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Estudante acima de 50 anos na Alemanha

Estudante acima de 50 anos na Alemanha.

Tenho lido muitos blogs a respeito de como é a vida na Alemanha, e entre outros
detalhes como é a vida de estudante universitário aqui. Estou na Alemanha há 5 anos e vim para fazer um mestrado em Historia da Arte. Como já sou mais velha, 55 anos, acho que minha experiência pode ser válida a todos aqueles que desejam dar um up-grade na sua vida e, de quebra, melhorar seus conhecimentos acadêmicos.

A respeito de como deve ser feita a inscrição para o mestrado, a dica principal que dou é:
leia atentamente (ou peça alguém que entenda a língua ou, pra começar, use o Google
tradutor) as informações no site da faculdade e curso desejados, porque isso é muito
diferente entre faculdades, cursos e até entre os estados alemães onde a faculdade está
localizada. O mesmo curso na Baviera, por exemplo, pode ser muito diferente do que em
Hamburgo ou Berlim.

Normalmente é exigido um conhecimento de alemão, que pode ser de nível B2 a C1 ou C2.
Você pode também já ter sido aceito na Faculdade e ainda completar seus conhecimentos
na língua alemã por mais um semestre antes do inicio do mestrado que deseja. Mas isso não é regra! Informe-se para não ser surpreendido. Assim como, o alemão do Goethe Institut pode não ser suficiente e será preciso fazer um TestDaf  ou DSH, provas de
língua alemã especificas para as Universidades alemãs, que também são exigidas para os
cursos de bacharelado.

Isso são informações técnicas, mas o que eu gostaria mesmo de relatar são minhas
impressões pessoais como estudante mais velha. Primeiro esclareço que sou professora de
Arte e História da Arte de uma faculdade pequena no Brasil, na qual fui aceita devido ao
meu título de Pós-Graduação.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

No intuito de melhorar minha formação, pensei que finalmente, depois dos filhos já grandes e praticamente independentes, poderia me arriscar nessa experiência internacional. Eu também já possuía algum conhecimento da língua alemã, mas mesmo assim foi necessário um curso de mais um semestre e a aprovação da prova no DSH, apesar de eu já ter nível C1 pelo Goethe Institut de São Paulo.

Algo que me surpreendeu bastante é que aqui é feito o bacharelado (em média, entre 18 e
24 anos) depois do ensino médio e diretamente depois se faz o mestrado, tem muitas vagas, não é preciso mendigar como nas universidades federais do Brasil.

Leia também: como se candidatar nas universidades alemãs

No Brasil, geralmente têm-se uma experiência profissional e depois a gente tem condições de encarar um mestrado, seja por questões financeiras ou de tempo. Portanto, meus companheiros de curso eram, em sua grande maioria, jovens entre 22 e 27 anos.

É uma sensação meio estranha, mas ao mesmo tempo pude perceber ser admirada pelas pessoas, pois não é pra qualquer um mudar sua vida, de trabalhador para estudante, de Brasil para Alemanha, de português para alemão, de moradia no Brasil para um quarto de estudante em um país estranho.

As aulas são em grandes salões com muitos lugares e o professor apenas fala e fala lá na
frente e cada um que se vire para entender e pesquisar. Geralmente há uma prova no final e existe a Sprechstunde (horário de atendimento) na qual o professor te atende e responde
as suas dúvidas.

Acho que no Brasil, o professor te conduz mais pessoalmente e está muito mais acessível. É claro que essa é uma percepção que vem da minha experiência como professora e também como estudante, não é uma regra.

O relacionamento com as pessoas mais jovens com as quais eu fiz as matérias na faculdade, também é meio restrito, pois é óbvio que você não é mais aquela jovenzinha que ia a discotecas ou bebia todas no fim de semana. Não me considero uma pessoa “careta”, mas é preciso ter o pé no chão.

Isso não impede, é claro, de fazer contatos que eventualmente até se transformam em amizades. Eu fiz algumas boas amizades com pessoas que poderiam ser meus filhos(as). Os estrangeiros também são muito receptivos a outros estrangeiros, o que facilita contatos, pois todos somos “estranhos no ninho!”

Leia também: como obter o Cartão Azul para morar na Alemanha

A Alemanha é um país muito interessante, de uma diversidade geográfica muito grande.
Você pode conhecer alpes, planícies ou praias num só pais! A cultura do Freizeit (aproveitar
o tempo livre) é muito presente aqui, principalmente nos meses do verão. Isso significa
andar de bicicleta, nadar em rios e lagos, ou piscinas tipo clube, caminhar, fazer trilhas e
esportes variados, piqueniques ou churrasco na beira do rio, entre outros.

Com a segurança que existe na Alemanha, realmente é um prazer enorme poder usufruir dessas vantagens.

Momentos de solidão e questionamentos do tipo “o que eu estou fazendo fora do meu
mundo brasileiro que eu conheço tão bem”, provavelmente todos que estão no exterior
têm. Mas fato é, que é um orgulho poder se superar com os desafios de um novo país, língua e cultura, e obviamente é um aprendizado que eu só posso recomendar a todos sem
restrições, independente da idade ou objetivos da viagem/estadia.

Se você quer, faça!! Planeje, aprenda, se prepare e vá! É o que tenho a aconselhar. Grande
abraço a todos.

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4 comentários

Penny Maio 2, 2018 at 7:00 am

Liane, parabéns pela força e pela dedicação! Adorei o teu texto!

Resposta
Liane Weynen Maio 28, 2018 at 4:23 pm

Obrigada Penny. Bjo grande.

Resposta
Dilza Prado Maio 19, 2018 at 7:35 am

Hallo, Liane!
Adorei ler a sua experiência na Alemanha.
Meu nome é Dilza Prado, tenho 48 anos, sou cantora, casada e tenho uma filha de 22 anos. Viajo quase todo amo para Alemanha desde os 18 anos. Há 2 anos tenho me dedicado ao estudo da língua alemã, pois só agora tive um pouco mais de tempo e tenho apoio e incentivo do meu marido e filha também.
Todas as vezes que fui para Alemanha , foi através da música e nunca tive a oportunidade de aprender o idioma, muitas vezes por falta do dinheiro e também ao tempo dedicado a minha mãe, quando era jovem.
Estou no Alemao B- Pré Intermediário 1, na USP e pretendo ir até o fim. Também tenho muita vontade de fazer uma faculdade de Letras na mesma.
O que não pude fazer quando era jovem, estou me dedicando agora. Meu maior sonho é falar bem o alemão e quando puder, quem sabe, fazer um curso lá na Alemanha. Ah, conheço Regensburg, fiquei por três dias nessa linda cidade!!
Obrigada por sua bela história de vida e de experiência no exterior, é algo que me incentiva ainda mais!
Alles gute !

Resposta
Liane Weynen Maio 28, 2018 at 4:22 pm

Hallo Dilza, muito obrigada pelas suas palavras. Espero q vc consiga realizar seu sonho. Acredite, sempre é possível. Toda experiência é válida e ter sonhos é o que nos move pelo mundo. Se eu puder ser útil c alguma informação é só me contatar. Grande abraço e tudo de bom. Liane

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