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14 comentários

Fernando Porto Ricardo February 6, 2018 at 1:05 pm

Oi Fernanda,

Você mora fora de Paris, né? 🙂 Eu digo porque fato essencial de ser parisiense é se tornar chato, muito chato em restaurante. Principalmente com garçom. No inicio a gente aceita calado essas mini-grosserias dos garçons. Até perceber que os parisienses lidam com isso de forma bem firme – eles não vão pedir para mudar o prato todo como a gente faz MAS em algumas coisas (acompanhamento, ponto da carne) eles vão exigir o que sabem que podem exigir. Um sorriso e um “s’il vous plaît, ça vous dérangerait si…” quase sempre funcionam. E quando não funciona é partir para o “Monsieur, franchement, ce n’est pas possible” e falar que não se vai pagar por um serviço mal feito.

França para mim é o pais da alta expectativa. E aqui é essencial saber quando ter que aceitar essa castração deles e quando precisa descer do salto e rodar a baiana.

Boa sorte e não aceita tudo não! Resista! 🙂

Fernando

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Fernanda Libardi February 6, 2018 at 6:14 pm

Oi Fernando, tudo bom?
Adorei o seu comentário! Eu moro em Toulouse, acho que é um pouco diferente do clima de Paris mesmo. Aqui é mais difícil de vermos pessoas se impondo nos lugares, mas também acho que os franceses se impõem mais que eu. Para mim um ponto é não dominar o francês tão bem assim e outro é que às vezes acho que as pessoas aqui vivem prontas para uma discussão e eu não gosto de me sentir nesse clima de “pronta para a briga”, mas também acho que não é saudável não ter as suas vontades respeitadas. Então, o meio do caminho é o melhor negócio, né?
Abç!

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Daniela February 6, 2018 at 8:45 pm

Meio do caminho é mesmo otimo. Aqui as pessoas não se respeitam e não aceitam o tempo todo necessariamente. As regras sao outras. Os franceses tem uma forma sutil de te dizer com licenca ou obrigado querendo dizer vai se fuder que me irrita bastante. Tantas diferencas… Tanta coisa boa e tanta coisa menos boa…

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Fernanda Libardi February 11, 2018 at 3:55 pm

Daniela, obrigada pelo comentário, concordo plenamente. Eu sempre tenho a sensação de que o “je suis désolé” não significa sinto muito e sim “não me importo com você, por favor, vá embora logo.

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Tati February 8, 2018 at 5:49 am

Nossa, eu senti muito mais falta de respeito na França. Falta de respeito com qualquer diferente, o vegetariano, o intolerante à lactose, estrangeiro, etc. Acredito que se o respeito nao for mútuo, na verdade não existe respeito. Tem q respeitar o chef, mas o cliente também merece respeito, não é?

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Fernanda Libardi February 11, 2018 at 3:58 pm

Oi Tati, tudo bom? Também acho que se o respeito não for mútuo não vale de nada. Aqui em Toulouse me dá a sensação de que eles são mais ranzinzas do que desrespeitam.

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Mirella Arruda February 8, 2018 at 9:35 am

Caramba… Eu não conheço a França, mas está muito presente no meu ciclo social. Já escutei muito do abismo em que possuimos entre ele. Algo como “não é não” e eu super BR tentando questionar ” mas pq?” “E se?”, senti no seu texto a forma que retrata a sociedade como se fosse uma conversa ou discussão com qualquer francês que conheci, eles diretos e práticos e eu sensitiva, intuiva, detalhista e questionadora.
Inclusive nessa de “sempre soubermos o que esperar” os tratamos como previsíveis e nós para eles, surpreendentes. Mas enfim, com todas nossas diferenças sou encantada com os franceses que tenho proximidade e hoje, louca para aprender o idiomas.

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Fernanda Libardi February 11, 2018 at 3:59 pm

Oi Mirella, tudo bom? Que legal o seu comentário, achei que você se identificou bastante, né? O idioma é lindo, vale a pena aprender, mas eu sofro bastante, acho bem difícil.

