BrasileirasPeloMundo.com
Alemanha Mestrado e Doutorado Pelo Mundo

O estágio no mestrado alemão

O estágio no mestrado alemão.

Passando pra vocês um pouco mais das minhas experiências e conhecimentos do mundo acadêmico na Alemanha. Desde o início do meu curso de mestrado, intrigava-me muito quando as pessoas falavam que estavam fazendo estágio, conhecido como Praktikum. Para mim, tomando por base o Brasil, apenas se faz estágio na graduação, para entender na prática aquilo que foi aprendido na teoria durante o curso na faculdade. Mas na Alemanha, isso também se aplica para os estudantes do mestrado.

Considerando-se que para fazer o mestrado foi preciso passar pelo bacharelado e o estágio deste, entenderíamos que o mestrando já tem conhecimento na área estudada e não precisaria de mais um estágio, mas, a estrutura educacional da Alemanha valoriza essa formação, pois, afinal, pode ser que o estudante tenha feito um curso na graduação e um em outra área durante o mestrado. Como o alemão é muito minucioso e lógico, deduzo que o pensamento é que se deva exercitar os novos conhecimentos adquiridos com um novo estágio.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

Alguns cursos tem o estágio definido por quantidade de horas, enquanto outros apenas por tempo, por exemplo, um estágio de duas semanas ou dois meses, dependendo da disponibilidade do empregador que está contratando o estagiário. Percebi também que o estágio no mestrado é mais curto que no bacharelado.

Leia também: Salários na Alemanha

A empesa ou instituição na qual se deve fazer o estágio, às vezes, é oferecida pela própria faculdade, assim como no Brasil, mas você pode procurar por conta própria mandando sua carta de motivação expondo os motivos que o atraíram a fazer o estágio nesta empresa. Um bom argumento com uma carta bem escrita também já é meio caminho andado. Vale o mesmo para depois procurar um emprego.

Quanto a ser estrangeiro, reparei em alguns colegas, inclusive de outras áreas, que de modo geral, não se tem problemas por ser de outro país, desde que você tenha um alemão suficientemente bom para desenvolver corretamente as funções que lhe foram designadas. Este é, em geral, o grande problema das pessoas que não sabem bem a língua falada na hora de procurarem estágio. Geralmente durante o curso, muita coisa pode ser pesquisada e até escrita em inglês, o que pode ser alcançado com ajuda de amigos, tradutor ou, em parte, até pela internet. Mas para o estágio se espera que o estagiário possa se comunicar em alemão. Então minha dica é ficar atento e aprender a língua o quanto antes, principalmente se você deseja permanecer na Alemanha.

Na verdade, sempre acreditei que o estágio no Brasil poderia ser melhor aproveitado, para acrescentar em conhecimentos e prática aquilo que você estudou, quando, na realidade, o que acontece é que as empresas quase sempre consideram o estagiário como um faz tudo a custo zero e sem autonomia de nada, executando tarefas que não precisariam nem de um décimo do que estudou até aquele momento. É claro que estou generalizando e que isso está mudando lentamente, dando um significado real para o estágio e consequentemente para o estagiário.

Na Alemanha, percebo que isso também acontece, porém só até certo ponto, porque as pessoas não aceitam essa “falta de função” tão facilmente. Além disso, após feito o estágio a empresa emite uma avaliação dos seus serviços que pode ser de grande valia na hora de procurar um emprego, então o estagiário quer mostrar o que aprendeu e se esforça para obter uma boa avaliação, exigindo, assim, que tenha tarefas concretas.

Aliás, a nota geral do seu mestrado, que é elaborada com base na média das suas notas e da dissertação que você escreveu, tem um peso bem maior que no Brasil, tanto para a procura de emprego como para os estudantes mesmo, pois se estes quiserem, por exemplo, continuar no caminho acadêmico e fazer um doutorado, têm que ter uma boa nota final no mestrado.

De um modo geral, quando fiz meu estágio, não achei que me acrescentou tanto assim, mas eu já tinha uma certa experiência em trabalhar com montagem de exposições (que foi uma das minhas funções na Galeria de Arte na qual estagiei), lembrando que sou da área da História da Arte, como podem ver aqui. Mas a percepção de como as pessoas se relacionam nesta área, como interagem e até quais as “melhores palavras” ou as expressões usadas na língua alemã para tal, foi de grande valia.

Conheci algumas pessoas que preferiram voltar ao seu país e realizar o estágio por lá, para posteriormente apresentá-lo à coordenação do seu curso. Acho que essas pessoas, na minha opinião, perderam neste aspecto de interagir na sua área de conhecimento com a língua e costumes alemães. Querendo ou não, as pessoas se comportam diferentemente do que na nossa cultura.

Eu sou da opinião que uma vez resolvido estudar em outro país, com outra língua e cultura, o estágio deveria ser feito lá também. Eu fiz isso e só tenho a dizer que foi de muito proveito, fiz contatos interessantes e conheci pequenas nuances da minha área que me ajudaram a tomar as próximas decisões sobre minha vida profissional na Alemanha.

Se quiserem comentar algo ou perguntar, adoro. Até o próximo texto, grande abraço!

Related posts

Mudança de estação e de humor na Alemanha

Marcela Vieira

A cultura do corpo livre na Alemanha

Catia Pietro

Facilidades e dificuldades de uma estrangeira em Munique

Patrícia Souza

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação