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10 pratos típicos na Suíça além do fondue

Geralmente a culinária suíça é associada a chocolates, queijos e fondue, logo, muitos familiares e amigos que não conhecem pessoalmente o país, costumam me perguntar o que mais se come por aqui. Então, resolvi listar para vocês 10 pratos típicos na Suíça além do fondue!

Vale salientar que a gastronomia suíça, que regionalmente é muito diversificada, é resultado de um conjunto de influências dos países vizinhos (Alemanha, Áustria, França e Itália), com criações de versões próprias usando ingredientes locais. Portanto, alguns pratos desta lista não são originários daqui, mas comumente consumidos pelos suíços, por isso eu cito pratos típicos “na” e não “da” Suíça.

Existem muitas outras especialidades locais – por exemplo, além dos chocolates e queijos deliciosos, a Suíça produz também cerca de 350 tipos diferentes de salsichas, graças às variações regionais –, mas hoje eu lhes descrevo estes 10 pratos a seguir:

Raclette

Fonte: iStock – margouillatphotos

O nome deriva do verbo francês racler, que significa raspar, pois na preparação da raclette, a superfície do queijo é aquecida e, conforme derrete, é raspada sobre o prato, que pode conter diversos acompanhamentos como: batatas cozidas com casca, embutidos (salames, copa, presuntos), cogumelos, picles (de cebola, cenoura, pepino e milho), pães, etc.

Antigamente, uma forma inteira de queijo ficava presa e um lado era aquecido com fogo. Hoje, muitas famílias suíças têm suas próprias racleteiras, utensílios elétricos que possuem pequenas paletas nas quais as fatias individuais do queijo podem ser aquecidas, enquanto, por exemplo, os vegetais grelham em uma superfície superior. É um ótimo modo para passar horas comendo e conversando, acompanhados de familiares e amigos, sem esquecer de bons vinhos! Mas para quem estiver só, também existe uma versão de racleteira individual aquecida por velas.

Raclette também é o nome de um queijo suíço semi-firme, feito com leite de vaca, originário do Cantão de Valais, mas possui diferenças no sabor e consistência dependendo da área de produção. Tanto o queijo, como o prato, embora sejam provenientes da região de Valais, são muito consumidos em todo o país. É comum também encontrar o queijo derretido sobre um pedaço de pão em feirinhas populares.

Rösti

Fonte: Pixabay

Muito famoso na Suíça, o Rösti era originalmente um prato típico no café da manhã dos agricultores do Cantão de Berna. Atualmente considerado uma iguaria nacional, aparece tanto como prato principal, como acompanhamento de outras receitas.

Tradicionalmente é feito apenas com batatas finamente raladas e fritas na manteiga até ficarem coesas (devido ao amido das batatas), douradas e crocantes. Mas possui a adição de variados ingredientes (queijos, embutidos, massa, cebola, maçã), de acordo com a região do país. Alguns ainda acrescentam um ovo frito com a gema crua por cima.

Zürcher Geschnetzeltes

Fonte: Creative Commons

A primeira menção em um livro de receitas do Züri-Gschnätzlets, como é chamado em alemão-suíço, remonta a 1947. Hoje é considerado um prato típico da cozinha regional de Zurique. Tradicionalmente ele é preparado com tiras de carne de vitela, vinho branco, creme de leite e caldo de carne, mas atualmente recebe a adição de cogumelos, o que o torna um tanto parecido com o estrogonofe. Alguns acrescentam também fatias de rim de vitela. Geralmente é servido com Rösti, arroz ou Spätzle (um tipo de massa muito consumida na Suíça).

Um dos restaurantes mais conhecidos em Zurique para provar este prato é o Zeughauskeller, que fica em um edifício que era usado para guardar armas e mantimentos de guerra, datado de 1487. Vale a pena a visita!

