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A culinária dominicana

Vamos conhecer um pouco a culinária dominicana?

Se tem uma coisa que eu sinto falta do Brasil, sem dúvida é da culinária. Porém, por viver em um país do Caribe, confesso que não senti um impacto tão grande nos hábitos alimentares quando cheguei aqui.

Não demorou muito, e descobri que é possível não somente agregar novos hábitos, como também adaptá-los à forma com a qual estamos acostumados a nos alimentar. E é um pouco disso que venho contar para vocês nesse artigo: a forma do dominicano se alimentar e como eu me adaptei.

O jeito dominicano de se alimentar

A culinária dominicana é conhecida como “cocina criolla”. Tem origem espanhola, porém foi desenvolvida na América, com influência indígena e africana.

Além disso, consome-se muitos peixes e frutos do mar no geral. Acho que nunca comi tanta lagosta na minha vida! Encontra-se facilmente também a maioria das frutas, legumes e verduras que temos no Brasil.

Um ponto que me chama atenção e até me assusta, é o alto consumo de sanduíches, frituras e refrigerantes. Percebi que o último, por exemplo, foi a única opção de bebida em quase todos os aniversários que já levei minha filha, que está em idade pré-escolar.

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Mas voltando à culinária local, cada região do país consome pratos específicos. Vou citar aqui apenas alguns dos mais típicos, a começar pelos chamados “Platos Fuertes” (pratos principais):

  • Mangú: Normalmente consumido no café da manhã, é um purê de banana da terra verde, com cebolas roxas, queijo e salame frito. Também é possível servir com ovos fritos.
  • La Bandera Dominicana: Uma porção gigante de arroz, feijão e carne (vermelha, de frango ou de porco). Pode ser acompanhado de salada com abacate e tostones (bananas fritas em rodelas). Aliás, o arroz é um caso à parte, com muitas variedades. Entre elas estão o locrio, que é semelhante à paella espanhola, e o arroz con mango (arroz com manga) consumido em algumas regiões do país.
  • Sancocho: Comum em muitos países da America Central e Caribe, esse prato tem uma importância simbólica, preparado em ocasiões especiais, como a véspera de Ano Novo. É uma sopa de raízes e carne. Combina carne de frango, carne de porco, mandioca, inhame e milho, entre outros. Há quem diga que cura até ressaca.
  • Pastel em Hoja: Embora seja muito comum servi-los no Natal, também é possível encontrá-los durante todo o ano. Parece a pamonha, mas é feito com massa de banana, recheado de carne e envolvido na folha de bananeira.
  • Empanadas Dominicanas: Uma versão dominicana do nosso pastel. Recheado de diversos sabores, como carne, frango, queijo, porco e frito na hora. Bom para matar a saudade do pastel de feira!
  • Pescado com coco: Peixe cozido com leite de coco. Aliás, o coco é muito usado na culinária local. Lembra a nossa moqueca de peixe. Muito encontrado em vilas de pescadores e restaurantes de cidades costeiras.
  • Pescado frito: O peixe frito é o prato principal nas barraquinhas de praia. Serve-se acompanhado de tostones, abacate e yaniqueque, que é como uma broa frita, fina e redonda.
  • Mofongo: Apesar de ser original de Porto Rico, existe uma versão dominicana desse prato de purê de banana da terra verde com alho e carne de porco ou camarão.
  • Pica Pollo: Frango frito (também pode ser empanado) muito popular nos restaurantes pelas estradas.

Muitos pratos, principalmente as saladas, levam abacate. Até mesmo em restaurantes especializados na culinária japonesa, os sushis têm esse toque dominicano. Eles reagem com total surpresa e indignação quando digo que abacate é uma fruta e que eu gosto de comer com açúcar, ou batido com leite. Posso escutar um sonoro: “Estás loca?”

