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Liberdade religiosa em Macau

Liberdade religiosa em Macau.

Quando falo que Macau é um lugar especial, não estou exagerando. Tudo bem que adorar este lugar facilita muito a encobrir as muitas falhas, mas tudo depende de como escolhemos viver, assim como escolhemos no que acreditar.

Falar de liberdade em território chinês chega a soar estranho, mas em Macau, isto é possível. Aqui não temos as mesmas regras que os nossos vizinhos chineses, porém não temos a liberdade plena, como por exemplo, o direito de escolher o Chefe do Executivo (escolha feita pelo colégio eleitoral, com o aval do governo central chinês). Apesar disso Macau é uma terra de imigrantes e, com eles, vieram também na bagagem sua cultura e religiosidade.

De acordo com o artigo 34 da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau, “os residentes de Macau gozam da liberdade de crença religiosa e da liberdade de pregar, de promover actividades religiosas em público e de nelas participar“.

A religiosidade chinesa está ligada às crenças budistas, taoístas e o confucionismo, formando o que eles chamam das três verdades. A maior parte da população chinesa no território é budista. Dentro desta crença, podemos ver templos espalhados pela cidade, às vezes grandes ou apenas pequenos “altares” num beco, onde eles cultuam as suas divindades ou seus deuses.

O templo mais famoso de Macau é o Templo da Deusa A-Má (Avó), também conhecida com Tin Hau, ou Mazu. Construído na Dinastia Ming, este templo e esta deusa são os mais importantes para os residentes locais. A-Ma é reconhecida como a protetora dos pescadores e navegantes, concedendo-lhes sorte e paz.

Leia também: adaptação em Macau

Outro templo bastante famoso é o Templo Tin Hau, que fica dentro da Aldeia Cultural de A-Má, localizado no topo da colina da Ilha de Coloane. Logo na subida da montanha para se chegar à aldeia, existe um lindo portal de boas vindas aos visitantes. No lugar mais alto desta colina está situada a maior estátua do mundo, da deusa A-Má, feita de jade branco. Um fato interessante neste complexo é que na estrutura das vigas dos templos não existem pregos, são encaixes perfeitos de madeira. É realmente um lugar lindo para apreciação, que transmite paz e tranquilidade.

De presença religiosa muito forte no território é o catolicismo, que foi introduzido com a chegada dos portugueses. Provavelmente é a maior religião seguida, depois do budismo. É interessante notar a fusão de elementos de crença da cultura chinesa com os símbolos do catolicismo, como se pode ver na fachada da famosa igreja das Ruínas de São Paulo e na Igreja de São Francisco Xavier, em Coloane. Sobre esta última existe ainda uma divergência, pois ela também é conhecida como Capela de São Francisco de Xavier, já que foi erguida uma outra igreja para este mesmo santo, mas em Macau. Criada em 1928, a Igreja de São Francisco Xavier foi construída para atender aos poucos católicos que viviam na ilha de Coloane, porém o que a torna especial é que no seu interior existe uma pintura que é a representação da Virgem Maria segurando seu bebê, com as feições chinesas.

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Mas não se engane achando que só os portugueses é que formam a maior comunidade católica da cidade, pois os filipinos são a 3ª maior comunidade do mundo que segue o catolicismo, e como aqui temos uma população muito grande de filipinos, logo temos muitos católicos. É relevante ressaltar que a Diocese de Macau organiza três grandes procissões anuais: a Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos (primeiro domingo da Quaresma), a Procissão da Nossa Senhora de Fátima (13 de maio, sendo esta a mais popular) e a Procissão do Cristo Morto (na sexta-feira santa).

Leia também: Macau, a pérola da China

Como dito acima, Macau é uma cidade/país multicultural que acolhe tolerantemente a todas as religiões, inclusive o islamismo. Os muçulmanos do território desfrutam de uma pequena mesquita que foi criada na década de 1980. Ao lado da mesquita existe um cemitério que acredita-se ter sido fundado por muçulmanos que serviram ao exército português, recrutados em Goa e Bombaim, na Índia. Este é um local histórico, pois há túmulos com mais de um século, comprovando ainda mais a passividade dos que aqui se misturavam.

Mas estão achando que é só isso? Não, aqui também temos representantes de igrejas evangélicas e protestantes como, por exemplo, a Igreja Batista de Macau, e em algumas das igrejas evangélicas os pastores são brasileiros. Vemos também os representantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecidos como mórmons, pregando nas ruas.

Porém, o que mais impressiona é o respeito que uns têm pelos outros, não havendo intolerância religiosa e todos convivendo em paz e harmonia. Como não canso de repetir, Macau é uma mistura: um pouquinho de tudo que vive e convive em perfeita harmonia.

Até a próxima!

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2 comentários

Brenda Reis Julho 26, 2016 at 5:09 pm

Liberdade religiosa ou liberdade para qualquer outra coisa é fundamental, Macau se mostra um Oásis em meio a proscrição chinesa. Ótimo texto!

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Fernanda Martins Agosto 10, 2016 at 3:28 pm

Obrigada Brenda! Adorei o termo que você usou, realmente em alguns casos, aqui é um Oásis.

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