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Cheguei e agora? EUA

6 dicas para quem vai morar nos Estados Unidos

Quantas vezes já nos lamentamos por situações que podiam ter sido evitadas?

Depois que mudamos de país, essa lista parece só aumentar. São muitas dúvidas sobre questões do dia a dia que só percebemos serem importantes depois que um problema aparece.

Por isso, selecionei os assuntos de maior relevância e também corriqueiros na vida de quem mora nos Estados Unidos.

Construa seu crédito desde o primeiro dia

O primeiro passo para atingir um bom credit score (pontuação de crédito) é ter uma conta no banco e pedir o secured card em qualquer banco de sua preferência. Claro que serão exigidas documentações que confirmem renda, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil.

Credit Score é toda a pontuação que você conquistou ao longo dos anos como um bom pagador, ou seja, pagou as faturas do cartão em dia, pagou todas as parcelas do empréstimo de um carro etc.

Já o secured card é um tipo de cartão pré-pago oferecido pelo banco quando você abre uma conta. Para isso é necessário colocar o mínimo de 300 dólares. Ao passo que for aumentando o limite do secured card e continuar pagando a fatura em dia, o banco automaticamente enviará um cartão de crédito. Isso significa que sua nota de crédito melhorou e que agora você tem mais credibilidade com o banco. Uma vez recebido o cartão de crédito, aqueles 300 dólares pagos para o secured card serão estornados para sua conta.

O segundo passo é adquirir uma dívida mesmo, o que significa comprar um carro por meio de financiamento. Para isso, será necessário que você tenha um trabalho fixo, renda fixa, e uma nota de crédito razoável—não é necessária uma nota de crédito ótima nessa etapa. Mesmo com uma nota baixa de credit score o empréstimo será autorizado, porém com juros mais altos (mais ou menos 8%). Ainda assim compensa, pois significa adicionar “tijolinhos” na construção de um bom credit score.

Os frutos são colhidos no futuro quando na hora de comprar ou alugar imóveis em regiões melhores, e principalmente, para melhores chances de conseguir taxa de juros baixa.  

Para verificar a nota de crédito é simples, pelo próprio banco é possível solicitar e saber em qual nível você se encontra. Os níveis oscilam entre 300 (mais baixo) e 850 (mais alto).

Nunca deixe de declarar Imposto de Renda

A declaração de imposto de renda é feita anualmente, com prazo em Abril. Em 2019, todos deverão enviar até o dia 15. O atraso ou a ausência de envio da declaração pode gerar multa de 25% a 100% do valor devido ao IRS.

IRS é a Receita Federal dos Estados Unidos. Apesar do site conter todas as informações, aconselho sempre ter um contador para auxiliar no preenchimento dos formulários e preparação da declaração, para que não exista nenhum erro. Você pode procurar por um contador especializado (para casos de freelancers e empresas) ou usar o serviço de H&R Block (para casos mais simples como empregado e sem o intuito de receber reembolso). É possível até fazer a declaração por conta própria, com a ajuda de sites.

Aqui nos Estados Unidos todos devem pagar imposto de renda, incluindo os imigrantes. A média de imposto de renda a ser destinado ao governo é de 30% do total recebido no ano, sendo 20% para o âmbito federal e 10% para o estadual. Esses valores oscilam conforme a renda, ou seja, quanto maior o salário maior é a porcentagem retida.

Tire a Carteira de Habilitação nos primeiros meses

A Carteira de Motorista Brasileira é aceita nos primeiros seis primeiros meses desde a chegada do imigrante. Depois disso, caso seja parado em uma revista, a policial poderá multar e apreender o veículo.

Para evitar dores de cabeça e gastos extras, o ideal é que você tire a carteira de motorista assim que possível.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar nos EUA

Tirar carta nos Estados Unidos é muito mais simples do que no Brasil. Aqui você não precisa de autoescola: se você já tiver experiência e sentir confiança em dirigir, basta agendar horários no DMV e fazer as provas.

Em regra, são duas provas: a teórica e a prática, é necessário estudar o manual (Driver Handbook) antes da prova teórica para aprender as regras de trânsito do estado onde você está tirando a carteira de motorista. Mesmo que você já tenha anos de experiência no Brasil, o ideal é praticar e se acostumar com o trânsito da sua região.

