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O café e o cigarro na Bósnia e Herzegovina

O café e o cigarro na Bósnia e Herzegovina.

Existem duas paixões na Bósnia e Herzegovina: beber café e fumar cigarros. Essas duas atividades me impressionaram desde o momento que cheguei aqui. O café pela quantidade de líquido que os habitantes ingerem e o cigarro pela quantidade de pessoas que tragam.

O cigarro

Começando pelo cigarro que hoje, pelo menos no Brasil, não é algo mais tão comum. Vindo do Rio de Janeiro, terra das academias, dos corpos esculturais de praia, das musas fitness e da busca incessante por um estilo de vida mais saudável, eu me surpreendi ao ver como as pessoas na Bósnia e Herzegovina fumam. No Brasil, pouquíssimas pessoas do meu círculo social fumam. Normalmente, são pessoas mais velhas que adquiriram esse hábito no passado. Lembro de acordar com a casa cheirando a cigarro, pois logo cedo minha avó já fumava. Foi difícil para ela parar de fumar. Ela só realmente parou quando o médico foi categórico. Minha tia-avó, quem ajudou a me criar, também era uma fumante apaixonada e não importava o quanto falássemos para ir ao médico em razão daquela tosse característica de fumante. Ela simplesmente ignorava e continuava com o cigarrinho na mão. Só parou de fumar quando morreu.

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Hoje, no Brasil, ninguém próximo a mim que tenha a minha idade ou que seja mais novo fuma. Quem eu conhecia que fumava durante a adolescência, parou. Meus amigos abandonaram definitivamente o cigarro e adotaram um estilo de vida mais saudável.

Eu, particularmente, nunca gostei de cigarro. Me incomodava sentir o cheiro logo pela manhã. Me incomodava sentir o cheiro nas pessoas, mesmo que elas não estivessem fumando. Me incomodava ir às festas e retornar cheirando a cigarro, principalmente o cabelo. A maior ironia de todas é que eu acabei casando com um fumante.

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Lembro que a primeira vez que saímos, ainda como amigos, fomos a um restaurante. Estávamos sentados, conversando, e, de repente, ele acendeu um cigarro. Não me perguntou se aquilo me incomodaria. Isso me surpreendeu, mas, então, eu notei que para ele e para as outras pessoas daqui isso era algo completamente normal. Ninguém aqui vai perguntar a você se pode acender um cigarro. Ninguém aqui vai perguntar se você se incomoda com o cheiro. Ele ou ela simplesmente vai acender e se você se sentir incomodado (a)… Bem, isso é problema seu.

Aqui não importa a faixa etária. Há fumantes com quinze anos e há fumantes com mais de setenta. Também não importa o sexo. Muitos homens e muitas mulheres fumam. Vi mulheres grávidas fumando. Vi mulheres fumando ao lado de bebês recém-nascidos. Vi pais e mães fumando em restaurantes perto de seus filhos. Parece que aqui as pessoas são acostumadas ao cheiro do cigarro desde cedo. Quem não gosta, tem que aprender a tolerar. Foi o que aconteceu comigo. Até hoje o cheiro me incomoda, mas em lugares públicos, com outras pessoas, eu me calo e não reclamo. Sou minoria, afinal. Em casa, eu e meu marido entramos em um acordo: ele sempre fuma na varanda. Invariavelmente, o cheiro entra com a corrente de ar. Quando isso acontece, eu já estou preparada com um spray para amenizar o odor. Às vezes eu reclamo e digo para ele prestar mais atenção com o cheiro entrando na casa. Ele pede desculpas e assim a gente vai vivendo. Ele tolera o meu asco pelo cigarro e eu tolero o lado fumante dele. É um casamento, afinal.

