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Clube do Bolinha Turquia

Vandré Souza – empreendedor na Turquia

Empreendedor na Turquia:  Um brasileiro mostrando aos turcos por que nosso café é tão famoso.

Hoje, na coluna do Clube do Bolinha, o BPM entrevista o empreendedor Vandré Luis de Souza, técnico elétrico, mas agora cozinheiro! Um brasileiro pelo mundo, residindo na Turquia, empreendendo no ramo gastronômico, mostrando aos turcos por que nosso café é tão famoso. Ele tem 52 anos, três filhos e uma coragem de dar inveja.

Este é Vandré, nosso entrevistado de hoje.

 

BPM –  Como iniciou sua relação com a Turquia?

Vandré – Vamos voltar ao ano de 1999, quando eu abri uma corretora de seguros, com o nome de Souza e Guerreiro. Depois de uns três anos que eu abri essa corretora eu vislumbrei um mercado de Internet, que estava engatinhando ainda em relação à pesquisa de Google. Vi um potencial para alavancar vendas e comecei a investir pessoalmente nessa área. Eu comecei a descobrir como o robot Google fazia as varreduras, lia as páginas postadas na Internet, as meta tag, por incrível que pareça, as minhas páginas ficavam sempre em primeiro lugar nas pesquisas. Mas era um trabalho muito árduo porque eu tinha mais de 500 páginas postadas no ar; eu precisava atualizá-las diariamente. Nos meus horários de folga para relaxar eu comecei a jogar o Cityville, um jogo do Facebook. E nós éramos obrigados a fazer amizades para cumprir com as metas que o Cityville pedia. E, com isso, fiz amizades com pessoas do mundo inteiro, mas nunca conversei e nunca havia imaginado poder conversar com uma pessoa de outro país, até porque eu não sabia nenhuma outra língua, somente o português. Aí eu conheci, também, o tradutor e aí, sim, eu comecei a conversar com os amigos que fiz, conversa vai e conversa vem eu programei minha primeira viagem internacional, em 2015. Resolvi vir para a Turquia porque foi onde fiz vários amigos e todos me convidavam para conhecer. Esse foi meu primeiro contato com o País, através do Messenger com amigos que fiz no Cityville.

BPM – Você está na Turquia desde 2015 ou voltou ao Brasil? E sua expectativa era de continuar desenvolvendo o mesmo trabalho que desenvolvia no Brasil?

Vandré – Não! Quando eu vim para a Turquia eu nem pensava em ficar aqui, mas depois de um tempo muitas coisas mudaram, eu fui e voltei algumas vezes. Eu fechei a corretora, mudei de ramo, me tornei técnico elétrico, mas fiquei no Brasil. Em 2017, eu retornei à Turquia e conheci a Handan e iniciamos um relacionamento, nessa época, mas também não pensamos em ficar juntos. As coisas foram acontecendo e o sentimento foi crescendo e acabei ficando por aqui cinco meses. Procurei por emprego em minha área de elétrica, mas sem dominar o idioma é muito difícil. No ramo de seguros é ainda mais difícil. Resolvi abrir um negócio para poder me estabelecer, trabalhar, gerar renda. Voltei ao Brasil mais uma vez com o objetivo de retornar à Turquia e abrir meu próprio negócio. Foi o que eu fiz. Vendi imóveis, juntei o dinheiro e retornei. Abri o Handré Coffee, Han de Handan, uma homenagem a Handan; e dré de Vandré, as duas bandeiras, brasileira e turca, com um coração no meio, representando a nossa união e vontade de estarmos juntos.

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BPM – E como foi a sua adaptação como um homem estrangeiro na Turquia? Um brasileiro pelo mundo vivendo em uma cultura tão diferente?

Vandré – A adaptação é difícil, principalmente pelos costumes. Comida, como eu servi o exército, me acostumei a comer de tudo, porque comida do exército não é qualquer um que come (risos). Mas a comida turca é diferente, tudo é muito diferente, mas essa parte foi a mais fácil. Agora a cultura é o mais difícil para nos adaptarmos. Um outro ponto importante são as amizades que você constrói. Se você desenvolve relacionamentos legais a adaptação pessoal fica mais fácil porque as pessoas te incluem no convívio delas. Agora se você vem sozinho, sem dominar o idioma é muito difícil. É um povo bem desconfiado e a aproximação quase nunca acontece de forma natural.

BPM – Como foi para você abrir um café? Foi muito burocrático? Fizeram-te muitas exigências?

Vandré – Bom, o café para mim ainda está sendo uma escola, fará um ano que abri, estou na fase de investimento, ainda, e o fato de ter aberto em uma cidade pequena, um vilarejo, na verdade, eu não abro a semana toda, não há movimento para isso. O principal dia de trabalho é o sábado. Nesse dia existe uma grande feira que acontece, trazendo pessoas de outros locais e movimentando bastante a vila. As pessoas passam o dia por lá para compras e para tomar um café, comer algo, bater um papo. Para abrir o café eu fiz muitas pesquisas e encontrei valores absurdos, quando eu falava inglês tudo era calculado em euro (risos). Se você não tiver uma pessoa de confiança por aqui, um contato, as coisas são mais complicadas porque eles acreditam que pelo fato de ser estrangeiro você está com muito dinheiro. Eu tenho amigos que me ajudaram nesse contato, um deles conversou com a imobiliária e negociou o local onde hoje funciona o café. Outro amigo falou com um contador, o que me facilitou muito, porque por aqui qualquer coisa para um estrangeiro é sempre mais burocrático. Um ponto bem importante é que para conseguir abrir qualquer negócio na Turquia é necessário primeiro obter o visto de permanência. Sem ele, não é possível fazer nada. Após o visto, comecei a ver o local, quando estava certo de onde seria fui atrás do contador. Finalizado como o contador foi atrás da prefeitura para que o fiscal me desse a licença para funcionamento. Se quiser vender bebida alcoólica há várias restrições, um deles é o local. Não se pode vender bebida alcoólica em qualquer local, na Turquia. Um bom contador ajuda muito, nesse caso. Não é um processo fácil, mas não é impossível.

BPM – Você oferece nosso café brasileiro e algo da nossa culinária em seu café?

Vandré – Sim, eu ofereço nosso café filtrado e eles gostam. Ofereço, também, nosso bolinho de chuva, coxinha e outros salgados. Eu sirvo nosso modelo de omelete, sopa de macarrão, macarronada,  arroz, bife à parmegiana e outras coisas nossas. Eles gostam, acham diferentes, consomem bem.

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BPM – Você pensa em voltar ao Brasil? O que você diz para outros brasileiros que desejam empreender na Turquia?

Vandré – Não, eu não penso em voltar! Eu quero viver na Turquia e ir ao Brasil somente de férias. Na Turquia você tem um custo de vida mais baixo que no Brasil. O futuro eu vejo aqui! Tenho filhos e familiares no Brasil, mas tanto eu quanto eles podemos ir e vir, isso não é um impedimento para que eu viva aqui. Quero constituir com a Handan uma nova vida, aqui. Mesmo ainda na fase de investimento, eu vejo muitas oportunidades para alavancar mais o café, estou nessa fase agora.

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