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Um dia em São Paulo x Um dia em Amsterdã

Um dia em São Paulo x Um dia em Amsterdã

São Paulo, 8h00 da manhã de um dia de semana qualquer de 2017.

O meu dia começava pegando o elevador do prédio até a garagem, muitas vezes de salto, com um cachorro a tiracolo. Entrava no carro, botava o cachorro no banco de trás e enfrentava a primeira fila do dia: pra sair da garagem.

Deixava o cachorro na creche (ou “pet care”), dirigia num trânsito pesadíssimo por no mínimo 45 minutos até chegar no trabalho. Menos de 10km depois, com fechadas, buzinadas, motoqueiros quase levando meu retrovisor embora, lá chegava eu no trabalho. Entrava com o carro na garagem do prédio às 9h00 e pegava o elevador até o escritório.

Passada a manhã, era a hora de preencher a 1h30 de almoço. Manicure, aulas de spinning, supermercado, almoço feliz financiado pelo VR e resolver alguma coisa de última hora eram algumas das minhas opções pra esse momento.

Voltava pro escritório, às vezes ia pra alguma reunião também de carro (considerando sempre uma margem de segurança de 1h pra ir e outra pra voltar) e trabalhava até 18h30, no mínimo.

Pegava o elevador de novo, entrava no carro e, opa, chuva! Legal, agora em vez de 45 minutos, vou levar mais de 1h pra chegar em casa. 1h10 considerando que tem que pegar o cachorro na creche.

Chegava em casa no mínimo 19h30, arrumava alguma coisa pra jantar, lembrava de deixar o dinheiro da faxineira, tomava um banho e ia assistir alguma coisa na TV, ou sair pra algum barzinho pra encontrar os amigos. No total um mínimo de 10h sentada e mais umas 7h ou 8h deitada nas preciosas 24h do meu dia.

Corta.

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Amsterdã, 8h00 da manhã de um dia de semana qualquer de 2018.

Nesse horário eu geralmente já voltei de um passeio de meia hora com o Elvis, meu cachorro, no parque que tem exatamente em frente da minha casa (sim, da pra ouvir os passarinhos e vejo coelhos pulando pra lá e pra cá de vez em quando).

Antes das 8h30 já estou maquiada, arrumadinha (mas quase nunca de salto), subindo na bicicleta pra pedalar os pouco mais de 7km que separam minha casa do trabalho. Trânsito só de bike quando temos que esperar alguma ponte abrir pra um barco passar. Buzina só se algum turista inventar de botar o pé na ciclovia sem olhar pros lados. Chego no escritório meia hora depois, acho um vaga no paraciclo sempre cheio e às 9h já estou sentada na minha mesa começando o dia de trabalho.

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Na hora do almoço os holandeses fazem praticamente um lanche, comida fria e alguma coisa com pão. Eu, com a minha genética brasileira, tive que abolir essa história de pão depois do primeiro mês, então abro minha marmitinha que geralmente tem ovos cozidos em um arroz integral ou quinoa, misturo com folhas e legumes e faço uma saladona pra comer na mesa que temos no escritório e onde nos juntamos todos os dias pra almoçar. A comida é comprada pela agência e eles descontam o valor direto no meu salário.

Não sobra muito tempo na meia hora de almoço que temos, então costumamos sair pra dar uma volta, tipo no quarteirão mesmo, quando o clima colabora (o que não é muito frequente por aqui).

Na parte da tarde, se tiver reunião, eu vou de bike mesmo, levo meu computador e, se terminar um pouco mais tarde (lá pras 15h30), eu termino o dia trabalhando de casa mesmo. Se não tiver reunião, saio às 17h30 e foram raras as vezes que eu precisei ficar até mais tarde.

Tiro a bike do paraciclo, mais 7km pedalando pra casa (faça chuva ou faça sol), chego às 18h, pego o Elvis pra dar mais uma volta, lavo roupa, faço faxina, faço minha própria unha e o bar com os amigos segue igual ao que era no Brasil (o que ta bom a gente não mexe!). Com a diferença que eu vou e volto também de bike, com risco de tomar alguns tombos, mas sem me preocupar com bafômetro e blitz!

Sem contar que tem sempre alguém visitando!

Passo 8h sentadas, mas faço no mínimo 1h de exercício por dia pedalando. Não tenho faxineira, mas aprendi a ser mais organizada e prática na hora de limpar. Estou mais exposta ao clima, mas respiro um ar bem mais puro. Faço minha própria unha, mas ando com o celular na mão e o notebook do trabalho na bolsa sem nem pensar em assalto. Carrego minhas compras no ombro ou na cesta da bike, mas estou mais atenta ao que como. Faço o mesmo trabalho de antes (inclusive na mesma empresa), mas aprendo também uma nova cultura com um nível de estresse bem mais baixo.

A vida na Holanda pode ter bem menos mordomias que a vida no Brasil, mas eu me sinto uma pessoa muito mais calma e com uma vida bem mais balanceada, menos refém do trânsito ou da falta de segurança. E como eu ainda não aprendi holandês, as histórias ruins do noticiário não me abalam!

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2 comentários

Oyame Outubro 22, 2018 at 2:03 am

Vc trabalha com o que na Holanda? Recomenda algum site, agência para pesquisa de empregos?

Resposta
Giovanna Prata Outubro 22, 2018 at 6:27 am

Oi, Oyame! Sou publicitária 🙂
Depende do tipo de emprego que você busca, quando trabalhei em loja, fui de uma em uma entregando currículo e em uma semana já tinha arrumado algo, mas também tem vários grupos no Facebook em que as pessoas anunciam esse tipo de vaga.
No caso de empregos especializados, acho que o LinkedIn é a melhor ferramenta.
Beijos!

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