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Um olhar sobre a mulher polonesa

A mulher polonesa é forte, belamente forte e inteligente. São mulheres que aprendem a ser independentes desde pequenas. Carregam no sangue e trazem em sua ancestralidade o mito da Syrenka que tem sua morada nas águas do rio Vístula. Sim, elas trazem a força, raça e fibra de suas ancestrais. É natural que suas meninas ouçam esses feitos, esses mitos e também pensem: sou uma delas, serei uma delas.

Minha primeira impressão sobre as mulheres polonesas foi exatamente esta, uma junção de força e beleza, com uma aura mítica. Enxergava a grande mãe da mitologia eslava, a sereia e todas as estrelas nelas. Assim como as mulheres de qualquer outro canto do globo, acredito que cada uma de nós desperta algo especial e único, pois no fundo, somos todas uma, vindas do mesmo lugar.

Um passado feminista

As mulheres sempre tiveram um papel importante para a manutenção da vida familiar e social polonesa, desde a vida do campo passando pelas privações das guerras. E já no século 19 muitas começaram a participar de atividades que buscavam não apenas a emancipação feminina, mas consoante à efervescência política da época, participar dos acontecimentos da sociedade em geral. Ainda antes do Levante de Novembro de 1830, Klementyna Hoffmanowa escreveu um dos primeiros textos de viés feminista, Pamiątka po dobrej matce (Lembrança de uma boa mãe) (1819).

Entre os levantes de novembro de 1862 e janeiro de 1863, começaram a surgir mais ideias, fortemente influenciadas pelo trabalho de George Sand e o periódico La Gazette des Femmes (Diário das Mulheres). Em 1870, contando com o apoio dos homens, artigos eram publicados defendendo a igualdade dos sexos na educação e no campo profissional, além de demandas mais radicais reivindicar essa equidade em todos as áreas. Vale a pena ressaltar que de 1795 a 1918 a Polônia não existia como país, o que pode ajudar a entender o cenário de engajamento de toda a sociedade para, inclusive, com a causa da igualdade de gênero. A escritora mais influente desse período foi Gabriela Zapolska. Em 1918, após a Independência polonesa (ou restauração da soberania – a Segunda República Polonesa), as mulheres tiveram direito ao voto.

Mulheres em todos os lugares, na política, ciência e artes

A Polônia possui muitas personalidades nas mais diversas áreas. E mesmo em ambientes majoritariamente masculinos, as mulheres se destacaram e desempenharam um papel fundamental na história. A figura feminina polonesa mais conhecida é sem dúvida Marie Skłodowska Curie, pioneira nas pesquisas sobre radioatividade (descobridora dos elementos Rádio e Polônio) e a primeira mulher a ser laureada com um prêmio Nobel em duas áreas distintas, Física em 1903 e Química em 1911.

 

Marie Curie ( e também Albert Einstein, ao centro) na Conferência de Solvay em Bruxelas, em 1911.
Marie Curie (e também Albert Einstein, ao centro) na Conferência de Solvay em Bruxelas, em 1911. Fonte: Pixbay.com

Na política, já em 1919 , a Sejm (Câmara dos Deputados polonesa) recebeu as primeiras mulheres eleitas. E embora nenhuma mulher ainda tenha sido eleita presidente, os poloneses tiveram sua primeira premiê (a 14ª no mundo) no governo de Lech Wałesa: Hanna Suchocka exerceu a função de 1992 a 1993. Desde 2014 o cargo é ocupado por mulheres: Ewa Kopacz (de 2014 a 2015) e atualmente, desde novembro de 2015, pela primeira-ministra Beata Szydło.

Leia também: imigração e preconceito na Polônia

Durante a a segunda guerra nomes como Irena Sendler, que ajudou a resgatar mais de 2 mil crianças judias das mãos dos nazistas; Krystyna Skarbek, agente da Executiva de Operações Especiais do governo britânico (Special Operations Executive, SOE) e tantas mulheres anônimas que lutaram até o fim no Levante de Varsóvia em 1945, deixaram um legado de coragem, luta e esperança para as futuras gerações, num dos períodos mais difíceis do país.
Mas a lista de mulheres polonesas em destaque em todas as áreas do conhecimento humano é realmente imensa. Muitas delas foram buscar outras paragens no mundo, como a própria Marie Curie, durante a Grande Emigração.

