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Por que Pokhara merece destaque na viagem ao Nepal?

Por que Pokhara merece destaque na viagem ao Nepal?

Uma estrada estreita e sinuosa separa Kathmandu, capital do Nepal, de Pokhara. O percurso é curto, tem cerca de 200 quilômetros, mas como o caminho é feito entre as montanhas, a viagem de ônibus ou de carro dura aproximadamente oito horas. Existe a opção de pegar um voo e chegar em menos de uma hora, mas eu sou do tipo de viajante que transforma cada passo em aventura, em possibilidade de conhecer a realidade local e de passear. Muitas vezes me meto em furadas, é verdade. Mas eu tinha a intuição de que a viagem de ônibus valeria cada minuto. E estava certa. 

Primeiro por causa do ônibus. Não é novo, mas também não está caindo aos pedaços. Tem umas cortinas na janela com franjas em tecido acetinado e ventiladores em cima de cada dupla de assentos. Como eu estive no Nepal ainda no inverno, não precisei ligá-los – e agradeci por isso, porque tive a impressão de que não viam um pano de limpeza havia um bom tempo! A gente mal sai de Kathmandu e já faz a primeira parada. É o pit stop pra ir ao banheiro – que não está em boas condições. Por isso, um conselho: tente se organizar pra não precisar ir ao banheiro durante a viagem. É possível, eu garanto! E assim você aproveita as paradas pra admirar a vista- que é de perder o fôlego! A estrada fica bem na beira das montanhas e a gente vê os vales inteiros, as casinhas pequenas nas minúsculas vilas e as plantações de arroz. 

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Oito horas depois, você chega à rodoviária de Pokhara e dá de cara com um dos maiores tesouros da cidade: a vista para o Monte Annapurna, que faz parte da cadeia dos Himalaias. É uma das coisas mais lindas que já vi na vida, me deixou boquiaberta e pensando em como a natureza é grande e generosa – e em como eu era privilegiada em testemunhar tudo aquilo!

Vista de dentro do ônibus para a cadeia dos Himalaias. Acervo pessoal.

Normalmente os turistas se hospedam na região que fica perto do lago Phewa, que é a parte mais charmosa da cidade, com melhor infraestrutura e simplesmente adorável! O lago é margeado por montanhas e fica cheio de canoas de madeira coloridas, usadas nos passeios até um templo que fica bem no meio desse lago; e também até a outra margem que dá acesso à montanha onde fica a Estupa pela Paz Mundial- uma construção branca, com Budas dourados, criada para inspirar a cultura da paz pelo mundo. Ela fica no topo e a subida leva uns 50 minutos, a pé, por uma trilha de pedras no meio da natureza. Vale a pena! 

Detalhe de um dos Budas da Estupa pela Paz. Acervo pessoal.

Mas voltando à outra margem do lago, onde fica a cidade, a gente caminha e passa por restaurantes, cafés, lojinhas de produtos feitos no Nepal e começa a ter contato com o jeito adorável das pessoas dali. Como fiquei muitos dias, acabei frequentando os mesmos lugares, passando pelas mesmas ruas e encontrando os mesmos rostos. Foi o meu maior presente porque tanto eu, quanto os moradores, começamos a nos sentir mais próximos e a ter uma troca mais profunda. Eu chegava em um café, por exemplo, e a conversa que inicialmente ficava apenas no “bom dia”, “por favor” e “obrigada” passou pra perguntas sobre a minha profissão, a vida no Brasil, a minha viagem anterior pela Índia… e eu também me senti mais confortável para perguntar a respeito do dia a dia na cidade, no Nepal, sobre a cultura e o sistema de castas, que apesar de ter sido banido, em teoria, do país, ainda é muito presente na vida dos nepaleses. Além das conversas, fui sendo presenteada com gentilezas. Eu pedia uma salada de frutas com iogurte e granola e ganhava uma pequena porção de mel. Pedia um cappuccino e ganhava um biscoito. Passava pela loja de echarpes e era convidada para entrar e tomar um chá com o vendedor, só pra gente poder bater papo. Na minha pousada, ganhei a simpatia de um hóspede que é amigo da família que cuida do lugar e sempre se hospeda ali. Toda manhã, eles tomavam o café juntos e eu passei a fazer parte do ritual. Houve dias em que passamos mais de três horas conversando em um inglês improvisado, com muitas mímicas e ajuda do tradutor. Foram momentos preciosos, de muito acolhimento e troca de afeto, só possíveis graças à confiança que o tempo vai construindo. 

Foram essas pessoas que me contaram das comunidades de tibetanos refugiados em Pokhara. Existem três, eu visitei duas e pude conhecer as famílias que saíram do Tibet na época da invasão chinesa, em 1950. Nem todo mundo fala inglês, mas a gente consegue se comunicar e pode passear pelas vendas de artesanato tibetano, almoçar em um restaurante típico e visitar a fábrica de tapetes, que são uma maravilha! Existem muitos pacotes turísticos, de um dia, que fazem essa visita. Eu preferi ir por conta própria e foi muito fácil pegar um ônibus na região do lago até lá, principalmente porque tem sempre alguém pra ajudar. É estranho falar em campos de refugiados, porque eles não se parecem em nada com a imagem que a gente tem de lugares assim. São áreas que se tornaram bairros bem organizados, com casas, lojas, restaurantes e monastérios. Em um deles, eu cheguei a tempo de participar de uma cerimônia budista tibetana, com os monges entoando os mantras, dentro do templo. É lindo e traz muita paz. 

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Por fim, existem as trilhas nos Himalaias, que é o que leva os turistas até Pokhara, que se tornou uma espécie de cidade-base para o trekking no Nepal. Eu acabei não fazendo – embora tenha agendado uma – porque tive uma tonteira na noite anterior. Como a região é mais alta, isso pode acontecer, então talvez seja interessante chegar com alguns dias de antecedência e dar tempo para o corpo se acostumar. Acabei deixando a história da trilha de lado, pois fiquei completamente envolvida com a rotina deliciosa na cidade – e não me arrependi. Então, se valer o conselho, acho que pode ser precioso reservar alguns dias para aproveitar Pokhara, sem a obrigação de ter que fazer turismo. Apenas se dar um tempo para relaxar e se tornar um rosto conhecido pelas ruas da cidade. É a partir daí que a mágica acontece, que as pessoas começam a se abrir e a gente então descobre que está cercado por pessoas preciosas. 

Ah, e caso você esteja se perguntando, a pronúncia correta é Pokhará. Já pode incluir no roteiro de viagem! 

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2 comentários

Thais Canevari Dezembro 20, 2018 at 1:30 pm

Amei o seu relato sobre Pokhara. Me mudei para está cidade linda há 3 meses e gosto bastante daqui. E sem dúvida a vista das montanhas é a coisa mais linda que eu já vi.

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Marina Mazzoni Dezembro 20, 2018 at 5:58 pm

Oi, Thais. Nossa, fico muito feliz em saber que gostou, porque Pokhara me encantou de verdade! Imagino a experiência incrível que está vivendo! Quem sabe ainda nos encontramos por aí? 🙂

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