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EUA Violência Doméstica pelo Mundo

EUA – E eles ainda estão juntos?

Entre Tapas e Beijos, música do cantor Lindomar Castilho e cantada pela dupla sertaneja Leandro e Leonardo, descreve as idas e vindas de um casal que se mantem conectado por um amor doentio. A banda Calypso regravou-a em 2011. A música que foi escrita em 1989 ainda é famosa, celebrizou os cantores mas o tema continua atual e tabu.

Em fevereiro falamos sobre da violência doméstica e sexual de uma maneira mais generalizada e quais são as organizações que ajudam as imigrantes vítimas nos EUA.

Nesta matéria o foco é o que prende uma mulher a um cônjuge agressivo.

Para uma mulher, ou mesmo um homem, que nunca vivenciou abuso emocional ou físico em um relacionamento fica difícil entender o comportamento daqueles que permanecem neste “amor doentio”. Muitos dizem que, ela gosta do abuso, ou que, os dois só se entendem desta maneira.

São muitas as razões que “convidam” uma pessoa a manter-se ao lado de um parceiro agressivo. A dependência econômica é dos fatores que seguram muitas vitimas a seus agressores. Vale lembrar que, a palavra abuso é ampla e engloba agressão verbal, psicológica e física. Qualquer forma de abuso provoca consequências gravíssimas afetando a autoestima e a confiança da vítima, podendo leva-la a depressão e até mesmo ao suicídio.

Nos primeiros estágios da relação, o agressor questiona e/ou critica tudo o que a vitima faz, pensa, suas decisões, etc. Logo, ele passa a exigir mais atenção e o tempo dela. Sem perceber a vítima se isola de amigos e familiares. Em muitos casos, o agressor se limita a isto, pois a família da vítima está mais perto mesmo que se encontrem com a menos frequência. Quando este mesmo casal se muda para outro país o agressor tende a se revela por completo. Essas mulheres deixam suas vidas, familiares e cultura para embarcar numa vida de privações ilimitadas.

Quero ilustrar isto através de um caso verídico que ocorreu há alguns anos. Vou usar nomes fictícios. O esposo, Rafael, foi contratado por uma multinacional e precisou fazer um estágio  nos EUA antes de começar a trabalhar. A empresa pagaria todas as despesas de estadia para ele e a esposa, Maria. O casal chegaria em janeiro, no pico do inverno. Antes de partir para os EUA, Rafael convenceu Maria de que eles não precisariam usar jaqueta ou casaco durante o inverno, pois todos os estabelecimentos nos EUA tem aquecedor central. Maria nos disse que ele não queria gastar com “isso” e economizaria as diárias. Ele também a convenceu de que seria melhor irem juntos ao curso de inglês noturno. O carro alugado Rafael usava para ir ao trabalho. Maria ficava em casa, num apartamento tipo estúdio localizado numa área mais afastada da cidade. O isolamento começou a leva-la a depressão.

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Tristemente, nesse caso, ela também se “convenceu” de que as decisões de Rafael eram as mais acertadas. Na verdade, ela queria evitar conflitos e discussões. Maria já estava casada há muitos anos e embora ela fosse uma mulher culta, ela passou a acreditar nas “verdades” que ele ditava. Aos poucos, ela não tinha acesso a conta bancária, cartão de crédito ou dinheiro para despesas pessoais. Ela não falava inglês e o marido fazia deboche do seu inglês intermediário na sala de aula.

Maria disse que, uma vez conversou com a sua família sobre seu casamento. Revelou aos pais que se sentia muito mal com isso e queria separar-se. Pediu abrigo a eles, que a convenceram de que seria melhor continuar com o marido que tinha uma personalidade difícil.  Ela teria que se adaptar e aceita-lo.

Situações como a de Maria, tem um impacto extremamente negativo na auto estima. Muitas mulheres vítimas, relatam que os parceiros são abusivos com elas mas são agradáveis e simpáticos com as pessoas a sua volta, na comunidade. Isto dificulta ainda mais, para que a vítima venha a tona e deixe seu parceiro. Ela se sente humilhada, culpada e desenvolve problemas com sua imagem pessoal.

Outro fator que dificulta que algumas mulheres deixem a relação é o medo de ser perseguida pois há agressores que as ameaçam de morte ou de lutar para ter a custódia das crianças.

Cada caso deve ser tratado individualmente e ser encaminhado para profissionais especializados. É importante que todas nós saibamos quais são as consequências de relações abusivas. Pode haver uma amiga, parente, colega de trabalho que pode estar passando por isso. O que a vítima precisa é de apoio, compaixão e solidariedade. Isto não implica em tomar decisões pelas vítimas, mas apoia-las no que for melhor.

Listei abaixo alguns links para maiores informações.

 

 

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2 comentários

Lígia Ríspoli D Agostini Março 2, 2016 at 9:01 pm

Excelente texto! Vivi por um breve período uma relação assim e por sorte tive todo o apoio para sair. Julgar e condenar é fácil e cômodo,mas qualquer pessoa pode viver isto. E em briga de marido e mulher,se mete a colher sim! E com polícia,se for necessário!

Resposta
Alessandra Ferreira Abril 6, 2016 at 5:02 am

Oi Lígia! Obrigada. Fico feliz que você encontrou apoio e teve coragem de sair de uma relação abusiva. Parabéns!

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