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A tão natural nudez europeia

Embora o Brasil seja o país do sol, das praias exuberantes e do Carnaval, uma das coisas que percebi ao me mudar para a Bélgica é que, no geral, não somos um povo liberal como muitos aqui pensam quando assistem aos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro. Uma diferença bastante perceptível de mentalidade e de costumes entre brasileiros e europeus é a da aceitação da nudez, pelos europeus, como algo absolutamente natural, pouco associada à vergonha e ao erotismo.

Uma das maiores evidências disso, e que presenciei na Bélgica, é o hábito de se frequentar saunas. Como mencionei em meu último texto, o que há de “estranho” nisso para nós brasileiros é que, aqui, frequentar sauna significa ficar totalmente nu na frente de outras pessoas.  Homens, mulheres, sejam jovens ou idosos, gordos ou magros, ninguém faz cerimônia na hora de se despir para a sauna. É um hábito tão tradicional no país que, além de celebrarem o Nationale Saunadag, uma espécie de Dia Nacional da Sauna, realmente faz parte da rotina de muitas pessoas, depois de um dia estressante de trabalho, relaxar e jogar conversa fora com amigos na sauna. Os lugares – aqui na Bélgica posso citar a Sauna Hezemeer e a Sauna Aquarein –  se parecem com o que conhecemos no Brasil como Spa, com diversos ambientes muito amplos e bem decorados, com uma excelente estrutura, ótimos restaurantes e lounges para leitura.

As famílias europeias usam a saunaterapia como uma forma de socialização, mas também para manutenção da saúde corporal, pois segundo os médicos belgas, os benefícios físicos são inúmeros e têm sido objeto de vários estudos.

“O intenso calor provoca uma ‘febre artificial’, importante no processo de reabilitação em casos de atrofias musculares, desbacterização e assepsia. A aceleração do pulso produz um fluxo sanguíneo desde os órgãos internos até a pele, exercitando e fortalecendo as glândulas, os vasos capilares e os nervos. Após o banho de vapor, a súbita imersão em água fria e a rápida alternância entre o frio e o calor reverte a corrente sanguínea para o interior do organismo, condicionando e fortalecendo o sistema regulador cardiovascular simpático e parassimpático. Isso faz esse sistema trabalhar com a máxima eficiência por vários dias, resultado o que eventualmente não se obtém com exercícios corporais prolongados (extraído de tese sobre sauna do Dr. Claude Cappadoro, França). A sauna desintoxica o organismo, livrando o sangue, a pele e o cérebro dos sais minerais, gorduras e toxinas indesejadas. Essas toxinas são eliminadas através das fezes, da urina e do suor, cuja produção é estimulada pelo banho de sauna. Também ajuda a descarregar a eletricidade do corpo e relaxa os músculos e o sistema nervoso, reduzindo dores musculares e calorias em excesso com um mínimo de esforço físico. No ambiente de sauna a temperatura corporal irá aumentar, a pulsação cardíaca será acelerada até alcançar aproximadamente 90 batimentos por minuto e teremos uma supercirculação nos vasos sanguíneos do cérebro, do coração e da pele, promovendo a transpiração e estimulando as glândulas endócrinas do corpo, como a tireóide, o pâncreas, as supra-renais, as glândulas sexuais e o fígado. Recomenda-se, também, tomar uma boa ducha fria após o banho de sauna. Desde que se esteja com a saúde perfeita, ela não causa problema algum e, muito pelo contrário, é extremamente benéfica. Após o banho de sauna o nosso organismo fica preparado para resistir a temperaturas bem abaixo de 0°C. A duração da ducha fria deverá ser de aproximadamente 20 segundos, tempo suficiente para que a circulação sanguínea seja ativada com o resfriamento apenas superficial da pele e sem resfriar o interior do corpo, o que poderia torná-lo vulnerável a resfriados, gripes, etc..

Mas não é apenas com a popularidade da sauna que percebemos a familiaridade do europeu com a nudez. O que dizer do top less praticado por inúmeras mulheres em quase todas as praias por aqui, sem constrangimento algum? Apesar de não ser proibido no Brasil por lei, a praticante pode ser detida por “praticar ato obsceno em público”, uma vez que o art. 233 do nosso Código Penal não define o que é atentado ao pudor e está aberto a  interpretações.
E das inúmeras praias e campos de nudismo? Já me disseram que são 50 milhões de adeptos do naturismo na Europa, principalmente em países ricos como Holanda e Alemanha, existindo até mesmo agências de turismo especializadas. No Brasil também sabemos da existência de diversas praias para adeptos do naturismo, no entanto, são muitas também as ocorrências de abusos e registros de voyerismo, sexo e orgias, ou seja, muitos deturpam o sentido do naturismo, associando a nudez, mais uma vez, ao erotismo e à sexualidade.
De onde vem, então, tamanho conservadorismo do Brasil, um país tão tropical onde o clima quente parece ser tão atrativo ao natural desnudamento? As respostas que encontrei ao fazer pesquisas para este texto me levaram sempre a explicações históricas: a vergonha do corpo e da nudez, a necessidade de cobrir o corpo em público (principalmente genitália e as mamas), a associação entre nudez e sexualidade e entre esta e pecado, exprimem a herança cultural cristã fortemente inserida na sociedade brasileira, como conservadorismo de costumes em que o natural é motivo de vergonha, tão diferente da cultura laica, segundo a qual o que é humano não envergonha.
Quer entender um pouco mais? Então leia aqui o texto “A nudez dos índios”, da historiadora Márcia Pinna Raspante.
Fontes:

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1 comentário

Solon Mota e Silva Agosto 19, 2017 at 12:38 am

Ai gaúcha ! bah! sou gáucho de porto Alegre,mas não gostaria de enfrentar estes costumes muçulmanos e restrições diversas e leis duras de mais e absurdas ás vezes,mas vejo que tiveste coragem.

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