Frustrações e expectativas ao imigrar para Portugal

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Foto: Pixabay.com
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Frustrações e expectativas ao imigrar para Portugal.

Já faz algum tempo que acompanho nas redes sociais muitos casos de brasileiros que estão regressando ao Brasil porque não estão em condições mínimas de permanecer em solo lusitano. Por isso, abordo as frustrações e expectativas ao imigrar para Portugal neste texto.

Como dizem: Portugal está na moda e muitas pessoas sonham com o grande voo da mudança, com passaporte e a coragem na mão. Romantizam esse momento, fantasiam formas de viver e de fazer a vida num novo lugar. Imaginam que independente de como for, dará um jeito pra sobreviver.

De mala e cuia

Não há melhor expressão brasileira para exemplificar este momento, não é?

É uma etapa de muitas mudanças, onde a grande maioria das pessoas sai do trabalho, vende os móveis da casa e o carro. Também pode acontecer de vender imóveis para a mudança. Ou seja, vendem coisas que tiveram ao longo de uma vida com muito esforço e trabalho para adquirir. Então, após a decisão é preciso abrir mão de tudo para viver em outro país.

Trata-se de um momento de muita coragem e a decisão requer certeza nos próximos passos a serem dados.

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Muitos sonhos…

Ao abrir as nossas malas, desembrulhamos muitos sonhos, vontades e desejos. Entre eles está a nossa ambição de ter o melhor que queremos e conquistar tudo aquilo que merecemos pelo nosso esforço diário. De construir um futuro melhor para nós e para quem está conosco.

O sonho de oferecer o melhor a nós mesmos, e, principalmente, à família que constituímos. Oferecer uma boa escola em educação pública, segurança e ter qualidade de vida.

Expectativas de trabalho

Algumas pessoas já vêm para Portugal com um contrato de trabalho em uma empresa e todos os documentos corretos para exercer a profissão e construir uma nova etapa pessoal e profissional. Determinadas profissões realmente dão a possibilidade de continuar fazendo o mesmo trabalho em outro lugar do mundo,. Uma delas é o trabalho home-office, que naturalmente oferece uma vantagem maior em trabalhar em qualquer lugar do mundo.

No entanto, sabemos que essa opção não abrange todas as pessoas que se mudam para cá. Então é realmente necessário começar do zero e pensar em novas possibilidades e estratégias. A partir daí, começa a saga de pesquisas sobre formas de trabalhar e como ganhar um dinheirinho.

Dependendo da área o feedback é muito bom, e logo surgem convites para entrevistas e mais oportunidades. Sempre lembrando que as empresas priorizam aqueles que já têm autorização de residência em Portugal, por isso, estar legal é um ponto-chave nesse processo.

Nem todas as pessoas têm a mesma sorte e optam pelos subempregos em restaurantes, shoppings, limpeza, entre outros. Muitas vezes, deixam de trabalhar com aquilo que estudaram e se formaram, frustrando-se com a escolha de ter uma nova vida em outro país.

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Abrir mão de algumas coisas

Pense nesta nova vida que a condição de imigrante traz com muitas formas diferentes de crescimento e desenvolvimento pessoal. Ao deixar nosso país, abrimos mão de muitas coisas importantes: de estar perto da nossa família, de estar perto dos nossos amigos, de estar na nossa cultura. São tantas questões que abrimos mão que não dá para calcular.

No início, quando a mudança é nova e fresca, ficamos admirados com as novidades e surpresas que vemos a cada passeio novo em lugares diferentes. Há tantas coisas para se resolver que ainda não sobra tempo para saudade de casa. Só em datas comemorativas como o Natal e a Páscoa é que as lembranças começam a florescer e crescem junto com a saudade.

É importante estar ciente dessas questões que se abrem mão e que a vida das pessoas que você ama vão seguir normalmente, com ou sem você.

Além disso, abrimos mão de trabalhar com aquilo que estudamos tantos anos e nos dedicamos, por muitos motivos dentre eles: não há mercado, é preciso um registro profissional, não se encontram oportunidades, etc. Lidar com essa frustração é realmente um processo de aceitação e busca de uma melhor oportunidade para trabalhar com o que gostamos.

A qualquer custo

O sonho de morar em outro país, vem com toda a força do mundo e queremos isso a qualquer custo, não é mesmo? É a partir desse principio que muitas pessoas aceitam propostas de trabalho em péssimas condições, recebendo muito pouco e trabalhando até 18 horas por dia para ganhar menos de 15 euros por dia também. Infelizmente, condições como estas estão por todo lado e não oferecem benefícios ao trabalhador, não há contrato de trabalho, auxílios e outros benefícios que podemos ter.

São nesses momentos de trabalho a qualquer custo que a nossa trajetória pessoal e profissional vêm a tona em nossas memórias. Relembramos de tudo o que já conquistamos e tivemos um dia em nosso país, gerando grande angústia, tristeza e, muitas vezes, depressão.

Organização é primordial para evitar frustrações

É necessário ampliar as formas de pensamento ao imigrar e criar boas estratégias para viver bem durante, pelo menos, 8 meses até que exista a estabilidade no novo país.

É realmente importante estudar a moeda, os gastos com mercado, aluguel, transporte e anotar a despesa mensal durante o período em que você estiver começando a trabalhar, ou à procura do primeiro emprego. Além de ter um dinheiro extra para qualquer tipo de transtorno ou emergência que exista.

O processo imigratório requer cautela e muita atenção para que haja segurança e, então, a adaptação será bem mais tranquila e sossegada. É um momento árduo que, sendo muito bem feito, trará enormes benefícios e o grande sonho de morar no exterior torna-se uma experiência incrível!

2 Comentários

  1. Ótimo texto! Única colocação sugerida é evitar o uso da palavra subemprego. Todos os trabalhos listados como subempregos são simplesmente empregos, nem menos nem mais 🙂

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