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Gravidez na França

Engravidar em um país diferente é sempre cheio de dúvidas e angústias. Como funciona o sistema de saúde? Que profissional procurar? Qual é o vocabulário de gravidez? Como o sistema de saúde francês já é bem complicado, quanto mais informações tivermos, melhor. Então resolvi escrever sobre gravidez e parto na França. Nessa primeira parte falarei sobre o básico do sistema de saúde e como escolher o profissional que vai te seguir durante a gravidez. Na segunda parte, falarei sobre a inscrição na maternidade, exames na gravidez, declaração de gravidez, curso pré-parto e vocabulário de gestação na França.

Chegada na França

Quando você chegar na França vai fazer o pedido do seu número de Sécurité Sociale (SS). Se você estiver em uma área ligada a educação, a sua SS será através da MGEN e para todos os outros casos, será o CPAM. Feito isso, em poucos dias você receberá o seu número de SS e terá os mesmos direitos de acesso à saúde que qualquer cidadão francês. Mas o que isso quer dizer?

Quer dizer que todas as suas despesas com consultas médicas e exames terão reembolso de 70% do governo francês. Ou seja, você vai sempre pagar pelas consultas médicas e depois receber o dinheiro do governo na sua conta bancária. A única coisa que não será reembolsada de forma alguma será uma “participation forfaitaire” de um ou dois euros por consulta ou exame.

Para ter um reembolso maior é muito aconselhável que se faça uma Mutuelle (seguro de saúde particular), que costuma custar em torno de 30 euros por mês o plano mais básico e cobre os 30% que o governo não paga, inclusive de emergências e internações em hospitais. Para mulheres grávidas, vale a pena pagar um pouquinho mais caro para ter acesso a reembolso em caso de escolha de quarto particular na maternidade ou até mesmo receber um dinheiro que cada Mutuelle estipula quando o bebê nasce (em geral, em torno de 200 ou 300 euros).

Existem várias mutuelles aqui na França. Uma dica é verificar a velocidade com a qual elas dão o reembolso. Por exemplo, para quem está ligado à MGEN, pagar uma mutuelle da própria MGEN pode fazer o reembolso integral da consulta vir em dias.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na França

Uma informação muito valiosa é que o governo francês só reembolsa 70% das consultas e exames caso você declare um médico generalista. Se você não declarar, a cobertura do governo será de 60% e a mutuelle vai cobrir mais 30%, ou seja, você vai ter que arcar com uma parte. Para declarar um médico generalista, basta marcar uma consulta com algum e perguntar se ele pode ser o seu “médecin traitant”. Se ele concordar, vai te dar os papéis para preencher e mandar para o governo. Uma consulta médica com um generalista costuma custar em torno de 25 euros e com especialistas (ginecologistas, dermatologistas, urologistas…) 50 a 70 euros.

A espera pela Carte Vitale

Depois de receber o seu número provisório de SS, você precisa aguardar que o governo te mande o número definitivo da SS e, logo em seguida, a sua Carte Vitale, que é como se fosse a sua carteirinha do plano de saúde. Essa espera pode demorar de três meses (para os sortudos) até um ano e meio (no meu caso). Isso quer dizer que os seus direitos estarão garantidos, mas que toda vez que você for no médico ou fizer exames, você terá que levar a sua “attestation de droits” junto com algum documento e com a carteirinha da sua mutuelle. Você vai pagar a consulta ou exame e depois vai receber uma “feiulle de soins”, que é um recibo de que você pagou o atendimento. Precisará então mandar esse recibo por correio para a sua SS e esperar o reembolso que, em geral, leva um mês. D

Depois que você receber o reembolso, é hora de mandar o recibo do reembolso para a sua mutuelle para receber a parte dela da consulta ou exame. Ou seja, esse processo todo pode levar uns 2 meses. Com a Carte Vitale e a sua mutuelle devidamente cadastrada na Carte Vitale, você apenas apresenta ela, faz o pagamento da consulta e em alguns dias recebe o reembolso do governo e da sua mutuelle.

Grávida na França

A França é um dos melhores países do mundo para ser mãe. Depois de passar por toda essa burocracia francesa, você descobrirá que o governo é uma “mãe” para as grávidas e que os índices de morte materna e morte neonatal por aqui estão entre os menores do mundo. E tudo isso de graça! Lindo, né?

Então, o que fazer depois de toda a alegria da descoberta que um novo rebento vem por aí? A primeira coisa é decidir qual o profissional que você quer que acompanhe a sua gravidez. Na França, você pode ter um ginecologista, uma sage femme (enfermeira obstetra) ou ser acompanhada pelo seu médico generalista até o sexto mês.

Ginecologista

O ginecologista tem uma visão mais médica da gestação, vai poder te acompanhar a gravidez inteira e a equipe dele fará o seu parto. Caso você dê muita sorte e seja ele o médico de plantão, ou você tenha o parto durante o dia, ele mesmo fará o seu parto. A parte negativa é que os ginecologistas, pelo menos aqui em Toulouse, têm a agenda muito cheia, então você pode levar até três meses para conseguir a primeira consulta e eles não são muito disponíveis caso você tenha dúvidas ou precise falar com eles fora da consulta.

Sage femme

sage femme – a parteira – pode fazer tudo que um ginecologista faz, como medicar, passar exames e realizar partos normais. Ela só não pode realizar cesarianas. A parte boa de ter uma parteira é que elas costumam ser mais acolhedoras (brasileiros podem estranhar a frieza de médicos franceses) e mais disponíveis para te ajudar com dúvidas, te explicar sobre o parto e o que mais você precisar. A parte ruim é que ela não poderá te acompanhar no parto, caso ela seja uma sage femme autônoma (não ligada ao hospital em que você fará o parto). Eu escolhi ter uma sage femme e não me arrependo. Ela vem na minha casa, é muito disponível para conversar comigo sobre dúvidas, sempre responde as minhas mensagens (que são muito raras, só em emergências mesmo) e ainda é especialista em acupuntura, o que ajuda muito!

Médico generalista

Ser acompanhada pelo seu médico generalista, na minha opinião, é a pior escolha. Além da consulta do médico generalista durar 15 minutos, ele não pode te acompanhar durante a gravidez. Talvez só valha a pena se você gostar muito do seu generalista.

É muito para decidir, mas não se assuste! Nenhuma dessas escolhas é definitiva, você sempre pode escolher profissionais novos que mais se adequem às suas necessidades e expectativas ao longo da gravidez. O mais importante é que você tenha algum profissional te acompanhando antes da 12a semana de gestação, para que você possa ter a prescrição e fazer o primeiro ultrassom.

As dicas sobre o sistema francês continuam no próximo texto. Até lá!

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2 comentários

Daiane Poletto September 22, 2019 at 11:25 pm

Oi Fernanda!!! Muito esclarecedora sua postagem! Como já morou na Itália, gostaria de saber sua opinião. Entre França e Itália qual seria melhor para se ter um bebê tendo em vista que a mãe opta pelo parto normal e humanizado (ambiente e tratamento mais acolhedor, práticas não medicamentosas e intervencivas para alívio da dor,…). Obs. A mãe é brasileiras mas tem cidadania italiana, gestante de 28 semanas e mora em Portugal.
Desde já agradeço,
Daiane Poletto

Resposta
Liliane Oliveira September 23, 2019 at 1:20 pm

Olá Daiane,
A Fernanda Libardi, infelizmente, parou de colaborar conosco.
Obrigada,
Edição BPM

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