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Dicas para viajar sozinha

Um mês numa ilha sem energia elétrica

Um mês numa ilha sem energia elétrica.

Pluméria é o nome de uma árvore que dá flores com um cheiro cítrico adocicado e muito agradável. Pluméria é também o nome do lugar em que me desconectei para me conectar: passei um mês numa remota região da ilha filipina de Palawan e vou te contar como essa experiência impactou na minha vida.

A jornada até chegar ao meu refúgio foi árdua: caos do trânsito filipino, avião, van em estrada sinuosa, triciclo em terra batida, barco tão estreito e pequeno que parecia que estávamos mais dentro do que fora d’água. Um dia e meio até que eu finalmente chegara nesse lugar rústico, quase intocado pela modernidade e totalmente mergulhado nas leis da natureza.

(Organizar toda essa logística não foi fácil. Por isso, não deixo de lado algumas ferramentas essenciais para a organização de qualquer viagem. Se quiser saber quais são, clica aqui).

Obviamente não havia Internet, pois não havia eletricidade; logo, nem geladeira tínhamos. Água encanada nunca viram por lá e o banheiro é daqueles secos. Ao invés da descarga, usávamos serragem para cobrir o xixi ou cocô.

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Eu dormia em um Hut, pequeno quarto/casa todo feito de bambu e folhas de coqueiro, na areia da praia, de frente para o mar.

Foto: arquivo pessoal – minha “casinha”

Por falar em coqueiro, minha vida era um open bar de côco e aprendi tudo sobre eles: como abrir, fazer leite, óleo, cozinhar etc. (O aprendizado durante as viagens é a coisa mais preciosa que você ganha, e pode até ganhar dinheiro com isso, clica aqui pra saber como).

O mar era maravilhoso e podíamos fazer mergulho a poucos metros de distância. Tínhamos redes distribuídas entre as árvores, uma fogueira, rede de vôlei, animais de estimação, jogos de tabuleiros, cartas, água da bica e muito, muito tempo para contemplar toda aquela beleza e nos conectar com a natureza.

Éramos em 6 pessoas, voluntários que ajudavam a manter esse que era um Eco-Resort. (Aliás, se quiser saber como um voluntariado pode virar trabalho remunerado, clica aqui).

Muita gente me perguntou como era a sensação do tempo quando você se desconecta de toda forma de eletricidade e modernidade. Com o passar dos dias, a sensação era de congelamento do tempo como se os dias fossem repetições dos dias anteriores com pequenas mudanças: acordando com o nascer do sol, esquento a água para o café, limpo a cozinha, começo o trabalho, paro para o almoço meio sem noção de que horas são, apenas sentindo o estômago reclamar de fome, como, ajudo a arrumar a cozinha, pausa para a digestão: seja lendo um livro, tocando um violão, ou jogando cartas. O cheiro de café passado anuncia: é hora de voltar ao trabalho. Uma ou duas horas depois, com a maré cheia, o mar é a melhor opção para se refrescar e observar o céu que, com o pôr do sol  se torna, gradualmente, um rosa pastel e a água do mar escurece num tom de azul cobalto hipnotizante.

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É hora do jantar, nos reunimos e a rotina se repete: cozinhar, comer, limpar. Agora já é noite, temos uma ou duas horas de iluminação fraca na área comum por uma bateria de carro, temos também tochas feitas com querosene e corda. Jogamos cartas ou conversamos e logo, naturalmente, vamos nos despedindo, indo em direção aos nossos quartos/casa, porque já são quase 8 da noite e isso é tarde para quem acorda junto com o sol, às 5h, 5h30 da manhã. Por vezes, ficava olhando o céu estrelado, todo dia eu conseguia ver uma estrela cadente. Ficava desejando poder eternizar aquele momento de paz e conexão com o Universo. Na minha última semana foi época de lua cheia e aí o espetáculo era ainda mais incrível. Pela primeira vez na vida vi o nascer da lua: uma bola gigante laranja surgindo do horizonte no meio da noite escura, parecia um sol que não iluminava, a não ser pelo reflexo no mar. Meu coração bate mais forte só em lembrar. Já no quarto, é hora de dormir e a sensação é de estar dentro do mar, o barulho das ondas é alto e embala o sono, assim como a brisa que mantém uma temperatura fresca e sem mosquitos.

Além de ficar apenas na região do Resort, às vezes éramos convidados a conhecer outras ilhas com os hóspedes, o que significa que conhecemos muitos lugares sem gastar 1 centavo. (Quer saber como viajar barato em qualquer lugar do mundo? clica aqui)

Outras vezes andávamos pela região para conhecer os nativos, um povo muito simples,  mas muito acolhedor, que nos ensinou costumes locais, um pouco da língua e os melhores segredos culinários.

Toda essa experiência me fez perceber que o difícil não é ficar sem eletricidade, acordar cedo, não ter Internet ou todas essas facilidades do mundo moderno. Na verdade, tudo o que temos hoje custa muito caro; não estou falando apenas de dinheiro, mas custa muito pela qualidade de vida.

Quanto mais simples, mais próximo da natureza você está e, consequentemente, mais acolhida você se sente. Não podemos nos esquecer que nós também somos a natureza e quanto mais nos distanciamos dessa verdade, mais longe estamos da nossa própria essência. A maior conexão é aquela que temos com nós mesmas (viajar é conhecer a si mesma, clique aqui para ler esse texto sobre autoconhecimento).

Enfim, concluo que essa foi não apenas uma das mais incríveis experiências de vida, mas também foram intensos dias de autoconhecimento, reflexão e contemplação. Recomendo para todas as pessoas, de todas as idades.

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