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Abu-Dhabi Entrevistas

Profissões pelo mundo – Empresária em Abu Dhabi

Hoje o Brasileiras pelo Mundo entrevista a Lilian Joumah uma brasileira de São Paulo que morou por algum tempo em em Aman, Jordânia e esta morando há 8 anos nos Emirados Árabes Unidos.  Ex -bancária, é mãe de 3 filhos e casada há 16 anos com um jordaniano de origem palestina, nascido na Arábia Saudita. Hoje é empresária, empreendedora de sucesso em Abu Dhabi e idealizadora do Shawarma Time; o melhor shawarma dos EAU com um sabor brasileiro. 

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Fotos: Lilian Joumah

BPM- Como você chegou a Abu Dhabi?

Lilian– Vim com a família, em busca de melhores oportunidades de trabalho e estilo de vida. Moramos em Abu Dhabi desde 2008, onde somos muito felizes.

BPM- Como surgiu a ideia de criar o Shawarma Time?

Lilian– Meu marido e eu sempre tivemos um espírito de empreendedor e já na Jordânia possuímos um restaurante na cidade de Irbid o qual vendemos, devido as limitações econômicas e de mercado daquela região. Costumamos contar que nossa estória começou quando éramos quatro profissionais;  meu marido e eu juntos com um casal formado por um libanês  e uma iraquiana como nossos sócios. Estávamos sentados em um restaurante tentando decidir o que pedir para comer e lembro que  entre nós um queria algo saboroso, outro queria algo saudável, um preferia algo mais rápido e alguém estava com vontade de comer shawarma. E foi assim que tudo começou. Tivemos a ideia que você pode ter uma refeição que seja rápida, saborosa, interessante e saudável. Tudo em uma só! E assim nasceu o Shawarma Time.

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Vários tipos de shawarma. Fotos: Lilian Joumah

BPM- Desde o início você pensou em unir a culinária brasileira e árabe ou foi uma fusão, que aconteceu ao acaso? Como foi a receptividade?

Lilian– Sim, foi desde o início; pois queríamos criar refeições que fossem inovadoras e ainda relacionadas com shawarma. Fizemos vários encontros de brasileiros em minha própria residência antes de abrir o restaurante, para testar o sabor dos lanches e para também, ouvir a opinião do público brasileiro e saber como eles gostariam de preparar o seu. Daí nasceu a idéia de rechearmos os pães de queijo, as coxinhas e bolinhos de carne com shawarma e agora recentemente os pastéis. A receptividade tem sido bem calorosa. O número de brasileiros imigrando a Abu Dhabi tem crescido a cada ano e com ela a saudade daqueles petiscos gostosos brasileiros.

 

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A grande estrela: Shawarma de picanha. Fotos: Lilian Joumah
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Pão de queijo com recheio de shawarma. Fotos: Lilian Joumah

BPM -Qual a sua formação profissional? Você precisou fazer alguma especialização ou curso para administrar o seu negócio?

Lilian– Sou formada em Comunicação de massa com pós graduação em Marketing e quase completei meu MBA pela Universidade de Cumbria, UK. Sim, tenho feito várias especializações no ramo de alimentação e gerenciamento de restaurantes. Esta é uma área bem específica e requer bastante especialização e experiência para evitar erros e prejuízos.

BPM-Como é ser empresaria nos Emirados Árabes Unidos sendo mulher? Você sentiu algum tipo de preconceito ou resistência?

Lilian– É maravilhoso! Sempre fui muito bem recebida, por todas as partes com as quais lido no meu dia a dia de trabalho. Como no Brasil, devo traçar uma linha vermelha limite, enquanto estabeleço uma relação profissional com alguém para que saibam que estou aqui para trabalho, e só. Também percebo que admiram minhas idéias, meu país, minha formação e o fato de ter aprendido a língua árabe os deixam honrados. Preconceito, não sinto; ainda que algumas vezes tenha reparado em uma ou outra pessoa. Acredito que num país como os Emirados, com tantas nacionalidades vivendo ao nosso redor, temos mais oportunidades de conquistar nosso espaço como mulheres profissionais. Quando trabalhava em bancos nos Emirados recebia muito incentivo por parte da diretoria, para crescer uma mulher como líder em seu estabelecimento. É algo em que o governo local incentiva.

BPM-   Como é a sua rotina. A que horas começa a trabalhar e qual é a sua carga horária?

Lilian– Acordo às 7 ou 8 da manhã, tomo meu café da manhã o qual prezo bastante, faço meu planejamento para o dia e começo a trabalhar. Por volta do meio dia vou ao restaurante e acompanho o movimento, prestando atenção em tudo e tomando nota para aperfeiçoamentos e melhorias, bem como interagindo com os clientes e fornecedores, além de funcionários. Eles precisam dessa atenção. Às 15h retorno a minha residência para receber as crianças da escola e me preparar para seus afazeres escolares. Muitas vezes tenho que voltar ao restaurante ou sair de casa para comprar alguma coisa ou preparar algo para o mesmo. Minha carga horária é de no mínimo 14 horas.

BPM-Como você concilia a vida de mãe e profissional em uma cultura diferente do Brasil ?

Lilian -É fácil. A mãe e profissional brasileira vivendo fora do país tem que ter uma cabeça aberta para aceitar diferentes pontos de vista, diferentes comportamentos e diferentes rotinas. É aprender que não há apenas um certo para tudo, mas ás vezes dois ou três maneiras corretas de se resolver um assunto ou de pensar sobre algo. O importante é nunca julgar e sempre tentar entender o porquê  a outra pessoa se comportou daquela maneira. Daí encontramos a paz e felicidade, mesmo tendo que adaptar nossos costumes e dos nossos filhos a um ambiente diferente; porém tão própria para se viver quanto em nosso país. Todo lugar no mundo tem seu lado bom e ruim, é só trabalharmos para aceitar e melhorar o lado ruim e tirar o máximo proveito do que o lado bom tem a oferecer.

BPM- Quais os conselhos  você daria a outras brasileiras que gostariam de ter o seu próprio negócio nos Emirados Árabes Unidos.

Lilian– Coragem, perseverança, dedicação e um grande apetite para investir e aceitar riscos. Aprender de tudo o que aparecer pela frente. O conhecimento é a única coisa que ninguém pode tirar de nós. Tirar proveito da bondade e simplicidade do povo local árabe ao invés de querer transformá-los. Amar sua cultura, comportamento e opiniões, e ajudá-los a construir um país melhor. Afinal, para muitos de nós esta se tornou a nossa nação.

 

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