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Um dia de primavera em Copenhague

Um dia de primavera em Copenhague.

Embora Copenhague seja gelada na maior parte do tempo, a vida na cidade é a cara da rua. Há o amor pela natureza, o amor pelo prático e o acolhedor. Os bebês dormindo lá fora, os cafés, lattes e pães. É a terra do grød (uma espécie de mingau), a cidade dos sorrisos, das bicicletas, do vento e da gente moderna de franjas bem curtas, do vintage, da jaqueta jeans snowwashed.

Estamos no final de maio e vem chegando o verão. Não com tanto calor no coração, mas com dias convidativos para ficar lá fora e ver as flores roxas começando a florescer, as árvores cheias com todos os tons de verde e o barulho dos pássaros. A sensação de primavera é linda. A temperatura está quase perfeita. Sob o sol, é pura felicidade para quem aguentou a temperatura de -6 graus centígrados desse inverno.

As manhãs ainda podem ser frias, então, a dica é começar o dia com uma xícara de café com leite bem quente no Democratic Coffee. Coma um croissant, você não vai se arrepender. O lugar já foi foi premiado por ter o melhor da cidade. Este café fica na Biblioteca Principal de Copenhague. Aproveite para explorar os títulos e observar as pessoas, ou suba até o segundo andar, onde está a seção infantil. Vale a pena ver como as crianças e os livros, desde cedo, convivem com intimidade.

Em seguida, dê uma volta por ali. O sol está começando a esquentar e as ruas estão ficando cada vez mais movimentadas.

Você está no coração de Copenhague. As ruas de pedestre que formam a Strøget não podem deixar de ser visitadas. Não há nada demais ali, as lojas são as mesmas que você já viu por outros cantos do mundo, mas vale a pena explorar. Perca-se um pouco pelas ruas transversais menores, visite as lojas de segunda mão que são ouro para os dinamarqueses. Ali pertinho tem a Wasteland, uma loja vintage bem legal que fica na Studiestræde.

Leia também: A cultura do usado na Dinamarca

Quando começar a cansar dali, é hora de voltar em direção a Nørreport, a estação de trem e metrô que abastece o norte da cidade. Vá até o Jardim Botânico e deite um pouco na grama para descansar. Não deixe de entrar na linda estufa de plantas tropicais e deixe que seu corpo se lembre um pouco da temperatura do nosso Brasilzão. É tudo um pouco úmido demais, mas dá uma sensação gostosa.

Saindo do Jardim Botânico, se não estiver muito cansado dos parques, dê uma passada no lindo Kongens Have. É um dos parques mais bonitos de Copenhagen e fica logo ali, bem pertinho.

Claro que você quer ir ao Nyhavn ver o mais famoso cartão postal de Copenhague. Ele fica logo mais à frente, seguindo pela rua Gothersgade. Tome uma rápida cerveja por ali, perto da água, mas não fique muito tempo. Gasta-se muito e a quantidade de turistas, às vezes, pode ser um pouco irritante. Vá pegando a sua esquerda e chegue até a linda, nova e impressionante Ofelia Plads.

A Ofelia Plads fica ao lado da Royal Danish Playhouse e do novo píer. Tem “bancos de beijos” e você não vai querer perder isso! A praça é algo que você só pode encontrar em um lugar como Copenhague, uma área urbana diferentona e jovem. Ela se define como um espaço para respirar entre o mar e o céu. Há sempre alguma coisa acontecendo aqui. Pode ser um show, uma performance, uma feirinha… e mesmo que você dê azar e nada esteja acontecendo, olhe para o céu e ouça o mar. Ou ouça o céu e olhe para o mar. Permita-se alguns minutos de descanso e aproveite porque ela ainda é tranquila e relativamente desconhecida.

Leia também: O dia-a-dia das dinamarquesas

Antes de se sentar para almoçar, caminhe no píer ao lado do Royal Playhouse e pule nos trampolins, bem em frente à água. Não é em todo lugar que você pode experimentar essa liberdade toda, do lado de fora, de frente para uma bela vista. Se você ficar sentado aqui por 5 minutos, logo perceberá que ninguém passa por aqui sem pular. É para os jovens, os muito jovens e os não tão jovens. É para você também.

Saindo do porto, é hora de comer alguma coisa e quando se está viajando, não há nada melhor do que um espaço com comida de rua de diferentes culinárias. Todas com um toque sofisticado, mas sem pesar muito no bolso. O Refshleøen é o novo espaço de comida de rua e fica do outro lado da água, mas vale a pena atravessar, a atmosfera é jovem e animada.

Em seguida, guarde seu telefone e sua câmera e não deixe de ir até Christiania, um distrito anarquista autônomo, mais conhecido pela venda de maconha e otras cositas más. É um lugar que vai além das drogas que se vendem livremente nas suas ruas. Criado em 1971 por um grupo de hippies que ocuparam alguns quartéis militares abandonados no local, desenvolveram seu próprio conjunto de regras sociais e, embora haja conflitos constantes com a polícia local, são independentes do governo dinamarquês. Há de tudo um pouco, casas simples, oficinas, galerias de arte, locais de música, restaurantes baratos e orgânicos, feirinha hippie e gente perdida e interessante.

Assim termina o seu dia. Volte para o centro de ônibus, pegue o 9A.  Se não estiver muito cansado, caminhe. Passe por Christianshavn que tem canais lindos e atravesse a ponte sem deixar de tirar uma foto da Black Diamond, a biblioteca construída com mármore da África, que reflete lindamente na água e parece um diamante gigante.

Espero que tenha tido um dia maravilhoso!

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1 comentário

Catarina Glaser Agosto 3, 2018 at 1:38 pm

Amiga querida de longa data…longe dos olhos mas sempre eternamente dentro do meu coração. Adoro seus textos, claros, práticos, cheios de bom humor e uma dose de sarcasmo.

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