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Nem só de petróleo vive Abu Dhabi

Abu Dhabi é uma cidade linda, rica e encantadora. Entretanto, não foi sempre assim. O desenvolvimento que usufruímos hoje foi movido por um combustível localizado a muitos metros abaixo do deserto ou do mar: o petróleo.

A exploração dessa reserva natural começou na década de 30 do século passado, mas a produção e exportação só tiveram início nos anos 60, devido à dificuldade imposta pelo terreno e clima desértico, somada à falta de estrutura da região, além do atraso causado pela 2ª Guerra Mundial. A partir desse momento, Abu Dhabi, que era o emirado mais pobre, tornou-se o mais rico. A exploração do “ouro negro” foi parte crucial na história desse país, fundado há apenas 44 anos.

Abu Dhabi possui a 6ª maior reserva de petróleo do mundo e há quem garanta que ainda o terá por mais um século. Todo o desenvolvimento e modernidade que vemos por aqui são advindos da exploração desse precioso bem. Entretanto, sabe-se que esse é um recurso não-renovável e chegará a época em que ele findará. O que será dos Emirados e dos demais países do Golfo na era pós-petróleo?

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Plataforma de petróleo e o barco de reboque na costa de Abu Dhabi. Foto: Nepenthes Creative Commons.

Os governantes do país anteviram esse problema e investiram em diversificações de fontes energéticas e econômicas. Atualmente, os Emirados Árabes não são dependentes apenas das receitas do petróleo e do gás. Hoje, o setor petrolífero contribui com menos de 30% do PIB do país. Graças à visão de seus líderes, o comércio, o turismo, além dos setores imobiliário e de construção, também são grandes contribuintes.

Confirmando o seu importante e influente papel como centro global no campo de energia, em janeiro deste ano ocorreu a Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi (ADSW), que é um dos mais importantes encontros internacionais do setor, onde são oferecidas soluções inovadoras em matéria de energia sustentável e renovável. Durante o seu lançamento, o Ministro de Energia, Suhail Mohammed Faraj Fares Al Mazrouei, afirmou que “a forte interligação entre o crescimento da demanda mundial de energia e conquista de prosperidade econômica é baseada principalmente no avanço tecnológico, que permite aplicações mais amplas de soluções criativas para os muitos desafios no investimento em energia”.

Apoiados nessa ideia de inovações tecnológicas como instrumentos de desenvolvimento econômico e social, Abu Dhabi saiu à frente e está construindo a primeira cidade carbono zero do mundo, a incrível Masdar City.
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Instituto Masdar, em Masdar City. Foto: arquivo pessoal.

Masdar City é um dos projetos mais audaciosos de energia sustentável do mundo. Sua estrutura combina elementos da arquitetura árabe tradicional aliados a tecnologias modernas que tornam possível um melhor aproveitamento das correntes de vento, por exemplo, tornando o ambiente mais fresco mesmo nos terríveis meses de verão. O resultado de uma infinidade de aplicações tecnológicas e estruturais é uma redução drástica de consumo de energia, água e produção de lixo. Quando finalizada, cerca de 40 mil pessoas viverão em Masdar City, com um adicional de 50 mil visitantes diários, entre trabalhadores e estudantes.

O sol é o combustível essencial para essa nova cidade, que possui uma das maiores instalações fotovoltaicas do Oriente Médio. A primeira etapa concluída, e também o coração de Masdar, foi o Instituto Masdar de Ciência e Tecnologia, um centro de pesquisa e ensino dedicado a soluções na área de energia e sustentabilidade. O desenvolvimento de baixo carbono de Masdar City tem um papel fundamental na transformação da economia de Abu Dhabi, a partir de uma base de óleo e gás, numa baseada em conhecimento e inovação. O Instituto serve como uma câmara de teste para empresas dos setores de energia e tecnologia renováveis e, por esse motivo, várias empresas estão construindo filiais na cidade.

Em junho de 2015, foi inaugurada a sede da IRENA (The International Renewable Energy Agency), a Agência Internacional de Energia Renovável em Masdar City, reforçando ainda mais o compromisso de Abu Dhabi com o avanço das energias renováveis.

Outro projeto que colocou Abu Dhabi nos noticiários do mundo inteiro relacionando a cidade à sustentabilidade é o Solar Impulse, o avião movido a energia solar que fez o seu primeiro trecho internacional partindo de Abu Dhabi rumo a Mascate, Omã, em março de 2015.

“A presença do Solar Impulse em Abu Dhabi – e sua jornada ao redor do mundo – é uma conquista histórica que vai deixar um impacto duradouro sobre Abu Dhabi, o mundo e o campo da ciência”, afirmou Dr. Ahmad Belhoul, CEO do Instituto Masdar.

A relação entre Masdar e Solar Impulse começou em 2003, a partir de uma perspectiva comum compartilhada entre  os líderes do país e os fundadores do projeto Solar Impulse. O objetivo era promover os valores tecnológicos em conjunto para preservar os recursos do planeta, em uma tentativa de encorajar os líderes políticos e organizações a adotar tecnologias mais limpas e mais eficientes.

Pelo que podemos notar, apesar de ter o seu desenvolvimento e economias fundadas sobre o petróleo, Abu Dhabi faz questão de deixar um legado mais “limpo” para a humanidade, sustentado por pilares sólidos de tecnologia, inovação e ensino. Sem dúvida, este é um exemplo a ser seguido por várias nações.

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2 comentários

Brasileiras pelo Mundo - senta que lá vem história - Diário de Polly Julho 3, 2017 at 1:19 pm

[…] exploração do petróleo, na década de 60. Sobre esse assunto, já temos um artigo aqui no BPM: Abu Dhabi – Nem só de petróleo. Mas nem sempre foi […]

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Brasileiras pelo Mundo - Nem só de petróleo - Diário de Polly Julho 24, 2017 at 5:32 pm

[…] publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo, onde faço uma colaboração mensal como colunista de Abu […]

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