Myanmar – 10 curiosidades sobre o dia a dia

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Por viver em um país com uma cultura tão diferente, uma das minhas ocupações favoritas é observar os costumes locais. Hábitos corriqueiros – que parecem inusitados ou até estranhos para os turistas desavisados – mas que, ao se conhecer a cultura um pouco mais a fundo, tem-se a possibilidade de aprender mais sobre eles; alguns destes costumes, até acabamos adquirindo.

1. Chamando o garçom

Você está sentada(o), comendo em algum dos populares “tea shops” (restaurantes/tendas de chá de rua). De repente, você ouve um barulho como se fosse alguém mandando um beijo, espremendo os lábios, soltando aquele som. Calma, esta não é  nenhuma tentativa de paquera. Em Myanmar é um costume: para chamar o garçom/garçonete se faz esse barulho com a boca, em vez de fazer um sinal com a mão ou chamá-los. No entanto, este hábito se restringe a estes restaurantes de rua e apenas homens chamam garçons desta forma.

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Ruas de Chinatown, Yangon. Fonte: Arquivo pessoal.

2.Sistema de sinos nos prédios

Ao andar pelas ruas de Yangon, se repararmos nos prédios, veremos, em muitos deles, barbantes com sacolas ou cestinhas penduradas. A maioria dos prédios não tem elevador. Portanto, moradores de andares mais altos, para economizar a ida à rua e o sobe e desce, às vezes, quando precisam de algo das lojinhas dos arredores, se valem deste sistema. É muito simples: você liga na loja onde quer fazer o pedido ou, se precisar de algo de um vendedor de rua, você vai até a sacada e o chama gritando e acenando. Quando o pedido está pronto, a pessoa que entrega irá puxar a corda e um sino que está pendurado na outra ponta, no apartamento, irá soar. Então é só puxar a linha até o seu andar e por dinheiro na sacola. Eu moro no sexto andar, sem elevador. Mas no nosso apartamento, infelizmente não temos nosso barbante para pedidos.

3.Vida de pedestre

Gente…vida de pedestre nas cidades grandes de Myanmar não e fácil. Eu sei que no Brasil também reclamamos, mas aqui o pedestre simplesmente não tem vez. Os motoristas nunca esperam você atravessar, pelo contrário, vivem buzinando para você sair do caminho. Em Yangon, pode-se observar as pessoas atravessando, com frequência, quase correndo ou por etapas. Em cruzamentos bastante movimentados, um problema frequente é quando o sinal finalmente está vermelho num lado e verde na outra rua, pois muitos dos carros irão virar exatamente onde você está esperando para atravessar. Por isso muitos atravessam com sinal verde sempre que há uma brecha, até o meio fio, e ali ficam esperando calmamente enquanto os carros passam em ambos os lados. Quando o sinal fecha, já estão no meio do caminho.

4.Circulação de carros – esquerda ou direita?

Aqui tem várias destas coisas que são ótimas para confundir estrangeiros. Até os anos 70, se dirigia à esquerda, até que um governante decidiu mudar para circulação para a direita! Mas a maioria dos carros tem o volante do lado direto, já que  maioria dos carros vieram do Japão, onde se circula pela esquerda. No entanto, para aumentar ainda mais a confusão, alguns carros tem o volante do lado esquerdo.

5.Táxis sem taxímetro

Não existem taxímetros nos táxis. Quando você para um táxi, diz para onde quer ir e pergunta o preço. Começa, então, a negociação. Obviamente taxistas tendem a cobrar mais de estrangeiros; geralmente, estrangeiros não são tão bem-sucedidos quanto os birmaneses quando chega a hora de pechinchar com os taxistas.

6.Comida, comida, comida

Sar bi bi la ?” ( Você já comeu?).  Essa pergunta serve como um cumprimento. Lembro que foi uma das primeiras coisas que a minha professora de birmanês na Alemanha nos ensinou e disse que era uma forma de cumprimento, o que a maioria dos alunos achou um pouco estranho. Mais tarde, quando eu já tinha amigos birmaneses na Alemanha e, às vezes, trocando mensagens com eles por chat, percebia que sempre perguntavam, assim do nada: “você já comeu/já almoçou/já jantou ?“. Comida é algo muito importante nas culturas do sudeste asiático. Estes povos são orgulhosos do que sua cozinha tem a oferecer, dedicando muito tempo para cozinhar. E como parte da hospitalidade, quando recebem visitantes, estão sempre oferecendo algo para comer. Na Tailândia, passei uma semana com uma família de uma amiga minha; todos extremamente atenciosos e fazendo de tudo para me agradar, me levando a lugares diferentes, etc. Mas a comida… café da manhã, lanche, doce, almoço, alguma sobremesa tailandesa, algum lanche, jantar… “quer um sorvete?“.  Mesmo falando um pouco de tailandês, o suficiente para dizer “não, obrigada, estou satisfeita“, “Ah, eu não como muito mesmo“, “Mas eu já comi há pouco tempo, ainda estou satisfeita”, passei uns perrengues. Eu tinha a sensação de estar sempre comendo e mesmo assim, eles me diziam o tempo todo “você come tão pouco!“. Pois, em Myanmar, é a mesma coisa.

7.Estadia privada é proibida

Estrangeiros que vêm ao país como turistas são obrigados a ficarem em hotéis ou hostels registrados pelo governo.  Não podem ficar na casa de um amigo ou usar algo como CouchSurfing (plataforma na internet na qual usuários podem encontrar um lugar para se hospedar de forma gratuita). E parece não haver planos para que esta lei seja mudada.

8.Uso de pasta de thanaka

Thanaka é um cosmético e protetor solar muito popular em Myanmar, uma tradição milenar. A pasta é feita da casca de uma árvore e é usada como cosmético para cuidar da pele, mas também como protetor solar. Ao passar na pele, tem-se uma sensação refrescante. Geralmente, é colocado no rosto; às vezes, nos braços. Algumas mulheres e crianças a aplicam em forma de belos desenhos.

9. Irmãos e irmãs

Em Myanmar as pessoas tratam-se umas as outras usando títulos familiares, como irmão, irmã, tio, etc.. Também ao falar com amigos, atendentes em lojas, colegas de trabalho.  Em birmanês existem palavras para denominar irmão ou irmã mais novos ou mais velhos. O irmão mais novo é chamado de “maunglay“; a irmã mais nova, “nyimalay“.  Muitas vezes, especialmente quando se comunicam em redes sociais, os birmaneses usam os termos em inglês mesmo como “sis“, “bro“.

10.Mascando noz de areca

Andando pelas ruas de qualquer cidade ou povoado, vê-se manchas vermelhas no chão. Motoristas no trânsito e passageiros nos ônibus abrem a janela e cospem uma massa vermelha na rua. Muitas pessoas têm um sorriso vermelho. Isso se deve ao hábito de mascar noz de areca, que é misturada com folhas de betel e tem efeito semelhante ao tabaco.

Nunca experimentei a noz de areca; já usei thanaka algumas vezes e sofro diariamente como pedestre nas ruas da cidade. Trato amigos e amigas por irmão e irmã. Alguns hábitos adquiri aqui; sigo acumulando experiências e aprendendo mais sobre este maravilhoso país a cada dia.

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