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Bolívia Dicas para viajar sozinha

A Bolívia além do Salar de Uyuni

A Bolívia além do Salar de Uyuni.

Sei muito bem da resistência que nós, brasileiros, realmente temos em conhecer a Bolívia. Sei também dos preconceitos atribuídos ao país como os de extrema pobreza, comida ruim e situação precária, mas vale lembrar que os bolivianos são gente como a gente, tá? São também nosso povo, são latinos, são humanos e merecem respeito com todas as adversidades que se possa ter, pois eles seguem firmes e honrando sua identidade.

Creio que sempre há uma distinção pelo fato das pessoas separarem o Brasil da América do Sul por questões linguísticas, colonização e imigração com consequências culturais mistas de distintos povos. Mas possuímos muitas semelhanças relacionadas à ancestralidade indígena da América.

Como nos sentimos quando um estrangeiro vem ao Brasil e só conhece o Rio de Janeiro e depois quer classificar todos os brasileiros como se fossem cariocas? Onde está samba no pé? Digo o mesmo se você for à Bolívia e só conhecer o Salar de Uyuni, se for ao Peru e só conhecer Macchu Picchu, se for para França e só conhecer Paris.

Reconheço que muitas vezes somos reféns do tempo curto de férias e quando se faz o planejamento de uma viagem só consegue escolher os lugares mais famosos recomendados por outras pessoas visando principalmente belezas naturais, conforto e facilidade de acesso. O meu melhor conselho: Olhem tudo com mais delicadeza, escolham lugares para conhecer de maneira mais empática e procure se aprofundar mais. Digo isso, porque acredito que o turismo mal feito não contribui com o crescimento coletivo, apenas enriquece grandes empresas. Você conhece tudo de forma superficial com um tour planejado por agências de turismo para ter a sensação de segurança – enquanto a empresa que oferece tours, lucra sem contribuir com o desenvolvimento do pequeno, do local, ou até mesmo com o seu crescimento naquela oportunidade.

Hoje venho recomendar que você conheça outras cidades na Bolívia não tão turísticas, mas que contam com uma certa infraestrutura que irá te deixar mais seguro. Ressalto que sim, o Salar de Uyuni é incrível, é uma maravilha natural do mundo, mas o país é muito grande para só lembrarmos dele.

A Bolívia é um país onde o principal cenário acontece nas ruas, tudo e todos interagem nesse palco. O comércio acontece espalhado pela rua com o pequeno comerciante vendendo seus produtos. O capitalismo chegou, mas de maneira diferente: Não há grandes redes de supermercados e mesmo que se tenha produtos importados, muambas chinesas e industrializados de multinacionais são vendidos pela própria população em tendas similares as feiras livres no Brasil ou então, em grandes mercados centrais que se parecem muito com os camelôs brasileiros.

A cara da Bolívia é feminina, a sagrada Pachamama, Mãe Terra, pela qual eles nutrem muita fé. As cenas mais marcantes estarão presentes na figura da mulher e é possível vê-la por todas as partes com seus longos cabelos trançados, saias até o tornozelo e longas meias claras com um sapato bem engraxado. Elas estarão no comércio, nas ruas, por todos os lados. Seus filhos costumam seguir seus passos e estarem sempre próximos.

A Bolívia mesmo sendo um país machista se apresenta mais matriarcal. A população se mostra fechada e um pouco assustada com estrangeiros – eles são muito dedicados ao núcleo familiar e nós parecemos muito diferentes dos valores praticados por eles, mas ainda sim, é possível conhecer pessoas nem que seja de forma sutil, tirando um tempo para observar seu comportamento e os dentes de ouro mastigando folhas de coca.

Um conselho de uma viajante de longa data: Não tire fotos de pessoas sem a devida autorização, pois elas não estão lá para serem expostas como se fossem animais de um zoológico (eu também não gosto de zoológicos). Respeite o espaço de cada um.

Leia também: As diferenças entre La Paz e Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia

Se você estiver pensando em ir à Bolívia e tiver tempo para explorar o país, não deixe de considerar os 4 destinos que considero interessantes e merecem ser visitados.

Potosí

Desfile religioso em Potosí. Foto @mirellarruda

A segunda cidade mais alta do mundo, enriqueceu no passado pela extração de prata de uma serra chamada Cerro Rico. Foi tomada por espanhóis que realizaram a exploração e no decorrer do tempo, a prata que era abundante chegou a sua escassez. Hoje, a cidade é pobre, mas mantém sua exuberante infraestrutura arquitetônica. A mineração é a principal atividade econômica seguida pelo turismo. Aí eu me pergunto: Para que fazer um tour em uma mina? Contribuir financeiramente com esse trabalho precário no país que coloca muitas pessoas em situações de risco? Acredite, há coisas mais interessantes para se fazer na cidade como observar e conhecer suas construções e águas termais.

