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República do Congo

A minha chegada na República do Congo

Quais providências tomar antes de mudar para o Congo?

Antes de tudo, devo lhes informar que somos uma família franco-brasileira. Então, antes de virmos para cá, passamos três meses na França para fazer todo o procedimento de visto, assim como colocar as vacinas em dia. Como a minha filha tem 3 anos, foi necessário verificar todas as vacinas que eram obrigatórias e que ela ainda não havia tomado. Devido a isto, marcamos consulta com um médico especialista em doenças tropicais e contagiosas, um infectologista, e também com um centro de saúde especializado em pessoas que vivem viajando.

Quando fomos para a Arábia Saudita, a minha filha tinha apenas 9 meses. Por isso, ela não pôde tomar a vacina da febre amarela, que é aconselhada somente para crianças acima de 2 anos.

As mulheres grávidas que não estiverem com as vacinas exigidas em dia, não podem tomar vacinas durante a gravidez, assim não terão os seus vistos concedidos até que possam as tomar.

Geralmente, as mulheres se mudam para o Congo com os bebês a partir de 2 meses de idade, mesmo sem terem tomado a vacina da febre amarela. Contudo, os pais devem tomar determinados cuidados, assim como não sair com as crianças de noite, pois é o período em que os mosquitos mais atacam.

Vamos para o Congo, On y va! Prontos!

Minhas primeiras impressões. O início da Saga África!

Chegamos no Congo, na cidade de Pointe Noire (Ponta Negra em português)! A partir de agora vamos começar uma nova aventura que a vida reservou para nós três. Uma coisa que aprendi com as minhas mudanças, é que não importa o lugar onde vivemos, se não sabemos explorar o melhor que ele tem a nos oferecer.

Ao chegar no Congo, ficamos hospedados em um hotel, até que o nosso apartamento ficasse pronto. No dia seguinte, a minha filha já começava na nova escola.

Bonjour, c’est notre premier jour!

No nosso primeiro dia, acordamos cedo para levar a Mel à escola e assim o meu esposo me mostraria o caminho. O hotel que estávamos, fica situado no centro da cidade. Como ainda não tínhamos carro, pegamos um táxi. Aqui em Pointe Noire, os táxis custam mil francos, para qualquer distância dentro da cidade. 1 Real brasileiro vale 171 Francos CFA

Pelo caminho, eu fui observando toda a cidade e, pelo que vi, achei um pouco parecido com algumas regiões do Brasil. Quando eu estava me mudando para um país africano, todos os tipos de clichês e apreensões surgiram na minha cabeça e na de pessoas do meu convívio. Com o passar do tempo, todas as apreensões foram se dissipando.

Já que estávamos hospedados em um hotel, começamos a primeira semana de moradia experimentando os restaurantes que nos foram indicados. Chegamos a ir em um restaurante tradicional congolês. Alguns ingredientes que estão quase sempre presentes na mesa dos congoleses são: aipim ou mandioca, batata doce e banana da terra.
Por aqui temos uma variedade de restaurantes com especialidades diversas, tais como italianos e até mesmo indiano, porém falaremos sobre eles mais para frente.

O que eu descobri em Pointe Noire

Uma noite fomos jantar em um novo restaurante, quando de repente eu vi um letreiro luminoso. Era um Cassino. Por aqui há vários cassinos espalhados pela cidade. Achei um pouco contraditório com o contexto do país.

O chefe do meu esposo me falou sobre um grupo de expatriados anglófono, chamado PINC Pointe Noire. É uma comunidade internacional, em que a maioria dos membros falam inglês. Os membros desse grupo se preocupam com o bem estar das famílias de expatriados e também com a comunidade local.

Ao fazer parte dessa comunidade, comecei a fazer uma atividade física em grupo, que me auxiliou muito na minha adaptação. Ao ir em um evento realizado para as crianças , pude conhecer novas pessoas, que me foram muito simpáticas e agradáveis.

