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Covid em Dubai

Covid, Dubai

Quero contar como está sendo viver em Dubai com toda essa novela mexicana que tem sido desde o aparecimento deste novo coronavírus, causador da Covid-19 em Dubai.

Moro em Dubai há pouco mais de dois anos, e embora aqui seja um lugar maravilhoso de se viver, estar inserida em um cenário cinematográfico e apocalíptico que tem sido 2020 não tem sido fácil.

Desde que tudo começou, o governo dos Emirados tem tomado medidas com o objetivo de conter a propagação do vírus. Considerando os dados fornecidos pelo governo, acredito que até determinado ponto teve-se sucesso. Mas haviam muitas informações desencontradas, e a gente ficava sem saber o que podia ou não fazer.

Primeiros caso do Covid-19

Os primeiros casos do Covid-19 nos Emirados Árabes Unidos foram notificados no dia 29 de janeiro. Já no dia 24 de março, estavam registrados 198 casos, sendo 2 mortes, 41 recuperados e 155 casos ainda ativos. Apenas para efeitos de comparação: enquanto isso, no Brasil, já eram 1960 casos: 34 mortes, 2 recuperados e 1924 ainda ativos.

Lembro de estarmos em um churrasco na casa de amigos, antes do lockdown, e conversarmos sobre o vírus e eu já estava me preparando, sob a forma de estoque de máscaras. Pensávamos que não afetaria nossa vida. Até que as notícias dos fechamentos começaram.

Começo do lockdown

As medidas tomadas aqui foram muitas. O lockdown começou em março e as escolas foram fechadas inicialmente por 2 semanas. As aulas só retomaram os encontros físicos em setembro. Fronteiras e aeroportos foram fechados, parecia coisa de filme.

Para que pudéssemos sair de casa tínhamos de requerer uma autorização junto ao governo – que nem sempre era aprovada – , e só se aplicava a idas ao supermercado, hospitais ou farmácia. Tinha até drone sendo usado pela polícia de Dubai, dizendo para os residentes ficarem em casa.

Leia “Qual o idioma falado em Dubai?”

Aconteceu também o Programa Nacional de Sanitização, que fazia a limpeza da cidade durante a noite, e isso funcionava como um toque de recolher.

Começou em março, somente durante a noite, e se estendeu até quase o final do mês de abril com uma mudança de horário: funcionava durante 24h.

Tudo isso aconteceu regado a multas aplicadas a quem não cumprir as regras impostas pelo governo, que variam entre 500 AED e vão até 50.000 AED – hoje, equivalente a mais de 76.000 reais.

As medidas de prevenção eram (e são, ainda) bastante rígidas. Para o caso de residentes que haviam viajado antes do lockdown, o governo criou um sistema de pedido de autorização de retorno.

Como retornar durante o lockdown?

Houve pessoas que viajaram antes do lockdown e ficaram presos meses no exterior, aguardando a tal autorização. Esse sistema de autorização ainda está em vigor, e quase todos os dias as regras são alteradas, buscando se adaptar à realidade de pandemia nos outros países.

Durante o Ramadã, entre os meses de abril e maio, ainda estávamos em ritmo de lockdown e, por isso, as reuniões familiares foram proibidas – o que não quer dizer que não aconteciam.

Foram veiculadas várias notícias de pessoas que se reuniram em suas casas e contaminaram uns aos outros. Em casos de reuniões que eram denunciadas à polícia, todos recebiam multas: tanto organizadores quanto participantes.

Crise econômica na pandemia

Como na maioria dos países, a crise bateu forte aqui também. Além de multas, muitas cartas de demissão foram assinadas. Estima-se que só a companhia aérea Emirates tenha dispensado milhares de pessoas.

Em sua maioria, pilotos e tripulação que faziam vôos com a aeronave AirBus A380. Muitos restaurantes fecharam as portas, funcionários tiveram cortes salariais ou entraram em licença não remunerada.

Era triste entrar em grupos de segunda mão e ver pessoas vendendo sua mobília praticamente novas. Foi o fim de um sonho. Muitos sonhos.

Leia “Como os brasileiros são vistos em Dubai”

Desde que o lockdown acabou em Dubai, vivemos uma vida de cautela mas que beira à normalidade. Vamos ao shopping fazer compras, assistimos filmes no cinema e até jantamos fora. Sempre de máscara.

No começo confesso que o medo era bem grande, e garanti minha caixa de N95. Hoje saio com minhas máscaras reutilizáveis em conjunto com meu amado filtro. A coleção de máscaras já se tornou uma escolha fashion, e as opções são variadas – afinal de contas o look tem que estar completo.

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Coleção de máscaras da autora

Praticamente tudo já se adaptou ao tal “novo normal”. As lojas nos shoppings possuem a indicação de capacidade máxima logo na entrada, e todos devem estar sempre de máscara. Alguns lugares requerem que os clientes façam uso de luvas descartáveis, mas são bem poucos.

No último dia 25 reabriu a Global Village, uma feira gigantesca que possui pavilhões de diversos países do mundo, sendo países majoritariamente da Ásia e Oriente Médio. Esse é um evento que reuniu mais de 7 milhões de pessoas (de acordo com os números publicados) em 2018. No último dia 29 os novos casos eram 1312. Vamos acompanhar. Haja máscaras em 2020!

Pensando no Brasil

Enquanto isso, a preocupação com os familiares no Brasil é grande, mesmo sabendo que muita coisa é aumentada (e criada) pela mídia. Sabemos que a situação não está boa, e cada vez o vírus chega mais próximo dos nossos. Seguimos preocupados e com cautela, pensando sempre nos que estão no grupo de risco.

Pelo lado sanitário a máscara é, sim, importantíssima e há quem goste do distanciamento. Eu já gosto de abraço, sinto falta do calor humano e da convivência. Eu quero aglomerar, mas entendo que agora não é o momento. Acredito que vamos nos adaptar. E usar muita máscara no processo.

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