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Imigração e arte na Dinamarca

Imigração e arte na Dinamarca

Cada vez mais países europeus têm apertado suas leis contra a presença de imigrantes em território nacional. Aqui na Dinamarca o foco é principalmente a imigração vinda do mundo islâmico. Como a agenda é a integração destes imigrantes, muitas das medidas adotadas pelos governantes têm relação com a língua e a cultura.

O Dansk Folkeparti, partido de extrema direita reconhecido como anti-imigração, que já havia proposto acabar com o suporte financeiro do governo para escolas particulares árabes, quer agora proibir o ensino da língua árabe como língua estrangeira. E, com isso, restringir o estudo de línguas estrangeiras a línguas europeias.

Outra medida que, infelizmente, não surpreende porque já está em vigor em outros países europeus como França e Áustria, é a proibição do uso da burca, véu que cobre o rosto usado por mulheres muçulmanas.

Recentemente implementada aqui, a medida contou com uma série de demonstrações contra a sua concretização, com palavras de ordem como “minha roupa, minha escolha”. Mas, desde agosto deste ano passou a ser lei e estabelece multa para quem usar peças de roupa que cubram o rosto.

Leia também: Saúde mental dos imigrantes

Não surpreende também, agora felizmente, que muitos artistas locais e estrangeiros, alguns imigrantes e exilados, reajam a estas medidas e encontrem na arte uma forma de expressão contrária ao nacionalismo extremo e à dificuldade de conviver com as diferenças culturais, num mundo afetado por guerra, pobreza extrema, mudanças climáticas e desigualdade.

Em Copenhagen são muitas as exposições que versam sobre essa temática e há ainda espaços expositivos dedicados exclusivamente ao que em inglês se chama immigrant art, podendo ser a arte feita por imigrantes ou a arte cuja temática é a imigração. Algumas dessas iniciativas merecem destaque.

O CAMP, Center for Art on Migration Politics, é um espaço de exposições para a arte que discute questões de deslocamento, migração, imigração e asilo. Primeiro centro deste tipo em toda a Escandinávia, o CAMP “trabalha para aumentar o conhecimento sobre a situação de vida das pessoas deslocadas e migrantes e discuti-las em relação aos fatores gerais que causam o deslocamento e a migração.

O objetivo é, através da arte, estimular um maior entendimento entre as pessoas deslocadas e as comunidades que as recebem – e estimular novas visões para uma política de migração, refugiados e asilo, mais inclusiva e equitativa”.

Alternativas para a arte imigrante

Mas não é somente no CAMP que estes trabalhos têm voz por aqui. Acontece agora até fevereiro de 2019, na Biblioteca Nacional, a exposição de fotografia Gaza Works. A exposição documenta a guerra e o dia a dia na faixa de Gaza, a partir das lentes do fotógrafo sueco Kent Klich.

Kent “oferece uma alternativa à atenção sensacionalista de curta duração dada ao conflito nos meios de comunicação de massa. O fotógrafo quer nos mostrar as condições fundamentais que os habitantes de Gaza têm para viver – e morrer. Com seu interesse nas narrativas pessoais, ele se concentra nas consequências cotidianas da guerra”.

Outra iniciativa que vale a pena conhecer é o trabalho da artista dinamarquesa Camilla Berner, que examina a interação entre pessoas e seu entorno. A arte de Camilla se vale, na maioria das vezes, de plantas, paisagens, tecido e costura e é daquelas que fazem pensar e tocam até os mais insensíveis e descrentes. Sua prática é focada na relação entre natureza e cultura e é facilmente atribuída à questões de imigração, aceitação e alteridade.

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Um dos meus trabalhos favoritos é Guld og grønne skove (algo como florestas verdes e de ouro), de 2009. Camilla escolheu o jardim do fundador da cervejaria dinamarquesa Carlsberg como ponto de partida.

Nele há uma enorme coleção de diferentes espécies de plantas, em sua maioria, vindas de países estrangeiros há mais de 150 anos. A coleção demonstra, segundo a artista, um interesse, respeito e orgulho pelos organismos vivos estrangeiros, muito diferente do que parece existir hoje.

Ao pé destas árvores vindas de outros países, Camilla colocou placas de porcelana semelhantes àquelas encontradas em jardins botânicos, mas ao invés de conter fatos botânicos sobre as árvores, as placas contêm citações de recentes notícias de jornais sobre a expulsão de iraquianos, a proibição da burca e as atitudes hostis perante os imigrantes. De forma irônica, a artista mostra a relação da sociedade dinamarquesa de hoje com a vida que vem de fora.

Há ainda outros espaços e artistas que merecem ser citados, como a síria Angelique Sanossian que documenta a cidade onde o filho nasceu (Copenhagen) numa série que parece querer resgatar os lugares agora destruídos pela guerra onde a artista foi criança. E muitos outros artistas de diferentes nacionalidades, mas que, por falta de espaço, não menciono aqui. Quem quiser mais informações sobre o tema, pode escrever para mim!

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