Schnitzel

Fonte: Arquivo pessoal

Conhecido no Brasil como bife à milanesa, Schnitzel é um pedaço fino de carne desossada, geralmente batido de forma plana com martelo de cozinha ou chapa de ferro (para amaciar a carne devido ao rompimento das fibras musculares), e empanado com farinha de trigo, ovo e pão ralado antes de ser frito (geralmente na manteiga ou banha de porco).

Uma provável origem deste prato seria no Império Bizantino, com a receita sendo levada por comerciantes árabes para a Península Ibérica durante a Idade Média e, posteriormente para o norte da Itália, onde ficou conhecida como cotoletta alla milanese. Acredita-se que a receita foi levada à Áustria por volta de 1857, pelo marechal Joseph Radetzky von Radetz, após uma vitória sobre rebeldes milaneses. Ali, tornou-se uma das especialidades mais famosas da cozinha austríaca, passando a ser conhecida, a partir de 1862, como Wiener Schnitzel (Schnitzel Vienense).

O Schnitzel original é feito com carne de vitela, mas atualmente é muito comum encontrá-lo com carne de porco. Apesar de não ser um prato de origem suíça, o Schnitzel é muito comum na Suíça, podendo ser encontrado também com carne de porco ou de frango.

Geralmente é servido com batatas fritas, e hoje em dia, devido à algumas variações de ingredientes que são acrescentados, pode receber outros nomes, como por exemplo, o Jägerschnitzel (Schnitzel do caçador), que é um Schnitzel com molho de cogumelos.

Cordon Bleu

Fonte: Arquivo pessoal

Outra variante do Schnitzel, o Cordon Bleu, é feito com duas fatias de carne recheadas com queijo e presunto cozido. Acredita-se que este prato seja original da Suíça, provavelmente da década de 1940, sendo que foi mencionado pela primeira vez em um livro de receitas em 1949, mas existem outras teorias sobre a origem da receita.

O nome, de origem francesa, significa cordão (fita) azul e é uma metáfora à alta arte culinária, uma analogia que surgiu da semelhança entre a faixa azul usada pelos membros da mais alta ordem da cavalaria francesa em 1578 (L’Ordre des chevaliers du Saint-Esprit) e as fitas (geralmente azuis) dos aventais dos cozinheiros. Hoje, o termo Cordon Bleu é usado por muitas escolas de culinária francesa para definir pratos de prestígio e de alta qualidade.

O queijo usado no recheio pode ser o Emmental, o Gruyère, o Appenzeller ou até mesmo o Raclette mas, um dos mais renomados para este prato e, na minha opinião um dos melhores, é o Appenzeller (queijo típico da região de Appenzell) que inclusive deu nome a um dos pratos mais tradicionais do Cantão de Appenzell, o Appenzeller Cordon Bleu.

Assim como o Schnitzel, atualmente, o Cordon Bleu possui algumas variantes, de acordo com o tipo de queijo, presunto e outros ingredientes acrescentados no recheio. Um dos meus restaurantes tradicionais preferidos para degustar um delicioso Cordon Bleu e suas variantes, é o Adler em Herisau (Cantão de Appenzell). Confiram, tenho certeza que irão gostar! Já provei muito Cordon Bleu até hoje, pois é um dos meus pratos preferidos na Suíça.

Pizokel (Pizzoccheri em italiano)

Fonte: Creative Commons

Um tipo de tagliatelle, de origem italiana (região da Valtellina), feito a partir de uma massa preparada com um terço de farinha de trigo e dois terços de farinha de trigo sarraceno (também conhecido como trigo mourisco), que denota a sua coloração acinzentada. Geralmente o prato contém a massa, batatas, repolho, sálvia, queijo e muita manteiga. É uma especialidade típica no Cantão dos Grisões (Graubünden).

Berner Platte

Fonte: Creative Commons

Trata-se de um prato rústico, composto de vários tipos de carne: presunto, bacon defumado, língua e rabo de porco, salsichas, costelinha, joelho e lombo de porco; servidos com chucrute (conserva de repolho fermentado), vagens e batatas.

