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Morar no exterior: expectativa x realidade

Morar no exterior: expectativa x realidade.

Começar a vida em um novo país pode parecer fácil, mas não é tão simples assim. Muitas vezes, as coisas não acontecem conforme planejamos e ter que lidar com os problemas e as frustrações em um país distante, em outro idioma e, muitas vezes, sozinhos pode ser muito complicado. Quando cheguei ao Chile, tinha uma série de expectativas e nenhuma delas foi atendida conforme eu esperava. Isso foi, realmente, frustrante!

Antes de ter uma experiência e morar no exterior, é comum acreditarmos que morar fora pode ser um mar de rosas. Apesar de viver em um país da América Latina, descobri que os latinos não são todos iguais como sempre ouvi dizer quando morava no Brasil. Pelo contrário, cada país da região tem uma cultura própria, todas surpreendentes e interessantíssimas.  Até o idioma espanhol vai mudando de país para país.

Acredito que nós brasileiros negligenciamos um pouco as culturas e a história latino-americanas. Muitas vezes, me peguei pensando o que eu conhecia do Chile antes de morar neste país e cheguei a conclusão que conhecia muito pouco. Meu parco conhecimento estava restrito a neve, vinho, salmão, cobre, frutas e algo sobre a ditadura militar. Aos poucos, fui me surpreendo com a história desse país e aprendendo cada dia mais sobre ele, inclusive que as relações Brasil-Chile são mais antigas do que imaginava.

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Costumo dizer que os primeiros 6 meses no exterior a gente é, de certa forma, turista. Só queremos visitar os lugares bonitos que costumamos ver nas revistas especializadas, principalmente, quando estamos sozinhos e não temos nenhum familiar no país de destino. Depois que a vida entra na rotina, começamos a conhecer de verdade as características e a cultura do lugar. Passamos a conhecer lugares que estão fora dos roteiros turísticos, os quais podem ser muito interessantes e passamos a conhecer elementos culturais que podem se chocar um pouco com a nossa cultura. Fato que é bastante desafiador porque nos faz crescer como pessoas e a aceitar as diferenças, além de olharmos para nossa própria cultura e descobrir características que antes nunca havíamos percebido.

Quando me mudei para o Chile, tinha o costume de comparar tudo com o Brasil. Comportamento até natural, pois era a minha única referência. Andava pelas ruas fazendo a conversão da moeda, de pesos para real, de tudo que via nos supermercados e lojas para saber se algo era caro ou barato ou quando via determinada situação, pensava comigo mesma que se fosse no Brasil, talvez seria diferente.

Porém, me dei conta que fazer tantas comparações só me frustrava afinal, eu criava uma série de expectativas que, obviamente, nunca iam ser cumpridas porque eu já não morava no Brasil. Eu tinha que aceitar de vez que eu morava no Chile e que, apesar de diferente, a vida flui como em qualquer outro lugar. Pode ser que nem tudo atenda o padrão que estávamos acostumados, mas as crianças vão para a escola, as pessoas trabalham e vão ao médico e seguem com sua vida naturalmente. Aprendi que não existe certo ou errado, existe o diferente e dentro dessa diferença temos que encontrar nosso espaço, nossa forma de fazer a vida fluir.

Ficar reclamando não ia mudar nada, precisava aceitar a minha realidade. Descobri que já não precisava converter tudo de pesos para real. Na verdade, precisava ver o quanto eu ganhava e o que conseguia fazer com esse dinheiro e, com isso, ajustar as minhas expectativas.

Já parou para pensar como pode ser difícil conseguir trabalho no exterior? Ninguém te conhece, ninguém tem referências suas e ninguém sabe a sua história. Você só conta neste momento com sua disposição e sua palavra. É comum pensarmos que só com o jeitinho brasileiro vai ser fácil enfrentar as dificuldades ou que brasileiro é querido no mundo inteiro, mas na hora de conseguir um trabalho tudo isso pode não ser suficiente.  Muitas vezes, tomamos como referências para analisar os prós e contras só os exemplos de pessoas que se deram bem, mas esquecemos de considerar aquelas que não tiveram o mesmo resultado.

Deixar de fazer comparações também nos permite ver vantagens e hábitos da cultura local que podemos incorporar a nossa vida e, com isso, fazê-la mais prática e mais fácil de adaptar-se. Agora já são 9 anos de Chile, meus filhos nasceram aqui, fico feliz de vê-los crescendo em meio as duas culturas, aos dois países. Só vejo vantagens diante de um mundo tão multicultural como o nosso.

Essa fórmula serviu para mim para fazer minha vida mais leve e minha vivência mais fluída e tranquila. Talvez, não funcione para você, mas o importante é você encontrar a sua forma de se adaptar de forma leve e sem criar expectativas que já não condizem com sua realidade.  O importante é tentar encontrar dentro dessa diferença o seu espaço, a sua dinâmica. Afinal, por mais que a gente se prepare para essa mudança, a realidade pode ser bem diferente.

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2 comentários

Simone Maria Abril 24, 2018 at 11:09 am

Excelente artigo, muito obrigada. Exatamente como me vejo, pós 2 anos morando no exterior e ainda me adaptando à nova cultura e valores.

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Renata D'onofrio Junho 6, 2018 at 3:13 am

Obrigada! Fico feliz de poder ajudar!

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