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Peculiaridades de Nijmegen na Holanda

Peculiaridades de Nijmegen na Holanda.

Em setembro de 2018, me mudei de Columbus, nos EUA – uma cidade de quase um milhão de habitantes – para Nijmegen, na Holanda – com cerca de 170 mil habitantes. As diferenças culturais são tamanhas que me sinto como se tivesse me mudado para outro mundo!

Nijmegen – uma palavra que por si só já deixa os brasileiros pensando “meu senhor como se pronuncia isso” (algo do tipo “neimerren“) – é uma cidadezinha do interior da Holanda, na borda com a Alemanha. Para a Holanda, até que a cidade não é das menores. Mas a cidade não é uma típica cidade holandesa, como os próprios holandeses confirmam.

Nijmegen é a cidade mais antiga da Holanda, fundada em 5 depois de Cristo – ainda que, antes disto, pensa-se que já havia gente aqui. No centrinho da cidade você vai encontrar marcas de todos os tempos: ruínas romanas, pedaços de castelos medievais, prédios dos 1600s, prédios modernos – uma miscelânea do que sobrou depois do grande bombardeamento que a cidade sofreu durante a segunda guerra mundial e o que foi reconstruído.

Contudo, a atmosfera da cidade não é nada antiga ou tradicional. A população da cidade é bastante jovem devido a duas universidades na cidade, a Radboud Universiteit e a Hogeschool van Arnhem en Nijmegen (HAN) University of Applied Sciences. Portanto, a cidade é cheia de bares, restaurantes e festas – para quem curte a vida noturna, sempre tem alguma opção.

Como a cidade é na fronteira com a Alemanha – e na Alemanha tudo no geral é mais barato – muita gente (incluindo meu marido e eu) dirige cerca de 20 minutos para a nossa cidadezinha vizinha do outro lado da borda, Kleve, para fazer compras maiores. Quando queremos ver a própria Holanda, graças ao pequeno tamanho do país, os arredores oferecem ótimas opções: Arnhem, que fica a 15 minutos de trem daqui, Utrecht, a 1h de trem, e Amsterdam, 1h 30min daqui.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Holanda

Para se viver e trabalhar aqui, é muito importante falar holandês – ainda que praticamente todos falem inglês fluentemente. Eu e meu marido, que viemos sabendo nada de holandês, já estamos buscando aprender. Eu ainda trabalho 100% em inglês na universidade, mas para quaisquer outras profissões, não falar a língua significa que não há chance de conseguir um trabalho.

Em 2016, a cidade ganhou o prêmio de melhor cidade da Holanda para se andar de biclicleta. Para mim, este é um dos aspectos mais fantásticos da cidade: no trânsito, a prioridade é, em primeiro lugar, das bicicletas (em segundo, dos pedestres; em terceiro, dos ônibus e trens como transporte público; e, por último, dos carros). Além disso, todas as ruas têm pistas de bicicleta demarcadas – geralmente, por asfalto vermelho – e quando tal demarcação não existe, significa que a pista toda é para bicicletas (e os carros tem que dividi-la). Há estacionamentos para bicicleta por toda a cidade.

Em 2018, a cidade ganhou o prêmio de capital verde europeia devido aos seus esforços ambientais. Recentemente, tive a oportunidade de conversar com um vereador da cidade, Theo de Wit, sobre o assunto. Theo me contou que está muito orgulhoso da cidade, e que este era um prêmio bastante difícil de se ganhar.

“O que fez Nijmegen ganhar o prêmio é o seguinte: primeiro, reciclamos mais de 95% do lixo produzido na cidade. Segundo, estamos fazendo a transição de energia – ainda usamos muito gás natural, mas isto está com os dias contados. Já estamos construindo um parque de aerogeradores que vai sustentar a maior parte da cidade com energia eólica. O resto virá de energia solar. Tudo isso vai acontecer até 2020, se der tudo certo. Em terceiro, já faz alguns anos que colocamos no currículo escolar a questão da alimentação sem carne, que vai ajudar tanto na saúde das pessoas quanto no combate ao aquecimento global. A minha filha voltou da escola e disse que tinha virado vegetariana aos 12 anos.”

Não apenas as escolas já estão educando as crianças a ter uma alimentação mais baseada em vegetais, mas também a Universidade Radboud anunciou um grande passo nesta direção: todas as refeição passarão a ser vegetarianas por padrão na universidade – em um segundo momento, passarão a ser veganas. Se a pessoa quiser carne (ou produtos de origem animal), ela vai ter que pedir explicitamente por isso.

Por fim, uma das características mais peculiares da cidade são os próprios holandeses aqui nascidos. Tantos deles já me disseram que a cidade é, aos olhos do resto da Holanda, “ultra liberal e progressista, um tanto rebelde, muito ambientalista, uma paraíso da esquerda”. Eles se orgulham e dizem que não gostariam de morar em regiões mais conservadoras da Holanda. O interessante é que Nijmegen é uma cidade pequena do interior – não uma Amsterdam! Contudo, basta olhar para o resultado das eleições passadas para se confirmar a perspectiva das pessoas locais.

Pedi a Theo durante o papo que tivemos se ele poderia me indicar um político colega dele um pouco mais conservador, de preferência cético quanto ao aquecimento global, pois eu gostaria de conversar com alguém com visão diferente da minha para entender como pensa a pessoa. “Ah, aqui em Nijmegen você não vai encontrar ninguém assim não”, ele me respondeu.

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