A prova prática é realizada no carro de cada candidato, portanto, você mesmo leva seu carro. No meu caso, eu ainda não tinha carro, então aluguei um para o dia da prova, com seguro (pois é exigido). Outra opção é pegar um carro emprestado de um amigo, mas ainda assim você precisará contratar um seguro que o proteja contra acidentes causados por você e por terceiros.

Cada cidade possui seu próprio DMV (Departamento de Veículos Motorizados). As regras de trânsito variam de Estado para Estado.

Não existe saúde pública

Este é uma das principais frustrações de quem se muda para os Estados Unidos. Aqui não existe saúde pública ou saúde gratuita, o que existe é um programa chamado Medicaid que atende pessoas de baixa renda. Do contrário, todos devem ter um plano de saúde.

Por ser obrigatório, há diversas opções de empresas que oferecem o serviço, tendo opções que atendem todos os níveis sociais. Não é recomendado o risco de ficar sem plano de saúde, pois o serviço particular é absurdamente caro. Muitas pessoas perdem casas por conta de uma internação, por exemplo.

Outra confusão que muitos brasileiros fazem é supor que plano de saúde nos Estados Unidos funcionam como no Brasil. Na verdade, o que existe é Seguro Saúde, o seguro que você aciona, somente se ficar doente, pois medicina preventiva não é a regra.

Leia também: Plano de saúde nos Estados Unidos 

O que é o Social Security Number

É o número gerado pelo Governo para identificar americanos com direitos ao programa de Seguridade Social — que são benefícios de aposentadoria, invalidez, medicare e medicaid. Ao longo dos anos, o SSN tornou-se a principal forma de identificação para o IRS, bancos e serviços que exijam documentação individual.

Não são todos os imigrantes que recebem o SSN. Estudantes, por exemplo, não precisam requerer o número uma vez que não são autorizados a trabalhar. Já os imigrantes com vistos de trabalham precisam ter o SSN para que o empregador prepare a documentação de trabalho.

A principal função do Serviço de Seguridade é arrecadar e distribuir o dinheiro para as pessoas de baixa renda, veteranos de guerra, inválidos e aposentadoria.

Todo funcionário contribui com 6.2 por cento de seu salário e deve trabalhar até os 65 anos para começar a receber o benefício. No entanto, especialistas sugerem que o trabalhador continue contribuindo por mais 5 anos, pois ao se aposentar com 70 anos ao invés de 65, o beneficiado irá receber 124% a mais devido ao plano de crédito de aposentadoria adiada (delayed retirement credit).

Além de guardar dinheiro, você também estará computando anos de trabalho. Em 2018, o Brasil e os Estados Unidos assinaram um acordo em que se reconhece o tempo de trabalho de um funcionário brasileiro trabalhando em uma empresa americana e vice-versa.

Sim ao 401(k)

Primeiramente, 401(k) se pronúncia four ou one kei.

Essa é uma outra forma de contribuição para a aposentadoria. A diferença é que o 401(k) não é  uma contribuição compulsória. Cabe ao empregado decidir e informar o empregador sobre o valor a ser encaminhado para o programa. Isso porque o recolhimento é feito por meio do empregador, sendo o valor retido direto da folha de pagamento e sem dedução de impostos—o que é uma grande vantagem.

Somente pode contribuir pelo 401(k) o empregado ou o autônomo. Em alguns casos, o empregador faz o match, que nada mais é do que casar o valor a ser recolhido pelo funcionário. Então, se o empregado recolhe 100 dólares, o empregador recolherá mais 100 dólares, assim esse funcionário estará, na verdade, guardando 200 dólares.

O match é um incentivo tanto ao empregado quanto ao empregador, pois ao aderirem ao programa que também é administrado pelo Governo, ambos são beneficiados. O empregado recebe o dobro do valor que se dispôs a pagar e o empregador recebe dedução fiscal.

O valor máximo a ser contribuído por cada indivíduo é de 18,500 dólares ao ano.

Assuntos como esses são complexos e sempre geram muitas dúvidas. Eu moro com meu marido em Los Angeles há seis anos, fomos aprendendo sobre cada um desses temas errando e pesquisando, esclarecendo dúvidas com amigos, contadores e advogados e, claro, tudo leva tempo. Por isso, se tiver perguntas ficarei feliz em ajudar a esclarecer no que eu puder.

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