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Quarentena em Cuba e Panamá

Quarentena em Cuba e Panamá.

Quando a pandemia começou eu ainda morava em Havana, tinha acabado de voltar de uma viagem aos EUA, onde conheci Nova York, Washington, Filadélfia e Flórida, e tive um choque de contrastes de sociedades muito distintas.

A meca do socialismo e a meca do capitalismo fizeram minha cabeça explodir. Eu ainda estava assimilando tudo quando voltei a Havana, a vida seguia o cotidiano do antigo ¨normal¨.

Até que virou tudo. Foi muito rápido: começaram a chegar turistas com Covid-19 e Cuba decidiu fechar fronteiras, aeroporto, todos os hotéis e mandar todos os 60 mil turistas que estavam na ilha de volta pra casa. 

Quarentena em Cuba

A quarentena chegou em Havana de uma forma muito brusca. De repente estávamos presos e com muito medo do que poderia acontecer.

Estávamos todos guardadinhos em nossas casas, a música, o barulho e a alegria tão presentes no cotidiano da cidade desapareceu. A cidade ficou silenciosa.

A rotina era estar atento ao noticiário da noite, onde ficávamos sabendo todas as medidas que deveríamos seguir diante dessa nova realidade.

Passei a receber visita médica que passava na minha porta de casa, diariamente. Me perguntava como eu e eu esposo estávamos nos sentindo e dava orientações. A rotina de abastecimento mudou e ficou bem mais difícil.

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Era mais difícil entrar nos supermercados pela quantidade de gente nas filas, maior controle sobre tudo; entrada, saída, estar atentos à hora do lockdown.

Também não tínhamos mais transporte urbano. Não podíamos ir à praia, nem à piscina, nem shows, nem bares e restaurantes, nem teatros, nem cinema, enfim, não existia mais o lazer.

Mas ainda podíamos circular durante o dia para fazer compras com a obrigatoriedade da máscara e do distanciamento.

Visita médica diária na porta de nossa casa em Havana
Visita médica diária na porta de nossa casa em Havana

Em Havana, o fantasma do Covid-19 parecia mais distante porque não era um número muito alto e tinha baixa mortalidade. Tínhamos um medo danado testar positivo e chegar uma ambulância para nos levar ao centro de isolamento para pacientes com Covid-19.

Não tinha choro nem vela, se você tivesse sido diagnosticado ou tivesse tido contato com alguém suspeito, era levado.

Quem estava contaminado não poderia ficar em casa, todos eram isolados. E assim eram levados os casos suspeitos junto com as pessoas que poderiam ter o vírus por terem tido contato.

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A estadia durava 14 dias ou mais, realizando dois testes de prova para confirmar ou não, e, se fosse o caso, manter a internação. Totalmente isolados da família, amigos e companheiros de vida.

Eu tinha muito medo de ficar sozinha, isolada em um lugar desconhecido, sem o meu esposo e sem minhas amigas que eram minha rede de apoio em Havana. E assim, foi quase o ano todo.

No mês de novembro de 2020 já estavam flexibilizando as restrições e eu pude me despedir da cidade e dos amigos, pois já tinha um novo destino como morada.

Fiz reuniões muito maravilhosas em vários lugares de Havana que ficarão no meu coração e tive várias despedidas lindas com amigas que fazem parte da minha aldeia no mundo.

Nós sempre de máscara e seguindo todas as orientações de prevenção. 

Quarentena no Panamá

No Panamá foi bem diferente, cheguei em terras panamenhas na metade do mês de novembro.

No aeroporto já foi um stress com uma fila imensa para realizar o teste para o Covid-19. Foi angustiante realizar o exame e a espera pelo resultado.

Ficamos parados observando a senhora que entrega o resultado gritando: “Fulano de tal, negativo”. Como uma espécie de tortura psicológica, se der positivo ela vai gritar também, a pessoa não poderá entrar no país ou vai sair direto de ambulância para um hotel ou hospital estatal.

Nunca havia passado por uma espera tão estressante, essa pandemia torna a realidade surreal.

Pronto, estávamos negativos e conseguimos entrar normalmente no país. A maioria dos hotéis estavam fechados, a cidade quieta, pouca gente na rua.

Os shoppings estavam abertos, mas cassinos fechados, bares e restaurantes funcionando até às 11 da noite. Havia um monte de protocolos de higienização, a vida parecia que seguia o seu ¨novo normal¨.

Até chegar dezembro e mudar tudo, uma nova onda de Covid-19 e uma nova quarentena. 

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A quarentena panamenha começou antes das festas de final de ano, várias medidas foram anunciadas pelo governo no noticiário da noite, mas já circulavam várias fofocas pelo WhatsApp.

As medidas eram lockdown a partir das 19 horas, saídas separadas por gênero em diferentes dias para supermercado, shopping, farmácia.

Separar dias para homens e mulheres fazerem compras foi uma surpresa pra mim, isso não acontecia em Havana.

Os grupos dos chats já estavam em polvorosa com o receio de mais restrições, em vista que já haviam marcado o Réveillon em várias praias lindas daqui.

Um pouco antes do Natal foram anunciadas mais restrições, fechamento de praias e ilhas, proibição de viagens entre cidades, cordões de contenção e policiamento para evitar furos de quarentena.

Além disso, houve uma restrição maior de horas de saída para 2 horas com a definição do seu horário de permissão dado pelo último número da sua cédula de identidade ou passaporte.

Outra restrição anunciada foi a continuação da separação por gênero para compras, só supermercado e farmácias abertos, e quarentena total nos dias referentes ao Natal e Ano Novo – ninguém poderia sair de casa.

Quarentena em Cuba e Panamá

Em Havana tudo estava bem tranquilo. Controlado o número de casos, as taxas de mortalidade, o mapeamento dos focos de Covid-19, e hospitais e médicos disponíveis para chegada de mais pacientes.

Já aqui no Panamá é o contrário: o governo tenta correr atrás do prejuízo e controlar a situação, existem muitos casos, muitas mortes e hospitais lotados, a tríade catastrófica. 

Ao sair para as compras de Natal e Ano Novo notei um ar de tensão pelo lockdown total. Não se via muita empolgação com as compras de presentes ou coisas do tipo.

A preocupação era se abastecer. Não existia um clima natalino, os enfeites estavam presentes, mas a atitude era outra.

Todos fechados em casa e a programação da televisão mostrava programas especiais de cantatas e ballets sem público.

O Ano Novo foi igual. F03oi impedida a queima de fogos na orla para não haver aglomeração, se escutou e notava no céu alguns poucos fogos para celebrar a passagem e depois voltar ao silêncio gerado por essa pandemia interminável.

Viramos o ano e a expectativa continua, no final do mês de janeiro chegam as vacinas e já começa o cadastramento para receber a dose. Prossigo com a esperança que dias melhores virão.

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