No imaginário coletivo lembramos desde a revolucionária Rosa de Luxemburgo à empresária Helena Rubinstein, passando pelas atrizes Pola Negri e – pelo menos para mim – Ludwika Paleta, que no final da década de 80 viveu a eterna Maria Joaquina de Carrossel (novela mexicana). A cada dia tento aprender um pouco mais sobre elas. E acreditem, nessa vida não haverá tempo para conhecer todas e seu grande legado.

Pola Negri
A atriz Pola Negri.

A mulher contemporânea e os desafios atuais

As polonesas, em geral, têm um alto grau de escolaridade. Em dados de 2013, a taxa de matrícula das mulheres nas universidades era de 86,85% ao passo que a taxa masculina foi de 56.08% . Esses dados podem dar um panorama do alto nível educacional na Polônia. Atualmente, a maioria das jovens falam inglês e muitas até um terceiro idioma. Esse alto grau de escolaridade e cultura é refletido em um dos menores índices de gravidez na adolescência. Entre 2011-2015 a taxa era de 14 crianças para cada mil adolescentes (15-19 anos). Só para comparar, a proporção no Brasil era de 67 para cada mil. A taxa de natalidade é uma das menores do mundo, 1,3 crianças/mulher, o que já é um problema para o governo. Desde 2005 o crescimento populacional vem caindo. Em 2014, essa taxa foi de -0,11.

E mesmo a Polônia sendo um país majoritariamente católico – embora as novas geraçãoes não sejam tão assíduas aos compromissos religiosos – o peso da religião na sociedade ainda é grande. É comum ver jovens dividirem apartamentos com amigos ou namorados, principalmente no período universitário ou quando começam a trabalhar e viajar para o exterior, para estudar ou fazer intercâmbios, mas temas como métodos contraceptivos ou fertilização in vitro, são delicados; aborto ou relações homoafetivas são considerados tabus. Com a eleição em agosto de 2015 do novo presidente Andrzej Duda e a ascensão de seu partido conservador de direita, Lei e Justiça (PiS), esses temas têm sido cada vez mais difíceis de serem debatidos. Na verdade, o que surge agora é controverso não apenas no que se refere ao direito das mulheres, mas às políticas para os direitos individuais da população como um todo.

Estátua de Marie Curie.
Estátua de Marie Curie. Foto: Acervo pessoal.

Este é um assunto que ficará para os próximos posts.

Até breve!

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19 comentários

Caroline Março 21, 2016 at 8:47 pm

Ótimo texto!! Adorei saber um pouco mais sobre as mulheres aqui na Polônia!!!

Resposta
Vivian Kulpa Março 21, 2016 at 10:20 pm

Fico feliz que tenha gostado, Caroline.
Obrigada pelo comentário.
Abs,
Vivian

Resposta
Estefania Chaves Março 22, 2016 at 8:20 am

Parabéns Vivian , pelo excelente texto . Uma comprovação que a educação e a base para se estruturar uma sociedade . Sucesso !

Resposta
Vivian Kulpa Março 24, 2016 at 7:33 pm

Muito obrigada pelo comentário, Estefania.
Penso exatamente isso e conversando com as pessoas que passaram por períodos difíceis aqui na Polônia e ver como a sociedade se configura hoje, é a prova disso. QUe possamos levar essas lições para o Brasil também.

Abraços,
Vivian

Resposta
jorge l wittkowski Outubro 30, 2017 at 12:00 pm

e bom morar na polonia como as pessoas la

Resposta
Leandro Tadeu Março 22, 2016 at 6:30 pm

Ótimo e interessante texto Vivian!
Leandro.

