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    Home»Discriminação Pelo Mundo»Preconceito nos Estados Unidos
    Discriminação Pelo Mundo

    Preconceito nos Estados Unidos

    Carleara WeissBy Carleara WeissOctober 15, 2019No Comments5 Mins Read
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    Photo by Hannah Busing on Unsplash
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    Este texto fala sobre preconceito nos Estados Unidos.

    Escrevi sobre racismo e preconceito nos EUA, compartilhando minha experiência como mulher negra latina e imigrante em um ambiente profissional e social dominado por brancos. Ser alvo de comentários e atitudes racistas é extremamente difícil. Dói na alma e só quem vive, sabe.

    Porém, é preciso fazer o exercício reverso e se questionar sobre nossos próprios preconceitos e estereótipos que machucam o outro. Deixo claro que não me refiro a racismo reverso quando convido a fazer esse exercício, até porque, racismo reverso não existe.

    Leia também: Racismo e preconceito nos Estados Unidos 

    Será que sou preconceituosa?

    Ser vítima de preconceito é uma coisa terrível, mas será que nós também somos preconceituosos? Infelizmente, sim, nós somos preconceituosos. E a vida de expatriada esfrega essa verdade na nossa cara constantemente. 

    Uma explicação para nosso preconceito no Brasil é a nossa relação com imigrantes e refugiados. Apesar do movimento ter crescido recentemente entre os anos 2010 e 2012, o percentual de imigrantes no Brasil ainda é pequeno se comparado aos Estados Unidos. De forma geral, crescemos sem muito contato com outras culturas, a não ser a herança de nossos antepassados com uma forte colonização europeia e mensagem subliminar que tudo europeu é melhor. Isso perpetua os padrões eurocêntricos de beleza, por exemplo.

    Mas, e os outros países e etnias, como ficam? Minha compreensão é que certos estereótipos demonizam o outro considerado diferente. Quem nunca ouviu dizer que índio é preguiçoso, que asiático enxerga mal, como se fosse uma piada? Nem precisa ir tão longe: piadas com nordestinos são constantes e vergonhas.

    Pois bem, a gente cresce no Brasil ouvindo isso e vivenciando situações que perpetuam esses estereótipos sem perceber o que estamos fazendo. Daí a cabeça dá um nó quando saímos do país. Isso é ainda pior quando moramos em um lugar que perpetua preconceitos, como os EUA.

    Você pode pensar que nem todo estereótipo é ruim. Por exemplo: dizer que asiático é super inteligente parece algo inofensivo. Minha dica é – pergunte a um asiático. Da mesma forma, dizer que francês não gosta de banho também parece inofensivo (aliás, isso é estereótipo, mas não é racismo). Digamos o seguinte – o que fere a existência não é reproduzir esse estereótipo como piada e, sim, as consequências desse tipo de pensamento. Nunca vi um francês perder emprego por conta da falta de banho, muito pelo contrário, vejo serem idolatrados pelos perfumes maravilhosos que criam. Por outro lado, já pensou em quantos indígenas perdem emprego pela fama de preguiçoso, ou quantos negros são tolhidos na ciência e academia por conta do estereótipo de que negro é burro e só serve para trabalho braçal.

    Preconceito e imigração

    Ser imigrante escancarou essas questões do preconceito e estereótipo de uma forma descomunal, apesar de minha consciência sobre esses problemas ter sido formada no Brasil. Atualmente, moro em uma cidade que atrai pessoas do mundo inteiro devido à universidade e oportunidades de trabalho. Além disso, temos a vantagem de estarmos no estado de Nova Iorque, porém, próximos do Canadá, o que atrai turistas o ano inteiro.

    É fácil encontrar pessoas de todo o mundo aqui em Buffalo. Indianos, chineses, taiwaneses, cubanos, dominicanos, russos, suecos, alemães, franceses, australianos. Perdi as contas de quantas vezes meus paradigmas mudaram e meus preconceitos/estereótipos foram quebrados. Encontrei mais semelhanças do que diferenças no convívio de povos que eu erroneamente julgava diferentes. Estou aprendendo muito com eles sobre essas piadas de mal gosto e ensinado que mulher brasileira não é só bunda de samba.

    Ter essa experiência internacional no trabalho também me alertou para a falta diversidade na minha vida pessoal. Os ambientes que frequento são dominados por brancos. Restaurantes, igreja, supermercado, até o bairro onde eu moro. É um problema do racismo estrutural dos EUA, pergunto o que estamos fazendo para diminuir isso.

    Leia também: Tudo que você precisa saber para morar nos EUA

    Nós, brasileiros, frutos de uma grande mistura de povos, temos a oportunidade de entrar em vários lugares. Peço que você, imigrante brasileira branca, parda, asiática, negra ou indígena não se restrinja aos ambientes onde a diversidade não é bem recebida. Ninguém é obrigada a ser militante, nem tem que fazer uma lista de etnias e forçar amizade para parecer legal. Mas vale a pena o exercício de pensar “será que eu sou racista?” quando estiver na rodinha de amigos fazendo piada de negro ou asiático. Mesmo que não seja você falando, o seu silêncio perpetua o problema. Seja humano e empático. Lembro perfeitamente de conversar com um colega brasileiro moreno que estava revoltado porque disseram que ele não era branco. Ele me disse “imagina ser preto aqui nos EUA, tô ferrado”. Eu disse “bem-vindo ao clube”. Às vezes a empatia só acontece quando sentimos na pele.

    Ser imigrante tem sido um experiência única para crescimento profissional, porém o crescimento pessoal é a maior conquista, sem dúvida. Peço que você expatriada questione-se o porquê de não haver diversidade no seu ciclo de amigos, na sua igreja ou no seu trabalho. Questiona-se porque com essa mistura tão linda que somos no Brasil, a maioria dos imigrantes brasileiros nos EUA são brancos. E se você, imigrante brasileira já se sentiu inferiorizada simplesmente por ser imigrante, lembre-se de que os negros, indígenas e asiáticos vivem isso todo dia, por isso, exerça a empatia. Somos todos iguais!

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    Carleara Weiss
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    Carleara é “carioca” de Miracema. Feminista, bailarina, pianista e cientista. Enfermeira com Bacharelado e Mestrado pela UFF aonde também atuou como professora nos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem entre 2007 e 2013. É doutora em Medicina do Sono e Chronobiologia pela State University of New York at Buffalo, aonde trabalha com pesquisa clínica e experimental. É fundadora e CEO da BRASCON – Brazilian Students and Scholars Conference cuja missão é oferecer networking e desenvolvimento profissional para cientistas brasileiros no exterior. Contato: carleara@brasconference.org

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