Típico de Berna, capital da Suíça, o Berner Platte (Prato Bernese), foi criado em 5 de março de 1798, numa grande festa para comemorar a vitória dos berneses sobre o exército francês na Batalha de Neuenegg. Como a celebração foi organizada em curto tempo, a comunidade contribuiu com os suprimentos que tinha, daí a variedade e predominância de carnes defumadas e embutidos, que faziam parte da reserva do inverno.

Papet Vaudois

Fonte: Creative Commons

De influência francesa, este prato típico do Cantão de Vaud, é uma mistura de alho-poró e batatas que são cozidos até se obter uma “papa” (papet), isto é, uma base densa que é servida com a salsicha Vaud – Saucisson Vaudois.

OLMA-Bratwurst

Fonte: Creative Commons

OLMA-Bratwurst é uma salsicha típica do Cantão de São Galo (St.Gallen). Seu nome é proveniente de uma grande feira de exposição – OLMA (Ostschweizerische Land- und Milchwirtschaftliche Ausstellung) –, que é realizada, anualmente no outono, na cidade de St. Gallen.

Essa salsicha branca, devido ao leite usado em sua composição, além de carne de porco, possui 50% de carne de vitela, e deve ser exclusivamente grelhada, jamais cozida em água. Diversamente de outros tipos de salsicha, é consumida sem o acompanhamento de mostarda, para que seu sabor seja ressaltado. Comê-la com mostarda é considerado um grande tabu, sinal evidente de que a pessoa não é local.

A salsicha de St. Gallen é considerada por muitos suíços como o melhor bratwurst (salsicha grelhada) e o principal ingrediente em churrascos na Suíça.

Älplermagronen (mit Apfelmus)

Fonte: Creative Commons

Este prato, de origem alpina – daí o nome “macarrão alpino” –, consiste em macarrão (normalmente penne), batatas cozidas, creme de leite, queijo derretido e cebolas fritas, servido com um acompanhamento de purê de maçã (Apfelmus). Entretanto, possui variações regionais, como a adição de tiras de presunto ou cubos de bacon em certas áreas e, por exemplo, a retirada das batatas no Cantão de Uri.

Também chamado de macarrão dos pastores, essa especialidade tradicional da parte alemã da Suíça, foi criada a partir de ingredientes que os pastores das pastagens alpinas tinham prontamente à mão e, além disso, formavam uma refeição que supria a necessidade de energia para o pesado trabalho nas montanhas. Por ser um prato fácil de preparar e que sacia bem, o macarrão alpino sempre está presente no menu de escoteiros e das Forças Armadas da Suíça.

Na região de Obwalden, o Älplermagronen é chamado de Hindersi-Magronen.

Leia sobre: Tradições alpinas na Suíça

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4 comentários

Tiago V. Março 17, 2018 at 8:17 am

Belo artigo, bem documentado. Moro à 28 anos na Suíça e estes pratos típicos foram os primeiros que aprendi a cozinhar na escola…

Resposta
Mel Barbieri Março 27, 2018 at 9:09 pm

Olá, Tiago!
Muito obrigada pela leitura e pelo comentário.
Acho muito interessante o fato de ensinarem a cozinhar os pratos típicos na escola, tanto para quem aprende, como para a cultura e tradição do país que vão passando de geração em geração!

Resposta
Cardoso da Silva Edson Luiz Abril 1, 2019 at 7:45 pm

Ola boa noite Mel Barbieri nasci em Joinville, Santa catarina e tbm vivo na Suissa aonde trabalho como chefe de cozinha , gostei da reportagem e pela explicação a cultura da Suissa. Obrigado e vamos despravar essa linda terra alpina .

Resposta
Mel Barbieri Abril 1, 2019 at 10:12 pm

Boa noite! Que bacana! Fico contente em saber que gostou.
Realmente esta terra é linda e é um prazer conhecê-la melhor.
Eu que agradeço pela leitura e comentário!

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