 de abril, num voo de repatriamento organizado pela embaixada francesa.

Até o dia 3 de maio de 2020,  Angola encontra-se com 35 casos de contaminação por Covid 19, sendo 8 deles casos de transmissão local e 27 de transmissão feitas por outros, no qual o maior número é oriundo de Portugal. No momento, Angola encontra-se em sua segunda prorrogação do período de emergência.

Foram realizados 127 testes em pessoas suspeitas de estarem infectados, deram negativo. Os testes foram realizados em pessoas proveniente dos voos de fim março.

Em 25 de maio, quase 2 meses após o decreto do estado de emergência, o Presidente declarou situação de calamidade pública na Angola, neste momento há 69 casos de contaminação.

O curso de vida, recomeçará, dia 8 de junho 75% das pessoas deverão retornar ao trabalho presencial. Já no dia 13 de junho as escolas e universidades vão retomar as aulas. A partir do dia  24 de junho, as atividades religiosas poderão reiniciar.

No dia 29 de maio, a contaminação evoluiu. Atualmente conta-se 77 casos positivos por Covid-19 em Angola. A contaminação tem sido lenta e sob monitoramento das autoridades sanitárias e de saúde. Devido ao mapeamento das pessoas que ingressaram na Angola nos últimos voos autorizados, anteriormente ao decreto de estado de emergência no país.

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