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Dicas para que sua história de amor no exterior não vire um pesadelo

Já viram aquela história de uma brasileira que conheceu um estrangeiro pela internet ou em uma viagem de férias e decidiu abandonar tudo e viver no exterior em nome de uma história de amor? Pois é, parece roteiro de filme, mas na verdade é uma situação mais comum do que parece. Conheço várias histórias de amor entre brasileiras casadas ou em um relacionamento com chilenos e outros estrangeiros que deram certo, mas por outro lado tenho visto um número crescente de compatriotas que deixam o Brasil acreditando num conto de fadas e terminam literalmente dormindo com o inimigo. Muitas acabam embarcando em uma batalha judicial pela guarda dos filhos ou não têm condições financeiras de voltar ao país. Portanto, apresento algumas sugestões de cuidados importantes antes de dar início à aventura de viver no exterior em nome de um grande amor.

  • Que tal passar férias no país onde você pretende morar?

É certo que ser turista é muito diferente de viver no exterior, mas antes de se decidir por viver definitivamente no país de origem do seu parceiro, sugiro uma visita de férias. Venha por uma semana pelo menos, conheça onde seu parceiro mora, confirme se as informações condizem com o que vocês conversaram, conheça a família dele e tente se imaginar vivendo ali. Será que você se adaptaria?

  • Tenha uma reserva financeira

Se você realmente está decidida a viver no Chile, venha com uma reserva financeira para você se sustentar sozinha por pelo menos 6 meses, que é o tempo médio que se demora para se obter o visto de trabalho. Em alguns casos, pode demorar até 9 meses. Não dependa financeiramente do seu parceiro, será melhor para ambas as partes que você tenha sua liberdade financeira até conseguir um trabalho. Calcule que o custo de vida aqui no Chile é alto se comparado ao Brasil.

  • Conseguir um emprego

Já pensou como seria buscar emprego em outro país? Você conseguiria se comunicar em outro idioma? Não é porque você fala hola e buenos días que quer dizer que você fala espanhol, principalmente, o espanhol do Chile que é cheio de gírias e palavras próprias que só se usam aqui. Eu mesma aprendi espanhol na Argentina e quando me mudei para o Chile tive bastante dificuldade de entender o espanhol falado por aqui.

Já pensou na documentação que você precisa para exercer sua profissão? Então, seguem alguns passos para você se preparar e trazer a documentação necessária. Em primeiro lugar, você precisa obter seu diploma original, histórico de notas e declaração do MEC (Ministério da Educação e Cultura) do Brasil confirmando que a sua universidade ou escola existe. Todos os documentos devem vir com firma reconhecida. Em seguida, os documentos devem ser levados a um cartório no Brasil que esteja autorizado a emitir uma apostila. Este é um procedimento novo que foi adotado a partir do ano de 2016 devido à Convenção de Haia para Apostilas ratificadas por ambos os países, Brasil e Chile, e que facilita o processo de reconhecimento de documentos entre os países signatários. Sugiro consultar o link para verificar os cartórios autorizados.

Concluída essa etapa, os documentos devem ser levados ao Ministério das Relações Exteriores do Chile para tradução oficial. Esse procedimento é feito aqui no Chile. Veja o link aqui. Para isso, deve ser agendada uma hora no setor de reconhecimento de títulos do MinRel do Chile para apresentar a documentação. Esta hora deve ser solicitada através da página. Atenção que a demanda é alta e há uma fila de pelo menos 6 meses de espera. Você pode solicitar esta hora previamente quando estiver iniciando a etapa anterior de reunir e enviar os documentos para o cartório no Brasil, assim facilita e não perde tanto tempo com a espera por atendimento depois.

Finalizada esta etapa, os documentos devem ser entregues ao MinRel do Chile e se estiver tudo correto, você deverá preencher um formulário e será marcada uma nova data para concluir todo o processo. Se a sua profissão exigir alguma documentação específica, por exemplo, profissionais da saúde, no próprio MinRel te informarão o que fazer e onde obter esse documento. O mesmo vale para advogados que precisam de um processo junto à Corte Suprema.

É importante observar que se você estudou em uma universidade estadual no Brasil, a documentação deve ser obtida junto ao conselho estadual do estado onde está localizada a universidade. Se a sua profissão tem nome diferente aqui no Chile, por exemplo, fisioterapeuta, que aqui se chama kinesiólogo, o reconhecimento não é feito pelo MinRel e sim, pela Universidad de Chile.

  • Se você tem um filho de um relacionamento anterior e quer trazer a criança

Já parou para pensar se o pai da criança vai autorizar a mudança de país? Será que seu novo parceiro vai aceitá-la? Como será a acolhida pela família dele? Com quem você vai deixar a criança para procurar emprego? E a busca de escolas, adaptação ao país e ao idioma, já pensou em tudo isso? Há que considerar que o processo para colocar uma criança na escola aqui é bem diferente do Brasil, aqui você não matricula a criança na escola que “cabe no seu bolso” ou em uma escola pública diretamente. Existe um processo de seleção definido pela própria escola, não existe um processo padrão. Portanto, informe-se com as escolas que te interessam, veja se há vagas nas escolas da comuna ou bairro onde você vai morar. A documentação escolar também deve ser apostilada, como explicado no item anterior. Lembre-se sempre de que sua família está longe e não poderá te ajudar com a criança.

  • E se o relacionamento não der certo…

Já pensou o que você vai fazer se seu relacionamento não der certo? É importante ter uma reserva financeira para voltar ao Brasil, caso você queira. Vejo muitas brasileiras que terminam um relacionamento e não têm condições de voltar ao país. Se houver uma criança fruto desse relacionamento, tente manter uma boa relação com o pai, além de toda a relação de paternidade, você vai precisar da autorização dele, caso queira viajar com seu filho (a). Evite uma batalha judicial pela guarda da criança, exceto se houver algum risco para você e a criança como, por exemplo, violência familiar.

Não pretendo desestimular ninguém a vir morar no Chile ou a viver no exterior em nome de um grande amor, mas é preciso cuidado antes de tomar essa decisão e avaliar certos riscos. Meu objetivo é evitar que mais mulheres acabem passando necessidades e enfrentando situações difíceis sem condições de voltar ao Brasil, tendo que viver de subempregos ou mesmo ilegalmente no país.

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