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Condições de trabalho como pesquisadora na Holanda

Condições de trabalho como pesquisadora na Holanda.

Acabo de me mudar dos Estados Unidos para a Holanda para trabalhar como pesquisadora (postdoc) no departamento de microbiologia da Universidade Radboud, na cidade de Nijmegen. Neste texto relato os termos do meu contrato e como funcionarão salário, férias, impostos e outras questões trabalhistas para você que também está pensando em trabalhar aqui saber!

Duração do contrato

Meu contrato é de 6 anos, o período máximo que alguém pode ser contratado como postdoc na Holanda. Essa duração foi negociada entre meu orientador e eu, e significa que tenho este emprego garantido pelos próximos 6 anos, mas que posso decidir sair quando eu quiser. Existiu um período inicial de 2 meses em que eu poderia ter sido despedida sem obrigações trabalhistas, e agora que este período passou, eles precisam me manter!

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Horas e dias de trabalho semanais e cálculo das férias

Consta no meu contrato que fui empregada na modalidade 38 plus, que funciona da seguinte forma: trabalharei 38 horas semanais pagas e 2h não pagas (40h no total). Na Holanda, para cada hora trabalhada, ganha-se tempo de férias. Como eu vou trabalhar 2h não pagas por semana, terei férias extras.

As 38 horas semanais pagas me dão 232 horas de férias por ano, e as 2h não pagas me dão 96 horas extra de férias por ano. Isso soma 328 horas de férias. Cada dia de férias requer que eu gaste 8 dessas horas; portanto, tenho 41 dias de férias por ano, o que não inclui os feriados públicos de Nijmegen (dias em que todos nós não precisamos trabalhar e que não consomem as nossas horas de férias).

Em 2018, os feriados públicos foram/serão: Ano-Novo (1 de janeiro), a sexta-feira de páscoa (30 de março), e segunda-feira de páscoa (2 de abril), o dia do rei (27 de abril), o dia da ascensão (10 de maio), dia de pentecostes (21 de maio), a sexta-feira de tarde das Marchas Internacionais de Quatro Dias em Nijmegen (20 de julho), e os dias de Natal (25 e 26 de dezembro). Há outros dias de feriado em que precisarei usar minhas horas de férias para pegar folga (por exemplo, entre o Natal e Ano-Novo).

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Se eu decidir não usar todas as minhas horas de férias do ano, posso carregar até 80h para o ano seguinte – o resto eu perderia. Quando quero tirar dias de férias, eu aviso o RH no sistema da universidade e eles vão descontando horas e contabilizando o quanto ainda tenho. Quando comecei a trabalhar, o sistema já colocou todas as horas que eu tinha para este ano, e eu já tirei alguns dias de férias ainda no segundo mês aqui – ao contrário de muitos empregos no Brasil em que é preciso esperar o primeiro ano para tirar férias.

Consta também no meu contrato que darei aula 10% do meu tempo e farei pesquisa 90% do meu tempo (para tarefas administrativas, a proporção ficou 0%), mas que posso renegociar essa proporção. Os dias na semana em que trabalharei estão como de segunda a sexta – isso está escrito no contrato porque na Holanda é muito comum as pessoas trabalharem 4 ou 3 dias da semana, e aí estes dias são especificados.

Finalmente, consta que posso ter que trabalhar em horas não sociais (tais como finais de semana e à noite) por causa de experimentos, o que é muito comum na ciência. O bom da Holanda é que se respeita muito o tempo de trabalho: se sou contratada para fazer 40 horas semanais, não passará disso – e tenho uma certa flexibilidade nas horas de trabalho.

Salário, bônus e impostos

A universidade tem uma tabela com todos os salários brutos de cada cargo (o maior salário não passa de 10 mil Euros por mês). De acordo com a minha experiência, caí na escala 10, categoria 4, o que me dá 3.173 Euros de salário bruto. No dia em que eu fechar 1 ano de trabalho, entro na categoria 5 e tenho um aumento de 130 Euros mensais – a subida de categoria e salário acontecerá todo ano. A universidade me pagou também quase 5 mil Euros como reembolso de custos de mudança (preço da minha passagem aérea + 12% do meu salário bruto anual).

