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O sistema de saúde no Chile

O sistema de saúde no Chile.

Quando surge uma oportunidade de viver no exterior, uma das primeiras preocupações que vem à cabeça é sobre o sistema de saúde do país de destino. Vejo que muitos estrangeiros têm dificuldade de entender o sistema de saúde chileno. De fato, é um sistema bem complexo e cheio de “pegadinhas”.

Podemos dizer, inicialmente, que o sistema de saúde chileno é bastante caro e é basicamente privatizado, tratamentos complexos como, por exemplo, contra o câncer ou transplantes são caríssimos. Não existe, por exemplo, um sistema de saúde como SUS (Sistema Único de Saúde) do Brasil. Mesmo os hospitais considerados públicos não atendem os pacientes de forma gratuita, salvas algumas exceções que vou explicar mais adiante.

Na década de 80, o governo militar transferiu para a iniciativa privada a responsabilidade de gerir o direito social da saúde dos cidadãos do país. Neste período, foram criadas as Isapres (Instituciones de Salud Previsional), equivalentes aos planos de saúde do Brasil e o FONASA (Fondo Nacional de Salud). Com isso, criou-se o “mercado da saúde”. Como não existe muita regulação e a legislação também não é muito clara, este sistema vem recebendo muitas críticas nos últimos anos por ser muito desigual e visar o lucro das seguradoras de saúde em detrimento da saúde das pessoas que veem o acesso aos tratamentos médicos condicionados ao tamanho do seu “bolso”.

Leia também: O sistema de saúde dinamarquês

Mas afinal, como funciona este sistema?

O sistema de saúde é coparticipativo e os trabalhadores devem destinar 7% de seu salário para o FONASA ou Isapres. O FONASA seria uma seguradora de saúde pública e as Isapres são as seguradoras privadas. Todos os trabalhadores devem optar por contribuir com uma delas Isapres ou FONASA. Se o trabalhador decide por esta última, a afiliação é automática e os afiliados são classificados da seguinte forma:

A: carentes de recursos, portanto não devem contribuir com nenhum valor de co-participação para os tratamentos;

B: recursos inferiores ao salário mínimo, também não devem contribuir com nenhum valor de co-participação para os tratamentos;

C e D: recursos superiores ao salário mínimo, estes entram no sistema de coparticipação.

As Isapres devem ser contratadas pelo trabalhador, o qual deve escolher o plano que melhor lhe acomoda e os benefícios, assim como os beneficiários (filhos, cônjuge). Se o plano que se deseja contratar é superior aos 7% obrigatório de contribuição, se deve pagar a diferença restante o que acontece na maioria dos casos. Os planos mais econômicos têm uma cobertura muito pequena e com muitas restrições.

Na maioria das vezes, essas seguradoras não cobrem a totalidade do tratamento ou do serviço de saúde e o trabalhador deve pagar pelo restante. O valor varia de acordo com o plano contratado e a clínica (hospital) escolhida como preferencial no momento de assinar o contrato.  Os valores mudam de acordo com o centro de saúde que você se atende, alguns têm mais coberturas do que outras dependendo do plano contratado.

As porcentagens de cobertura também variam de acordo com a Isapre ou plano contratado e todas as Isapres tem um teto de cobertura (tope de cobertura) que é uma das “pegadinhas”, por isso é importante estar atento já que a maioria dos executivos dos planos de saúde não explica bem como funciona esse assunto dos topes. O ideal é contratar um plano que não tenha tope, mas obviamente que sai mais caro. Por isso, é importante ter muito cuidado com as letras chicas, os detalhes dos contratos e, se possível, fazer um comparativo com três seguradoras diferentes para poder ter uma visão maior e mais clara das minúcias dos contratos. Muitas vezes esse tope é muito baixo o que aumenta muito o valor a ser pago pelo afiliado em cada tratamento, consulta ou exame. O mínimo de cobertura estipulado por lei é de 25% e também existem atendimentos que não tem cobertura nenhuma.

O FONASA também estipula alguns limites de cobertura em quanto à quantidade de atendimentos para certas modalidades, mas não existe restrição em quanto às doenças preexistentes o que não acontece com as Isapres que, por sua vez, impõe restrições para esses casos, inclusive gravidez. Portanto, se você está grávida e pretende contratar um plano de saúde ou mudar seu plano atual, é preciso estar atenta aos prazos de cada uma, pois muitas não cobrem o parto se você contratar o serviço a partir de determinada semana da gravidez, mais uma “pegadinha” do sistema de saúde chileno.

Outro item importante a se observar é o seguro complementário. De forma bem simplificada, podemos dizer que é um seguro do seguro. Normalmente, ele é contratado para cobrir a diferença que os planos de saúde não cobrem, mas também é importante observar os detalhes dos contratos, porque para certas doenças de grande complexidade como o tratamento de um câncer, a seguradora pode pôr fim ao contrato de forma unilateral.

Além disso, existem os seguros específicos dos próprios centros de saúde e os valores oscilam bastante também, portanto, se existe um centro de saúde específico que você costuma se atender, é possível fazer um seguro exclusivo para os atendimentos neste local.

Acho que ficou bem claro agora o que eu disse sobre o sistema de saúde chileno ser caro e ter gerado todo um mercado que lucra com a saúde das pessoas. Para finalizar, é importante dizer que o valor dos medicamentos também é bastante alto. Portanto, o item saúde é algo que pesa muito no orçamento de quem mora no Chile.

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4 comentários

Fernandes Agosto 17, 2018 at 10:27 pm

Por favor, preciso de ajuda para contratar plano de saúde para filho que vive no Chile como estudante universitário na PUCV em Valparaíso. Meu filho já estuda há 1 ano e 1/2 e sempre tem entrado com visto de turista e pedido VISA MERCOSUL por 1 ano. Neste último ano pediu e está aguardando a liberação. JÁ tem RUT, porém vencido ano passado, pois esqueceu de renovar no prazo. A intenção é sair a VISA MERCOSUL neste ano e assim que puder pedir a RESIDENCIA DEFINITIVA e conseguir o RUT novamente, ainda este ano, antes de vencer o prazo do MERCOSUL. Estamos (pais) preocupados é com a questão de saúde, pois não fizemos o SEGURO VIAGEM DESTA VEZ. Alguém pode nos orientar se, ele pode contratar algum plano ISAPRE particular ou FONASA?

Resposta
Fernandes Julho 19, 2019 at 3:47 pm

Passando para atualizar e até agora não recebi nenhuma resposta do site.

Resposta
Liliane Oliveira Julho 20, 2019 at 3:32 pm

Olá Fernandes,
A Renata D’onofrio parou de colaborar conosco, mas temos outra colunista no Chile chamada Isabela Vargas que talvez possa te ajudar.
Você pode entrar em contato com ela deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta
Felipe Maio 14, 2019 at 11:51 pm

Esqueceram só de falar que o salário mínimo no chile equivale a R$ 1.700,00 =]

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