O café

O café e os brasileiros possuem uma relação íntima. A começar pela História, quando o país se tornou um grande produtor do grão. Boa parte dos brasileiros começa o dia com uma xícara de café, não dispensa o cafezinho depois do almoço e, se puder, ainda bebe mais um pouco no final da tarde (e se acompanhado por um pedaço de bolo, ainda melhor!). Lembro que aos finais de semana, no final da tarde, eu sempre falava para a minha mãe: “Mãe, vou fazer café para mim. Você quer?”. Ela nunca dizia não. Sim, os brasileiros possuem uma forte ligação com o café. Contudo, eu descobri que essa ligação não é nada se comparada com a que os habitantes da Bósnia e Herzegovina têm com o grão.

Aqui as pessoas bebem o líquido em grande quantidade. Não de uma única vez, mas várias e várias vezes durante o dia. Certa vez, eu vi meu marido beber mais de dez xícaras de café em um único dia. Nunca o vi ingerir menos de cinco xícaras.

Aquela história de “vamos ali tomar um cafezinho?” é verdade por esses lados. As pessoas realmente saem para tomar café. Não suco, refrigerante ou outra coisa. O intuito é mesmo beber café. Na cidade onde moro, apesar de pequena, há inúmeros Cafés onde as pessoas vão para conversar e beber. Ainda me impressiona a quantidade de estabelecimentos desse tipo para uma cidade tão pequena.

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Assim como o cigarro, aqui não importa a idade. Jovens e idosos são apaixonados pelo líquido. É comum, depois das aulas, os adolescentes saírem diretamente da escola e irem a um café, beber e bater papo. É comum – não importa o horário do dia – ver grupos de idosos e idosas sentados, bebendo. Também é comum, no final da tarde, observar donas-de-casa sentadas do lado de fora das casas ou prédios, bebendo e conversando enquanto as crianças brincam de um lado para o outro. Não importa o horário do dia, você vai sempre encontrar um grupo tomando café. Mesmo que seja às 14h no auge do verão. Sim, eu presenciei tal fato inúmeras vezes. No clube da cidade, com o sol forte, inúmeras pessoas na piscina tentando se refrescar e pedindo…café. Até hoje eu me pergunto como os habitantes daqui conseguem beber café no horário mais quente do dia, em pleno verão. É a cultura do café arraigada aos habitantes da Bósnia e Herzegovina.

Por fim, termino o texto com uma curiosidade. Apesar de apaixonadas por café, as pessoas daqui não gostam muito de café preto. É sempre café com leite. Meu marido se surpreendeu na primeira vez que me viu bebendo café puro. Ele disse que eu não deveria fazer aquilo, pois café puro não faz bem. Eu ignorei, é claro. Se ele pode tomar dez xícaras de café com leite por dia, eu posso tomar as minhas duas de café puro, não é mesmo?

Cada um com sua cultura do café.

Até a próxima!

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3 comentários

Cleonie Silva Outubro 23, 2018 at 11:39 am

Oi Caroline boa tarde.
Minha avó aparentemente nasceu em Devetina, Bosnia.
Eu não tenho nada oficial dela, nenhum documento, no Brasil teve tantos nomes e sobrenomes, tenho apenas um cartão de imigração do irmão mais novo, ela não falava português muito bem e a única coisa que sei é que fugiram da guerra por volta de 1924.
Por favor, você saberia me indicar alguém ou algum órgão do governo para fazer pesquisas sobre a minha família?
Eu não sei nada sobre a minha família, meu sonho é descobrir alguma coisa.
Desde já o meu muito obrigado

Resposta
aline Janeiro 20, 2019 at 11:46 pm

Caroline,meu namorado mora na Bosnia, ele me falou isso mesmo que as pessoas fumam muito nos locais públicos. Em shopping tb fumam? em supermercados? Eu nem posso sonhar com cigarros perto de mim, eu tenho asma. Se eu sinto o cigarro, igual veneno para mim, é questao de seguros para eu começar ficar com falta de ar. No caso como ele nao fuma, e nao é de sair, entao acho que na Bosnia nao vou ter problemas. Acha no meu caso que tenho problema de saude, vc nao aconselharia eu ir para Bosnia? ele mora na Bosnia em Vitez.

Resposta
Liliane Oliveira Janeiro 21, 2019 at 5:32 pm

Olá Aline,
A Caroline Sampaio parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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