Resposta
Vivian Kulpa Março 24, 2016 at 7:30 pm

Muito obrigada, primo querido!
Espero que você sempre acompanhe o blog,pois há muita coisa interessante sobre a Polônia, e em breve venha me visitar.
Beijo grande,
Vivian

Resposta
MAURÍCIO ESTRADA(FLORIANÓPOLIS/SC) Março 24, 2016 at 7:38 pm

Oi Parabéns pelo texto,muito legal.
Você acha que gasto quanto pra passar 1 mês na Polônia,mais excpecificamente em Gdansk?Tem como me ajudar?
Um Abraço e tudo de bom…

Resposta
Vivian Kulpa Junho 27, 2016 at 10:21 am

Olá Maurício,

Desculpe por estar respondendo só agora, não havia visto seu comentário.

No Facebook há grupos de brasileiros que vivem na Polônia e também em Gdańsk. Você pode encontrar bastante informação lá.

Obrigada pelo seu comentário e continue nos acompanhando.

Abs,
Vivian

Resposta
MAURÍCIO ESTRADA(FLORIANÓPOLIS/SC) Agosto 23, 2016 at 2:40 pm

Oi Vivian,
Muito Obrigado pela informação e pode deixar que com certeza estarei sempre acompanhando vocês.Espero que esteja tudo bem contigo e com sua família…
bj

Resposta
Vanda Teresinha Pielechowski Abril 24, 2016 at 12:11 pm

Sou descendente de poloneses e 17 maio vou conhecer warsovia. Gostei muito do teu texto. Estou lendo textos para aprender sobre este País de meus avós que vieram para RS durante a guerra. Estou com grupo de turismo do Sul porem o grupo retorna de Berlim para Brazil e eu sozinha retorno para Warszawa..e fico até 6 junho para sentir a cidade e passear. Abs

Resposta
Vivian Kulpa Abril 24, 2016 at 11:00 pm

Olá Vanda,
Muito obrigada pelo seu comentário, fico feliz que tenha gostado. Espero que você aproveite ao máximo sua viagem e sua visita à Varsóvia.
Eu, mesmo não sendo descendente, sinto-me feliz e privilegiada por morar aqui.
Abraços,
Vivian

Resposta
Katlen Ignatowska Maio 9, 2016 at 3:58 pm

lindo texto! Parabéns! A Polônia é linda assim como seu povo!

Resposta
Vivian Kulpa Junho 27, 2016 at 10:19 am

Olá Katlen,

Sim, sou mesmo encantada pela Polônia.

Obrigada pelo seu comentário.

Abs,
Vivian

Resposta
Ivania Junho 27, 2016 at 1:34 pm

Bom dia, texto maravilhoso, as mulheres são essencialmente fortes, belas e inteligentes em todo o mundo, porém muitas não descobriram seu real valor, seja por falta de oportunidade, medo de uma forma geral ou mesmo por acharem q é mais confortável permanecer na dependência de alguém. Vc nos mostrou a luta das mulheres na Polônia e com certeza em outras partes do mundo, aqui no Brasil o momento político afastou nossas mulheres, mas será breve…. parabéns adorei seu blog.

Resposta
Luciane Bindes Março 6, 2017 at 9:23 am

Excelente matéria Vivian! Parabéns pelo seu trabalho de nos trazer informações e conhecimentos sobre esse país maravilhoso e seu povo! Abraço

Resposta
Vivian Kulpa Março 13, 2017 at 9:44 pm

Olá, Luciana!

De fato sou apaixonada pela Polônia, sua história e seu povo. Ainda tenho muito a aprender, pois é uma cultura riquíssima, mas é sempre um prazer aprender mais e compartilhar isso com vocês.

Muito obrigada pelo seu comentário, continue nos acompanhando!

Abs,
Vivian

Resposta
Irene Grockotzki Março 14, 2017 at 11:48 pm

Parabéns pelo texto. Informações e conhecimentos e muito bom serem compartilhados.

Resposta
Vivian Kulpa Março 15, 2017 at 5:12 pm

Olá, Irene

Para mim é sempre um prazer compartilhar o que tenho aprendido neste país incrível.

Muito obrigada pelo seu comentário! Continue nos acompanhando.

Abs,
Vivian

Resposta

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