Falando um pouco dos doces e sobremesas:

  • Habichuela Dulce: Essa me causa estranheza sempre que vejo. Mas a habichuela dulce está para os dominicanos como o brigadeiro está para os brasileiros. Arrisco dizer que é a sobremesa mais original e consumida por aqui. Trata-se de um creme de feijão vermelho feito com ingredientes como o leite condensado, açúcar, cravo, canela, leite de coco, passas, e outros. É consumido principalmente durante a Páscoa. E para acompanhá-lo, é servido biscoito de leite.
  • Dulces (Doces): Doce de leite puro em pasta, ou recheado com frutas como laranja, goiaba, etc. Doces de frutas também são comuns.

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Sobre as bebidas:

  • Mamajuana: Bebida tipicamente dominicana. São vendidas em quase toda parte: lojas de souvenirs (lembranças típicas), restaurantes, e mercados. É uma forte bebida à base de ervas, feita a partir de uma mistura fermentada de cascas de árvores curadas, vinho tinto e rum. Cuidado: contém um alto teor alcoólico, e é uma bebida afrodisíaca!
  • Cervejas: Várias cervejas são produzidas no país, incluindo cervejas artesanais encontradas em muitos lugares aqui. A marca mais popular é a famosa Presidente, conhecida no mundo todo e fabricada pela Cervecería Nacional Dominicana desde 1935.
  • Rum: O rum dominicano é mundialmente conhecido e produzido por grandes marcas. As duas mais populares são o Brugal e o Barceló. Além destas também existem as marcas Bermúdez e Macorix.
  • Sucos de frutas: De todos os sabores, por exemplo, suco de maracujá (ou Chinola, como é chamada a fruta), e caldo de cana são comuns o ano inteiro! Existe também um tipo de milk-shake feito com leite condensado, uma opção de fruta fresca e açúcar adicionado a gosto.

Adaptação ao jeitinho brasileiro

Sim, é possível se alimentar com o que temos. O feijão e arroz de cada dia, está garantido. Carne também, apesar dos cortes terem nomes bem diferentes, o que ainda me causa certa confusão. Mas como não sentir saudades da comida brasileira? Adoraria trazer na mala tudo que não encontro aqui: catupiry, farinha, calabresa, requeijão, carne seca, tapioca, entre tantos outros. Porém, o medo de ser barrada no aeroporto não me permite. Pensando nisso, fui buscar alternativas para usar na minha cozinha. E confesso que entre a República Dominicana e o Panamá (país que morei antes de vir para cá), aqui foi onde encontrei mais opções para adaptar. Entre as que mais me fizeram feliz, estão:

  • Polvilho para fazer tapioca e pão de queijo: O polvilho normal, como era feita a tapioca no Brasil antes de ser vendida pronta nos supermercados. Nada que uma ligação para a mãe, ou um tutorial na internet não ensine a fazer.
  • Calabresa defumada: Encontrei uma marca italiana no supermercado, não é igual, mas é muito similar. Já usei várias vezes e substitui muito bem!
  • Castanha de caju: Igual a nossa, porém bem cara!
  • Queijo coalho: O “queso de freir” (queijo de fritar), é encontrado em qualquer supermercado e muito comum na alimentação dominicana. Acompanha o Mangú, por exemplo. Para fritar, basta deixar alguns minutos na frigideira sem óleo. Fica menos consistente que o nosso queijo coalho, porém é bem satisfatório.

Por fim, espero com mais esse texto, ajudar pessoas que possivelmente estejam vindo para o país, a esclarecer dúvidas que eu tinha e que só resolvi ao chegar. Uma vez aqui, desfrutem da culinária que é forte e marcante, experimentem o novo, e levem na bagagem da vida muitas histórias para contar. Até a próxima!

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2 comentários

Rafael Maio 21, 2019 at 8:20 pm

Ótimo texto Taiane!
Tu poderias falar em algum texto a respeito da segurança na República Dominicana, no ponto de vista de residente? Obrigado!
Abraço

Resposta
Taiane Mazzé Maio 21, 2019 at 9:07 pm

Muito obrigada, Rafael!
Sim, em breve publicarei um texto falando sobre a segurança no país. Abraços!

Resposta

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