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Filipinas – Dicas de Sobrevivência em um Terremoto

No dia 15 de outubro de 2013, às 8h12min da manhã, horário local (por volta das 21h do dia 14, no Brasil), um terremoto de magnitude 7.2 atingiu a região da ilha de Cebu (onde esta localizada a segunda maior cidade do país, Cebu City), deixando quase 200 mortos e muitos feridos. Estradas se romperam e muitos prédios caíram, inclusive igrejas historicas da região. O número de casualidades não foi maior, segundo órgãos governamentais, porque era um feriado nacional. O cenário foi bem feio e bastante triste.

Não sei o quanto de nós está acostumado com esses desastres naturais. Eu, particularmente, não tinha idéia do que era um tufão ou qual era a sensação de se estar no meio de um terremoto. Infelizmente, esse tipo de desastre é muito comum nesse país que está localizado em cima do Anel de Fogo do Pacifico e recebe aproximadamente 20 tufões no ano.

Um tufão é uma tempestade intensa com muito vento, muito forte. São depressões tropicais que ganharam velocidade e causam muito estrago no meio do caminho, principalmente em regiões não preparadas para eles. Embora as Filipinas recebam tantos tufões por ano, Metro Manila não esta preparada e grande parte da região sempre inunda. Como vivo em um apartamento, no 18º andar, os tufões não me incomodam: o pior que pode acontecer (ou o melhor, depende do ponto de vista), é não poder ir ao trabalho porque os caminhos estão inundados. O que me deixa muito triste, no entanto, é olhar pela janela e perceber que as casas do outro lado do rio, que são uma favela, não existem mais. Isso aconteceu em 2012 e outra vez em 2013.

Os terremotos, por sua vez, não escolhem suas vitimas pelas condições sociais. Sempre digo que os tufões são elitistas (se você mora em um lugar alto, o máximo que vai acontecer é ficar sem luz e isolado, mas, provavelmente, nada de pior irá acontecer) enquanto os terremotos são socialistas porque causam estragos e mortes, independente de onde você more: se sua casa está localizada em uma região atingida por um terremoto, não importa se ela está em um lugar mais alto ou o quão grande ela seja, ela vai ficar, no mínimo, estragada.

Agradeço por nunca ter vivido um terremoto de grande magnitude porque acho que enfartaria antes que um bloco de concreto pudesse me esmagar. A primeira vez que percebi um terremoto foi um tremor moderado e, antes mesmo de ele acontecer, me senti mareada o dia inteiro, sem explicação nenhuma. Quando ele aconteceu, tive dor de cabeça e senti vertigem, embora nem tenha sentido o chão tremer (foi de intensidade médio/fraca). Então, tudo passou.

Tudo que conhecia sobre terremotos vinha de filmes ou documentários. Depois do grande terremoto de Cebu/Bohol, uma amiga enviou um texto chamado Triângulo da Vida: Dicas de Terremoto (Triangle of Life: Earthquake Tips). Escrito por Doug Copp, chefe do ARTI, ele é bastante controverso, mas, em minha opinião, muitas das sugestões que ele dá fazem sentido.

Quando se fala em terremotos, nós, leigos, acreditamos que temos que nos agachar e entrar embaixo de algum objeto (mesas ou camas) para sobrevivermos (drop, cover and hold on). Essa recomendação é dada pela American Red Cross e é válida para países nos quais as construções dos edifícios modernos seguem normas específicas e a total ruptura da estrutura é improvável (“efeito panqueca”).

No entanto, a teoria do Triângulo da Vida diz que quando há um terremoto e o teto colapsa, ele vai esmagar todos os objetos e quem/o que estiver embaixo deles. Essa queda geralmente forma espaços próximos a estes objetos, lugares que Doug chama de triângulos da vida.

Embora seja muito difícil saber onde serão criados esses vácuos, algumas dicas são: fique próximo aos objetos, mas não debaixo ou dentro deles. Então, se você estiver dormindo, ao invés de entrar embaixo da cama, fique próxima a ela, em posição fetal (que o permite sobreviver em um espaço menor). Se estiver dentro do carro, saia dele e fique sentado ou deitado ao seu lado. Quanto maior e mais forte for o objeto, maior a probabilidade que um vácuo seja criado entre o teto caído e o chão porque o objeto se compactará menos. É curioso também dizer que papel não compacta: então, se você estiver em um local com muito papel (como bancas de jornal, bibliotecas ou escritórios), fique próximo a pilhas de papéis.

Se possível, fique próximo a parede exterior do edifício (ou saia do edifício e fique próximo a parede exterior, do lado de fora) porque, quanto mais próximo ao interior se estiver, maior a probabilidade de obstrução da rota de resgate/fuga. Tente se mover o mínimo possível e fique longe de escadas, janelas e portas. Suas estruturas são mais frágeis e elas colapsam com facilidade. O batente de uma porta, com a força do terremoto, tem a capacidade de dividir o corpo humano pela metade e adeus vida.

Nenhuma das informações garante a sobrevivência de ninguém. Acredito que temos que entender o local onde estamos e avaliar o melhor método para tentar nos proteger, caso isso venha a acontecer. Eu, por exemplo, se estivesse nos Estados Unidos ou no Japão, países onde acredito que se sigam normas rígidas de construção, seguiria as recomendações da American Red Cross. Em outros países, no entanto, provavelmente tentaria ficar ao lado de algum objeto sólido. Em ambos os casos, eu rezaria.