Sucre

Mercado Central de Sucre. – Foto @mirellarruda

A Capital Constitucional da Bolívia, fora disso, a vida segue normalmente.

Fundada pelos espanhóis em 1538, é possível notar a presença colonial nas pequenas ruas de pedra, casarões e igrejas da época. As praças, diziam meus amigos que conheciam a Espanha que eram muito semelhantes às espanholas.

A cidade também é um forte polo universitário que conta com estudantes de todo país. Mas o que mais me chamou atenção foi o Mercado Central, onde eu, se não tivesse ficado doente na época, teria passado mais tempo. Às vezes, tirava algumas horas e ficava parada só observando as pessoas. O mercado é um grande shopping só que mais orgânico, sem hierarquias, simples e expressivo.

O açougue sem fiscalização, as carnes penduradas sem refrigeração – motivos que por vezes levam muitos estrangeiros a adoecer por conta da intoxicação alimentar que para os próprios bolivianos é apenas detalhe. O mercado é a cara do país – é intenso, tem uma concentração energética e é um local onde crianças correm de escada a escada enquanto a mãe vende verdura e limpa a mão suja nas saias. Não tem luxo e ele não faz falta alguma. É uma abundância de aromas, texturas e cores que faz do mercado um universo independente.

La Paz – Paradoxal

Vista do teleférico de La Paz, um importante meio de transporte aéreo que ajudou a diminuir o fluxo terrestre. – Foto @mirellarruda

Creio que seja uma das cidades mais autênticas que já conheci, pra mim, nada se assemelha a essa cidade. A famosa Cidade Maravilha deixa orgulhosa sua população por esse título.

Tudo é muito próximo, muito apertado, muita gente na rua, muito carro, muita casa empilhada; é tudo muito, não existe pouco – o paradoxo está no ”amo ou odeio” e eu respeito. Confesso que não viveria na cidade porque não dispõe dos recursos que me interessam, mas nem por isso achei ela horrível, muito pelo contrário, acho que ela é realmente maravilhosa por toda sua autenticidade.

Contando com seus morros, clima seco, escassez de árvores e casas com seus tijolos à vista de uma presença marcante de roupas coloridas, seu povo que bate no peito para dizer que é Bolívia e que em cada esquina faz viva para suas crenças. Você também não conhecerá a cidade se não passar pela Rua das Bruxas, a mamita, a matriarca da família que é a essência viva da Bruxa que se mostra na rua que leva seu nome. Não se assuste com o feto de llama em vidro, pois para eles isso é um culto a fé, uma oferta a Pachamama (Mãe Terra) que traz sorte.

Copacabana – Isla Del Sol e uma natureza incrível

Pôr do sol na orla de Copacabana. – Foto @mirellarruda

Esses são os povoados localizados às margens do Lago Titicaca, o mais alto do mundo. De um azul da cor do mar onde não se vê fim. Quando cheguei em Copacabana, eu estava realmente muito feliz porque tinha me curado depois de ter passado um longo tempo doente viajando pelo país, então estava desfrutando de um estado de felicidade e harmonia com meus amigos de viagem – tudo isso foi realçado pela beleza local. Um lugar muito simples e acessível financeiramente.

Copacabana tem um pôr do sol inesquecível às margens do lago, com o sol se despedindo e sombreando os pequenos barcos atracados. E aí a minha exceção, o barco turístico para chegar até Ilha do Sol (Isla del Sol), vale a pena ser utilizado pela vista da paisagem e para conhecer o povoado nativo que vive por lá.

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2 comentários

Letícia Protector Junho 12, 2018 at 6:47 pm

Concordo totalmente que há muito mais por aqui do que ‘apenas’ o Salar de Uyuni!!! Ainda existe um outro lado na Bolívia, com paisagens diferentes! Morar em Santa Cruz de la Sierra, por exemplo, é bem diferente do que seria morar em La Paz!
E, sim, há grandes redes de supermercados por aqui, mas restritas às grandes cidades… Boa parte da população ainda faz suas compras no que seriam os mercados municipais brasileiros, uma grande feira livre!

Resposta
Mirella Cristina arruda Junho 14, 2018 at 10:24 am

Siim, eu acredito que exista outras lindas cidades para se incluirem nesse post mas foram apenas essas que conheci.. Inclusive os grandes super mercados só os vi em Santa Cruz. 😉

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