5 diferenças entre São Paulo e La Seu D’Urgell

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Vista de La Seu D'Urgell
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No Brasil eu já vivi em Brasília e em São Paulo, e embora as experiências tenham sido muito diferentes, são duas grandes cidades, com inúmeras oportunidades e problemas urbanos derivados de seus tamanhos e importância econômica e política. Nem eu nem meu marido nunca havíamos morado em uma cidade pequena, apenas passado algumas férias em lugares menores, mas sem a experiência da vida cotidiana, que é sempre muito diferente.

Quando estávamos avaliando nossas possibilidades de vir para a Europa essa dúvida, entre cidade grande e interior surgiu. Fizemos algumas listas de pontos positivos e negativos, e, por fim, e pelas necessidades e conveniências da vida acabamos parando em La Seu D’Urgell, uma cidade de aproximadamente 12.500 habitantes, na fronteira com Andorra. Para quem saiu direto do centro de São Paulo, uma anomalia em termos de tamanho, uma das maiores cidades do mundo, foi um choque e tanto. Já falei aqui um pouco sobre os choques culturais da chegada, mas dessa vez queria me atrever a fazer esse comparativo tão desproporcional entre as duas cidades.

1 – Transporte urbano

Em São Paulo eu vendi meu carro, e usávamos só o transporte público. Em Brasília eu tinha carro, pois apesar de ser uma cidade grande e minha querida cidade natal, o sistema de transporte público de Brasília deixa muito a desejar, e trabalhando em 3 escolas em endereços diferentes e tendo alunos particulares, a vida sem carro lá era impossível. Já em São Paulo fazia tudo de metrô e ônibus sem maiores dificuldades, além das largas horas no trânsito.

Aqui em La Seu faço tudo sem carro. Atravesso a cidade a pé em 10 minutos. Uma ida ao mercado, farmácia, padaria e ainda levando o cachorro para passear me toma cerca de 20 minutos, no total. Em São Paulo, em 20 minutos eu nem teria entrado no transporte público ainda. Então a vida cotidiana fica muito mais simples e eu ganhei muito tempo e qualidade de vida.

2 – Transporte em viagens

No Brasil as cidades tendem a ser muito distantes, estamos acostumados à quilometragem de um país continental, por isso sempre que possível fazia minhas viagens de avião. Apesar disso fiz Brasília-São Paulo, cerca de 1900 km algumas vezes de carro. Outras viagens menores fazia de carro quando ainda tinha um. Quando vendi, passei a fazer de transporte público. Só que para ir fazer uma trilha, ou passear em uma cidade menor como Campos do Jordão, Monte Verde, e outras, saindo de São Paulo, demorávamos cerca de 3h a 5h só pra chegar no lugar, que dirá para começar a fazer a trilha a pé, isso incluindo o metrô desde o apartamento até a estação de ônibus, a viagem até a cidade menor, depois outro ônibus até o ponto mais próximo da trilha.

Aqui em La Seu decidimos comprar um carro pequeno e barato. Uma coisa que me encanta nas cidades pequenas aqui da região é que quase sempre existe um estacionamento gratuito grande, nos arredores da cidade, para motorhomes e caravanas, e também carros. Como aqui ele fica a 3 minutos a pé da nossa casa, deixamos o carro estacionado lá sem problemas. Quando viajamos também tenho o hábito de deixar o carro nesses estacionamentos e conhecer as cidades a pé, mesmo quando são um pouco maiores. Amo andar a pé!

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3 – Moradia

Encontrar um apartamento em São Paulo é uma aventura. Em um mês visitei cerca de 40 imóveis procurando um que conciliasse localização, conservação e preço, dentro das minhas necessidades. Dei muita sorte lá e consegui um bom, por preço razoável em ótima região, porém morava do lado da Rua Augusta, e nas sextas e sábados as noites eram em claro acompanhando o barulho das festas na rua, das brigas na madrugada, a sujeira no domingo de manhã.

Aqui em La Seu é possível morar por um preço bem menor que em São Paulo, mesmo fazendo a conversão monetária, em um bom apartamento. Acabei alugando um dos mais baratos que achei, com preço abaixo da média da cidade, no centro medieval. É curioso morar em um lugar tão antigo. As paredes não são retas. O local foi reformado inúmeras vezes, para acomodar as conveniências modernas, então hoje tem tudo, inclusive uma cozinha ótima e moderna, aquecedores, excelente calefação, mas algumas coisas são estranhas, como utilizar o elevador do prédio ao lado, que possui corredor de comunicação em todos os andares, porque nesse prédio não era possível adicionar um. Vivo em cima da Taverna, que hoje funciona como um bar, o que no verão faz um pouco de barulho, mas nada comparável com a bagunça da Augusta.

4 – Relação com os espaços públicos

São Paulo tem uma relação muito contraditória com seus espaços públicos. Na administração Haddad houve algumas mudanças, como a criação da ciclovia, a transformação de alguns espaços de estacionamento em áreas para convivência com bancos, e a revitalização do Centro. Agora já está diferente. Mas independentemente da administração, São Paulo é uma cidade pouco amigável para os pedestres e ciclistas. É possível ver muita sujeira, muitos moradores de rua, e apesar de haver muitos parques, nem sempre o acesso a eles é fácil, comumente custando 1h de transporte público até algum deles.

Em La Seu a cidade é mais voltada para pedestres do que carros, até por ser uma cidade medieval, que com muito custo se adaptou a carros, mas as ruas da parte velha da cidade são estreitas e nunca retas. Por outro lado há praças e parques em todas as ruas. Os parques infantis são muitos, bem mantidos, com chão feito de material macio. Nos parques infantis a entrada da cachorros não é permitida, mas existem parques para cachorros, onde eles são bem-vindos. Ou seja, todas as necessidades da população são atendidas. Além disso existe o Parc Olímpic del Segre, com uma estrutura incrível para esportes de remo, acessível a um preço razoável para o uso das facilidades esportivas, ou gratuito para passeios.

5 – Ritmo de vida

Por fim, o que mais me chama a atenção é o ritmo de vida. Quando cheguei aqui meu corpo tremia, vindo do frenesi de São Paulo. Agora até ir a Barcelona já me estressa, pela quantidade de gente e barulho! Me acostumei com uma vida calma, que respeita os horários do corpo e da mente. Onde as pessoas cochilam depois do almoço. Onde nem tudo está aberto o tempo todo, onde é possível ter acesso à natureza ali na esquina, além de contemplar história em cada rua e praça. Se quiser saber um pouco mais sobre a vida no interior, sugiro a leitura de vários textos aqui do BPM ( Londres ou Interior ; Paris ou Interior ; Morar no Interior da Inglaterra ; Ser Vegetariana no Interior da CatalunhaInterior Irlandês ; Irlanda X Limeric ; Interior da Índia ; Interior da Espanha ; Eventos no Interior ).

E vocês, já passaram por essa experiência intensa de mudar para um lugar tão diferente em ritmo?

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