 

 

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10 comentários

Chris Novembro 27, 2013 at 1:01 pm

Nossa, Tati! Vivenciar um terremoto deve ser desesperador. Quando morei no Chile, presenciei tremores de até 6.5, mas felizmente o país está mais preparado para esses fenômenos naturais. A única coisa que senti foi pânico mesmo! rs Felizmente aqui na Suíça, esses tremores são raros!
Super interessante essa diferença entre países preparados e outros não. Eu, por exemplo, não sabia desse lance do batente da porta.
bjs

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Tati Sato Dezembro 1, 2013 at 5:34 pm

Oi Chris! Obrigada pelo comentário! De fato, todas dicas que eu escrevi foram porque eu as li e fizeram muito sentido para mim. As portas e janelas parecem ser as estruturas mais frágeis de uma construção então, quando tem um tremor grande, acho que não são regiões muito estáveis!

Nunca vivi um terremoto tão forte… Lembro-me uma vez que fofocava ao telefone, no trabalho, e senti alguma coisa. Então, veio um anúncio de que um tremor tinha acabado de acontecer!

Acho que a maioria de nós, brasileiros, não sabemos como agir no caso desses desastres porque simplesmente não acontecem no Brasil!!!

Um beijo!

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Fernanda Moura Novembro 27, 2013 at 8:38 pm

Importantes informações, Tati. Eu já vivi vários terremotos aqui no Mexico. Um que chegou à 7.3 e foi tenebroso. O pior é que eu sofro de laberintite entao, alem do susto, sempre que tem qualquer tremor fico enjoada dias…arghhhh. Parabéns pelo texto e obrigada pelas dicas. Bjs

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Tati Sato Dezembro 2, 2013 at 3:58 am

É horrível a sensação de labirintite, Fe!!! Me senti enjoada todo o dia, no meu primeiro terremoto, e nem foi tão forte assim! Imagino que o 7.3 que você tenha pegado tenha sido terrível porque tudo balança! Mas o México está preparado para esses desastres ou não? Porque, embora os abalos sísmicos e tufões sejam comuns nas Filipinas, falta estrutura para o país aguentá-los… Muito triste! Sempre acho que a falta de estrutura piora os resultados de um evento desses!

Beijos

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Fernanda Moura Dezembro 2, 2013 at 1:49 pm

Bom, depois do desastre de 86 aqui no DF, as construções são em sua grande maioria seguras ( usam tecnologia japonesa) e a população é bem letrada sobre a questão e costumam saber o quê fazer sempre que treme. Além disso nas escolas fazem drills de treinamento cada 15 dias. Uma lástima que aí o povo ainda tenha que sofrer com algo assim quando é algo relativamente recorrente na região.

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Barbara Poplade Schmalz Novembro 28, 2013 at 12:57 pm

Nossa eu nem tenho idéia da força de um evento da natureza seja ele elitista ou socialista, só desejo não passar por nenhum!
É curioso como o instinto e o corpo como um todo dá sinais de que algo está errado. Adorei o texto Tati! Conhecimento nunca é de mais e nunca sabemos o dia de amanhã…

Só desejo muita paz e perseverança para os filipinos que estão passando por momentos difíceis agora…

Bjo bjo

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Tati Sato Dezembro 2, 2013 at 4:01 am

Haha! Tirei os conceitos da minha cabeça louca!!!

Obrigada, Bá! Também espero que se recuperem… Mas, com tudo o que passou, muita gente está migrando para Manila… E acho que isso não dá muito certo… Beijos!

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Beatriz Novembro 29, 2013 at 8:51 pm

Ai Tati, eu não consigo nem pensar nissso!

Acho que deve ser realmente um choque, ver o que acontece com a paisagem depois de uma tragédia tão grande, pior é saber que muitas vidas poderiam ser salvas com a tecnologia que temos hoje, mas o problema é o acesso, que nem todos tem! :/

Envio todas os meus pensamentos positivos e energias pra essas pessoas!

Beijocas

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Tati Sato Dezembro 2, 2013 at 4:04 am

Oi Bia, tecnologia e infra-estrutura ajudariam muito… Eu não entendo como um país localizado em cima do Círculo de Fogo do Pacífico não tenha tudo isso… Mas acho que Manila é uma dessas cidades que simplesmente cresceu, sem estrutura e com muita corrupção. Em Metro Manila, por exemplo, construíram um prédio enorme em cima de uma falha, perto de duas rotas de fuga de bairros/cidades. Me revolta esse tipo de falta de responsabilidade, mas é a vida…

Visitei uma das igrejas que caíram durante o terremoto há uns dois anos… Triste mesmo ver o que se conhecia destruído!

Beijos

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Emilia Hanashiro Dezembro 1, 2013 at 11:57 pm

Parabéns pelo texto….Sempre depois de vivenciar coisas como: terremotos, tufões, valorizamos mais pequenas coisas e aprendemos a nos preparar e lidar com isso, pois são coisas que não podemos prever quando vai acontecer, mas podemos evitar perder vidas, pois bens materiais podemos construir novamente.

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