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Transporte urbano no México

Locomover-se em uma cidade grande não é tarefa fácil. Elas são geralmente marcadas pelo trânsito caótico, insegurança e acesso não muito facilitado, e na Cidade do México não é diferente. Mas, morando 12 anos em São Paulo, acho que me preparei para o caos, né?

Quando cheguei na Cidade do México, ao contrário do que muitas notícias e pessoas que conheciam este populoso lugar diziam, não achei que era tudo isso. Há trânsito? Há sim senhor. Mas não é aquela coisa louca que acontece em São Paulo quando por exemplo há um acidente na Marginal Pinheiros e você não consegue cruzar a ponte do seu bairro por conta disso. Aqui flui mais.

Domingo tranquilo na Avenida Paseo de la Reforma, que fecha parte como ciclovia neste dia.
Domingo tranquilo na Avenida Paseo de la Reforma, que fecha parte como ciclovia neste dia.

Nos últimos 10 anos o número de veículos na região metropolitana cresceu de 3.5 mi para 6.8 mi (fonte FIMEVIC), um fenômeno que anteriormente se tardou 25 anos para ocorrer foi totalmente inflado na última década. Mas mesmo com tantos veículos, como eu disse, o trânsito flui, pois a cidade além de populosa é gigantesca geograficamente. E por ainda não existirem muitas construções altas, é possível ver no horizonte uma cidade quase sem fim, limitada por uma montanha, quando há.

O que faz o trânsito ruim por aqui são, com todo o respeito que já tenho por este país, os péssimos motoristas. Não há regras: quer entrar na contramão ou estacionar onde não é permitido? Ligue o pisca alerta e está tudo certo. Seta? Desconfio que não conheçam o recurso. Manter-se na sua faixa também não é necessário – zigue zague está liberado! Brincadeiras à parte, tudo isso se deve ao sistema de liberação de licenças para conduzir por aqui: a minha eu comprei no mercado. E não, eu não fiz nada de ilegal. Há um orgão do governo dentro da rede de supermercados Mega Comercial Mexicana para liberar este documento, e você só paga $700 pesos por isso. No caixa do mercado. Isso, junto com suas compras. Depois é só apresentar o comprovante do pagamento, um documento de identificação, o comprovante de residência e tirar uma foto neste balcão do governo (repito, dentro do supermercado) e pronto, você já está “apto” a conduzir! E isso se aplica para locais e para estrangeiros. O governo está repensando o processo, mas aqui na Cidade do México ainda não há nada parecido com o Brasil, como provas teóricas, práticas e teste psicotécnico. E sério, agora sinto até orgulho de ter sido aprovada no Detran! (risos).

Felizmente, optamos e conseguimos morar perto do trabalho por aqui, então as 2h diárias de ida e volta da Vila Andrade para o Brooklin Paulista ou Alto de Pinheiros ficaram para trás, e hoje o tempo de deslocamento para chegar no trabalho não passa de 10 minutos. E finalmente consegui me livrar do carro (o meu próprio) e introduzir a bicicleta na minha rotina. Ainda não vou para o trabalho pedalando pois como atendo outros países entro bem cedo (entre 5h e 7h da manhã), e não acho seguro, porém para muitos compromissos como mercado, salão, banco e até sair para comer, a bike foi oficialmente nomeada como meio de transporte.

Mas e se você não tiver sua própria bike? Não tem problema. Aqui no Distrito Federal em cada esquina (quase literalmente) há uma estação de Eco Bici, um sistema de bicicletas públicas que iniciou em Fevereiro de 2010, integrando este recurso como parte essencial de mobilidade na capital mexicana. São estações semelhantes às do bike Itaú no Brasil, com a diferença de que aqui você paga um pacote para utilizá-las que vai de diário ($90) a anual ($400), tendo direito aos primeiros 45 minutos de cada trajeto e pagando os minutos adicionais. Realmente muita gente usa a Eco Bici (mais de 100 mil usuários registrados), e tem uma coisa que geograficamente facilita muito: a cidade é plana. Por curiosidade, compartilho que hoje o programa conta com 452 ciclo estações e mais de 6 mil bikes. Para saber mais clique aqui.

Partindo agora para o transporte público, o metrô também é uma ótima opção. O mexicano é muito apegado a carro (assim como muitos brasileiros), então sinto que eles acham super estranho que uma estrangeira se meta no metrô por aqui, mas eu adoro. Para mim, não há sensação melhor que chegar no destino e não precisar se preocupar em estacionar o carro, quanto vai pagar, se ele estará no local quando você voltar, etc. Transporte público é “pápum”, entra, anda, sai, e pronto.

Metrô da linha Dourada na Cidade do México - todas as linhas constam com vagões para mulheres e crianças durante a semana.
Metrô da linha Dourada na Cidade do México – todas as linhas contam com vagões para mulheres e crianças durante a semana.

Falarei mais do metrô pois praticamente ainda não precisei tomar ônibus por aqui. A rede metroviária do Distrito Federal conta com 12 linhas, e mais de 160 estações. É realmente difícil você não chegar em algum canto da cidade utilizando o metrô. E o melhor? O preço: $5,00 (equivalente R$ 0,90 na média da cotação de Agosto). E nos dias de contingência ambiental, quando está muito poluído e alguns veículos não podem circular, é comum que o metrô libere a entrada para todos, incentivando para que deixem seus carros em casa. Sobre segurança, as mesmas valiosas dicas para qualquer cidade grande devem ser aplicadas aqui também: atenção, bolsa e carteira na frente, celular guardado e boa viagem até sua estação destino. Caso esteja a caminho da Cidade do México para morar ou passear, acho legar ter o aplicativo “Metro DF”. Nele você coloca as estações de origem e destino e o seu roteiro é gerado. Super útil!

De maneira geral, sinto-me menos afetada pelas dificuldades de locomoção aqui no México. Óbvio que morar perto do trabalho facilita muito, e uma vez que você muda de país por razões profissionais não faria muito sentido morar longe, mas mesmo em deslocamentos para outros bairros, em outros horários e dias, sinto que este cotidiano ainda não é o “mau do século” por aqui (talvez apenas na quantidade de poluição gerada). E sério, para mim, poder usufruir de outros meios de transporte como o público e bicicletas não tem preço – aliás, tem sim, só que mais barato que um carro!

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