Minha primeira Copa fora do Brasil

A Copa acaba, mas não as memórias e histórias.

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Minha primeira Copa fora do Brasil.

Esse texto é diferente dos outros, pois são mais impressões minhas, bem subjetivo. Talvez porque tenhamos saído de um período tão próspero em 2014, e eu, de mala e cuia daquele Brasil. Eu cheguei exatamente um dia após a final da Copa de 2014, a Copa do 7X1, exatamente na Alemanha, com direito a We are the Champions, champanhe no avião e congratulações ao oficial da imigração na Alemanha, que nem sequer me respondeu, mas só devolveu meu passaporte.

Bem, acho que esse foi o primeiro choque em solo europeu: eles não são tão efusivos como nós, a vida não é uma eterna festa. E apesar dos duros pesares que o Brasil passa hoje, essa é uma caraterística nossa a qual sinto muita falta aqui, não apenas na Copa. Mas tudo bem, a vida segue.

Uma vez na Polônia, seja como os poloneses

Aqui não se pinta ruas, nem as decoram com bandeirinhas; aqui não há folga no trabalho em dia de jogo – nem da Polônia! – embora consigamos resolver isso facilmente -, não há musiquinhas ou mesmo o Galvão Bueno com o menino-Ney, quem diria eu iria sentir falta deste ser um dia na vida!

Os poloneses não saiam com as camisas da Polônia no dia dos jogos para o trabalho, mas combinavam peças de roupas das cores nacionais, o branco e o vermelho. Eu, nos dias de jogo do Brasil, era olhada como uma E.T., talvez como o tal canarinho pistola.

Ahhhh nossos memes me fez sentir em casa, me fez rir, me fez lembrar das Copas de 2014, 2006, 2002, 1998, 1994… graças a internet me senti tão próxima quanto, aliás, me sentia mais efusiva que os próprios brasileiros, pois as coisas por lá não andam nada fáceis. Cheguei a escrever um mea culpa no facebook, como se devesse pedir permissão por usar a camisa coxinha, mas antes disso, ela é a camisa da seleção brasileira, da nossa – sim, mesmo que não seja para alguns – paixão nacional.

Leia também: Futebol é paixão nacional na Polônia

No clima pré-Copa, os ânimos estavam – pelo menos na minha visão – super em alta. Acho que a expectativa gera isso, mas fato é que isto se deu mais até mesmo pelo resultado da Polônia na Euro Copa de 2016. Via-se muitos outdoors, propagandas na TV sobre todos os produtos possíveis, com as estrelas do futebol atual e do passado. Mas mesmo com muita propaganda, a Polônia mal passou da primeira fase. Com isso, esfriou-se o clima um pouco e a vida foi voltando ao normal.

Mas foi muito bonito ver os poloneses abrindo seus cachecóis ao cantar o hino, andar com suas bandeiras nas costas e assistir – ainda que mais contidos – à sua seleção. Me sentia estranha, por não estar no meu país, vibrando dessa forma, mas após os primeiros acordes do hino, já estava cantarolando também, afinal, a Polônia é o país que me acolheu.

Bem, a a seleção polonesa não deu sorte desde o primeiro jogo, mas conseguiu ganhar em sua última participação. E a vida continuou. Foi bonito ver que eles levam o amor à sua pátria independente da vitória ou derrota. Coisa que não acontece muito com os sangur-latino-nos-olhos, né?

A energia brasileira em todo lugar

Eu torci mesmo pela Polônia, afinal, moro aqui e tenho, cada dia mais, me afeiçoado ao país. Devo confessar que, a cada jogo, sentia falta da energia da torcida brasileira, de torcer loucamente pelo Brasil como no Brasil. Ainda bem que a comunidade aqui é bem animada, deu para matar um pouco a saudade disso. O jogo Brasil X México foi inesquecível!

Torcida no jogo Brasil X México. Créditos: Vanessa Tenório.

Mas o Brasil, como disse Tom Jobim, o brasileiro, não é para principiantes. Devido a atual situação político-econômica brasileira, vi, pelo menos quase todo mundo – no Brasil – dando a mínima para a Copa. Mas depois, aos poucos, a galera foi se rendendo à Copa. Pelo menos foi o que senti pelas redes sociais, afinal, Copa é Copa!

Pois bem, o Brasil – a seleção, começou descreditado – pela política e pela escalação – mas depois engrenou. Porém, também foi desclassificado. Ao menos para mim a Copa ainda não acabou, vou torcer para alguma seleção sem títulos ganhar.

E divagando mais um pouco, e agora, comparando mais calmamente as emoções vividas nesta Copa e na última Eurocopa, acho que os europeus valorizam mais a Euro do que a própria Copa do Mundo, talvez por terem todos os holofotes voltados a eles, com mais paíeses participando e sem os fortes – e tradicionais – sul-americanos.

E por que a Copa é tão importante para mim?

Eu sou o tipo de pessoa que ama o clima de Copa e isso tem um motivo a mais, pois, como já disse, coincide com a minha chegada à Polônia, a minha partida do Brasil. Lembro como se fosse um filme várias vezes revisto, daquela Copa, inclusive o 7X1, pois fiz daquele momento, um ritual de despedida para a minha nova vida num país estrangeiro.

Nós que moramos fora levamos isso esse ritual da Copa à potência máxima, como se precisássemos nos agarrar a qualquer traço de nosso país. Pode ser um ufanismo passageiro? Talvez, mas no fundo são apenas memórias e saudades da terra que ficou para trás…

Também sinto a Copa do Mundo – embora haja tantos problemas como corrupção, conchavos pela escolha das sedes, resultados combinados talvez – como um momento único de união dos povos, onde todos desfilam suas cores orgulhosamente, onde todos sentamos numa mesa de bar e confraternizamos. Essa também uma ótima oportunidade de passar nossa cultura aos pequenos, como disse aqui a Mariana.

Futuro das Copas

Espero que um dia os países dos continentes africano e asiático ganhem mais destaque, que o futebol feminino ganhe o mesmo valor que o masculino, mas que todos nós continuemos a celebrar essa festa, rir dos memes, e lembrar de nossa pátria saudosa, onde quer que estejamos.

Foi minha primeira Copa fora de casa, mas acho que aprendi, sim, algumas lições, lembrei de minhas raízes, senti saudade de torcer lá, mas talvez nada seja como antes, como disse Milton, mas continuará sendo, de alguma forma, de outras formas.

Até 2022!

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