Ao longo da praia denominada Côte Sauvage (Costa Selvagem, devido o mar ser muito agitado), há parques infláveis para as criança brincarem enquanto os pais contemplam a natureza. No final da brincadeira, uma caminhada na beira da praia é uma atividade que não dispensamos.

Há dois restaurantes de frente para a praia. Até então, o lugar que mais gosto de ir é o restaurante La Pyramide, pois tem um parque para as crianças brincarem antes de comer.

Nesta mesma praia, podemos encontrar dois clubes de lazer e atividades físicas. Um deles tem uma bela piscina de frente para o mar. O pôr do sol na piscina é muito agradável.

Uma aventura de final de semana

No nosso primeiro final de semana morando no Congo, o meu esposo quis ir conhecer uma praia localizada na cidade de Loango, fica no máximo a 40 minutos do centro de Pointe Noire. A praia tem o nome de Pointe Indienne (Ponta Indiana).

Fomos de taxi. O valor da corrida foi de 10 mil francos, ida e volta. Ao longo da estrada, havia partes asfaltadas e outras de barro. A vista tinha muitos contrastes. Havia casas bonitas e bem construídas, assim como casebres e até mesmo casas de pau a pique. Faltava muito pouco para chegarmos na praia, quando de repente o taxista foi parado pela polícia. Como ele tinha um problema nos documentos, ficamos esperando meia hora até que resolvesse tudo.

Quando finalmente chegamos na estrada da praia, o motorista pegou uma rua de areia e ficamos atolados. O motorista, que era muito preguiçoso, ficou inerte, não tomava nenhuma atitude, sendo que o meu marido estava dando uma solução. Como eu não aguentava mais ver o homem não se movimentar, resolvi falar: Meu senhor, movimente-se! Vamos fazer algo, senão ficaremos aqui até não se sabe quando.

Não sei dizer se foi sorte, no entanto apareceu um rapaz que ao ver a nossa situação, se ofereceu para nos ajudar. Assim conseguimos sair da areia. No final o rapaz queria que o pagássemos pela ajuda, pois aqui quase nenhum congolês ajuda pelo sentido da palavra, mas sim visando receber algo em troca.

Como já estávamos a 500 metros da praia, fomos andando. Porém chegamos numa praia vazia até encontrarmos dois italianos, que nos informaram que deveríamos andar um pouco mais em direção ao norte, para chegar num restaurante que ficava na beira da praia. Fomos andando pela praia durante 10 minutos, e um cachorro começou a nos acompanhar. Depois passamos pelo quintal da casa de um francês que ficava na beira da praia, e que nos disse que não estávamos longe. Até que chegamos no restaurante.

O cenário era realmente lindo e um lugar muito natural, um paraíso. Neste restaurante, comemos um peixe fresco grelhado, pescado ali mesmo na praia. E no final, depois de ter passado o dia inteiro na praia, o restaurante nos encontrou um outro taxista, com um carro que havia suspensões altíssimas, que passava em qualquer tipo de terreno. Ao chegarmos em casa, relaxamos e então rimos da situação.

Detalhe: nós nunca ficamos atolados na areia na Arábia Saudita, mas no Congo sim.

 

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5 comentários

Lenira Bonavides Janeiro 3, 2018 at 10:29 pm

Adorei o texto! Muito interessante!

Resposta
Jacira Ferreira Normand Janeiro 22, 2018 at 9:53 pm

Fico contente que tenha gostado Lenira. Beijos

Resposta
bia Janeiro 7, 2018 at 11:14 am

excelente texto. ?????

Resposta
Jacira Ferreira Normand Janeiro 22, 2018 at 9:51 pm

Obrigada Bia, espero que continue lendo os meus textos. Beijos

Resposta
Val Março 6, 2019 at 3:05 pm

Ola Jacira, adorei sabes deixas-te mais tranquila vou mudar me para ponta negra e logico nao sabia nada. Obrigada

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