No mês de maio entra um dinheiro extra chamado Holiday Allowance (8% do salário bruto anual), e no final do ano entra o End-of-year bonus, que é como um décimo terceiro (8.3% do salário bruto anual), mas 50% desse dinheiro virará pagamento de imposto. O imposto de renda é 33% do salário bruto. Contudo, peguei a lei dos 30%, ou seja, 30% do meu salário é livre de impostos por 5 anos porque vim do exterior para trabalhar aqui como mão de obra especializada, dentre outros critérios. Ainda sou obrigada a colocar por mês 190 no fundo de aposentadoria e pagar 110 pelo plano de saúde. Portanto, meu salário líquido fica em torno de 2 mil Euros por mês.

Cultura de trabalho e atualidades

Uma das maiores razões pelas quais eu escolhi a Holanda e este laboratório em particular foi a cultura de trabalho. Aqui, trabalhar longas horas, não ter férias e não ter vida fora do trabalho é muito mal visto (ao contrário dos Estados Unidos, onde eu estava antes). As pessoas do meu laboratório chegam às 9h e saem às 17h. Às 10h e às 15h há uma pausa de 30 minutos para um cafezinho, e às 12h todos almoçam juntos por uma hora.

Somos um grupo de mais de 50 pessoas entre estudantes de bacharelado, mestrado e doutorado, postdocs, técnicos e professores, e colaboramos muito uns com os outros. As pessoas adoram falar das próximas viagens que farão, do tempo que passam com os amigos e a família, e das atividades de lazer do final de semana.

Contudo, os holandeses contam que a pressão para produzir e dar aula cada vez mais e com menos custos vem aumentando muito – eles dizem que as universidades estão se tornando empresas. O governo tem cortado fundos para a educação superior pelos últimos 15 anos, e isso afetou a qualidade da educação e da vida de funcionários, professores e estudantes. Por isso, temos tido diversos protestos na nossa universidade e em universidades do país todo pedindo pelo fim dos cortes e pela “descomercialização” das universidades. O meu laboratório esteve presente, claro!

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6 comentários

Joana Fontes Patino Novembro 20, 2018 at 10:45 am

Olá Paula, obrigada pelas informações compartilhadas.
Gostaria de saber se ao aceitar uma proposta de trabalho (PHD) para a Universidade de Groeninger, é possível solicitar reunião familiar para o meu marido e se ele tem direito de trabalhar também.
Obrigada!

Resposta
Paula Dalcin Martins Novembro 22, 2018 at 7:34 am

Oi Joana,

Acho que sim! Eu pude trazer meu marido e ele pode trabalhar! Já aviso que vai precisar de holandês – o meu ta super estudando agora porque todas as vagas requerem a língua.

Paula

Resposta
Juliana Viana Dezembro 2, 2018 at 12:09 pm

Oi Paula!
Tem muito tempo que eu não comento nas suas postagens, mas saiba que estou sempre aqui lendo todas. Como sempre esse post foi super completo e muito útil, obrigada pelas informações e sucesso nessa nova caminhada.
Abraços!

Resposta
Paula Dalcin Martins Dezembro 6, 2018 at 7:07 am

Oi Juliana,
Bom saber! Um brande abraço!
Paula

Resposta
Renata Dezembro 8, 2018 at 6:17 pm

Oii Paula, tudo bem??
Sempre tive muita vontade de morar na holanda (estudar, trabalhar) e estou me formando em engenharia de alimentos com um “pézinho” nas micro da vida.
Vi na sua postagem onde você diz que alguns estudantes trabalham com você, eu gostaria de saber se estes são estudantes da universidade e trabalham na própria universidade ou se há alguns os quais só trabalham (não estudam nela).
Obrigada!! (Dankjewel :D)

Resposta
Jeciane De Jesus Lago Abril 25, 2019 at 12:06 pm

Oi, Paula!!
Como vai?
Te acompanho há um bom tempo, mas semestre passado foi o último da faculdade e ainda meio sumida daqui rs
Muito interessante o esquema de trabalho da Holanda!
Obrigada por compartilhar 😘

Resposta

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