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Thais February 8, 2018 at 9:48 pm

Moro em Strabourg e voce descreveu exatamente como me sinto frente a burocracia francesa. E depois de muitas caras feias por ai rs peecebi que o grande problema nao é pedir para mudar algo, mas sim que eles não sabem lidar com o improviso! Tudo tem que ser dentro da linha, pois se sai 1cm eles não sabem como agir rs

Digo isso pq fui ha um restaurante e apenas troquei a posição dos pratos, e o garçom simplesmente entrou em panico rs nao sabendo como agir e o pq eu tinha feito aquilo…ate explicar foi muitos sorrisos fechados rs se é q me entende 😉

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Fernanda Libardi February 11, 2018 at 4:01 pm

hehehe oh, se te entendo! Consegui imaginar a cena no restaurante. Pelo jeito não muda muito ao redor da França, né? Você tão longe de mim aqui em Toulouse e com a mesma impressão.

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Marcella Delfraro February 11, 2018 at 11:08 am

Salut Fernanda!
Adorei seu texto !
Gente, eu acho os franceses um tanto quanto “bitolados” e isso se confirma quando você contou a historia da troca do ingresso do teatro… Eles respondem a sua pergunta e na maioria das vezes não propõem uma solução ao problema ! Ja passei por varias situações desse tipo !
E com relação ao direito do consumidor, acho que no Brasil estamos anos na frente nesse quesito… Aqui isso praticamente não existe (ou melhor as pessoas não fazem valer seus direitos por não conhecerem). Eu recentemente tive um problema com um par de sapatos que eu comprei, dai falei com meus amigos franceses: “vou la na loja pra mostrar o problema e pedir pra trocar por outro”… Eles ficaram completamente espantados: “como assim trocar???”… Pois é, fui na loja, expliquei pra vendedora e acabei conseguindo trocar ! 🙂

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Fernanda Libardi February 11, 2018 at 4:04 pm

Oi Marcella, tudo bom?
Que bom que você gostou do texto. Também acho que estamos muito na frente no quesito direitos do consumidor e quando morei na Itália foi a mesma coisa. Tive um problema com uma locadora de carro que me cobrou duas vezes e os italianos acharam um absurdo eu querer reclamar, que eu nunca conseguiria o dinheiro de volta, pois eu fui reclamar e consegui, assim como você conseguiu com o seu sapato, mas é tudo mais difícil do que precisava ser, né?

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Anne Carvalho February 21, 2018 at 3:20 pm

Nossa, foi bom eu ter lido esse texto. Sou vegana, e mesmo no Brasil, contando com a boa vontade e criatividade dos garçons e cozinheiros, muitas vezes é difícil comer em restaurantes “normais”.
Estou há 6 meses morando na Colômbia, e embora adore tudo aqui (o povo é até mais amável que no Brasil), conto os meses pra voltar ao Brasil, por causa da comida…
Pelo meu trabalho, tenho a chance de ir fazer doutorado na França, especificamente em Toulouse… E era algo que eu realmente queria e já estava me planejando… Mas agora vou ter que repensar… Passar 3 anos sofrendo em todas as refeições certamente não vai ser uma experiência nada agradável…

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Fernanda February 26, 2018 at 2:51 pm

Oi Anne, tudo bom?
É difícil, mas não desanime!
Toulouse é uma cidade deliciosa e a universidade aqui é excelente. Acho que é importante estar preparada para o que esperar. Preciso escrever um post com calma sobre as minhas impressões de Toulouse, mas te garanto que, fora a quantidade de coco de cachorro na calçada, eu gosto muito daqui.
Quanto à comida, a parte boa é que aqui na França comemos muito em casa e a oferta de verduras e legumes é enorme, além de ser fácil de comprar porque a cidade tem dois mercados municipais e várias feiras livres.
Eu não sou vegetariana, mas acabei diminuindo muito meu consumo de carne vermelha aqui, até porque é caro, e tenho me virado muito bem com cogumelos, legumes, ovos e muita salada.
Sim, ir a um restaurante é mais desafiador hehehe. Existem alguns (poucos) restaurantes vegetarianos pela cidade que servem comida vegana e nos restaurantes comuns, em geral, não tem mesmo comida vegetariana, que dirá vegana. Eles não se preocupam muito em ter um prato vegetariano no cardápio, no entanto, sempre tem salada e a opção de ganhar um prato com os acompanhamentos do cardápio. Acho que a cidade está se modernizando mais em relação a isso, mas não vejo uma grande mudança a curto prazo. Acho que aqui na França só em Paris para viver bem como vegano, mas posso estar enganada.
Se você tiver mais dúvidas pode me escrever.

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