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A Nova Zelândia é um País Receptivo ao Imigrante?

Imigrante na Nova Zelandia

A Nova Zelândia é um País Receptivo ao Imigrante?

Esta pergunta fez parte da minha lista e de minha família quando escolhemos nos mudarmos para a Nova Zelândia e,  certamente, deve fazer parte da lista de perguntas de muitos (potenciais) imigrantes.

Só conhece bem as alegrias e tristezas da imigração quem viveu isso na pele, porque implica em muitas coisas: abrir mão da nossa vida, de tudo o que a gente conhece e construiu ao longo de muito tempo, se aventurar por um mundo completamente novo e cheio de muitos mistérios e dúvidas, uma cultura completamente diferente, sem contar a distância da nossa família e nossos amigos.

Já contei aqui um pouco sobre como foram os meus primeiros passos e algumas curiosidades para quem chega no país no meu post “Os primeiros passos e costumes morando na Nova Zelândia” aqui no BPM.

Ainda que haja muito medo e muitos receios, ao chegar aqui encontrei um ambiente muito receptivo, com muitos imigrantes e muito suporte do próprio governo para que possamos nos integrar. Também pudera: o país, uma ilha isolada do mundo todo, no sul do Oceano Pacífico, tem uma história de ocupação totalmente construída por imigrantes.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Nova Zelândia

Um pouco da História da Nova Zelândia e dos Imigrantes

De maneira muito simplificada e resumida, e somente para dar um contexto, vou contar um pouco sobre como a Nova Zelândia foi ocupada ao longo do tempo.

Os povos Maori foram os primeiros a habitar o país, chegando por aqui cerca de 1 mil anos atrás. Vieram de alguma outra ilha no sul do Pacífico, navegando e orientados pelas estrelas. Outros seguiram seus passos e ocuparam as ilhas de norte a sul, organizadas em tribos (chamadas “iwi” em maori). Desenvolveram sua cultura, se adaptaram e construíram vilarejos.

Por volta de 1642, um explorador holandês em busca de minerais que diziam haver na região sul. Seu nome era Abel Tasman, e apesar de ter anexado as terras à Holanda (sob o nome de ‘Staten Landt’, depois mudada para “Nova Zelândia” por cartógrafos holandeses, ele nunca chegou a desembarcar por estas terras (há uma região chamada de “Zelândia” na Holanda).

Muito tempo depois, em 1769, o Capitão inglês James Cook navegava por estas bandas e avistou a Nova Zelândia (na região de Gisborne, na Ilha Sul). Ele, sim, circunavegou e mapeou o país, e liderou mais duas expedições por aqui.

Neste meio tempo, somente alguns baleeiros, caçadores e missionários vieram ao país, e somente em 1840 chegaram os primeiros colonizadores europeus, que mantiveram comércio e contato constante com os povos maori, chegando, inclusive, a viver junto a eles.

Nos séculos 19 e 20 houve muita influência britânica e irlandesa no modo de vida e no desenvolvimento local (até hoje são membros do British Commonwealth e recebem visitas oficiais da família real britânica), mas o país mantém uma identidade única, com a mistura da influência de tantas culturas.

A Navegação e a imigração são elementos-chave na história e na cultura do país até os dias atuais.

A segunda (ou terceira?) leva de imigração para a Nova Zelândia recomeçou com força após a Segunda Guerra Mundial. Mais britânicos (em sua grande maioria), holandeses e outros europeus deixaram seu país e vieram tentar uma nova vida nestas ilhas do Pacífico.

Na década de 70 havia pouca mão de obra e isso impulsionou a vinda de mais imigrantes, sobretudo de outras ilhas do Pacífico (como Tonga, por exemplo), além de refugiados vietnamitas.

Em meados da década de 80 criaram uma categoria de visto para imigrantes qualificados (por profissão e estudos) e liberaram a entrada de novos imigrantes e refugiados indo-chineses.

Nos anos 2000, anualmente as levas de imigrantes tiveram grande crescimento e trouxeram para cá milhares de pessoas das mais diferentes origens e culturas (como África do Sul, Índia, Fiji, Coréia, entre tantos outros, inclusive o Brasil, além dos europeus e norte-americanos), sempre atreladas à necessidade de atrair levas de trabalhadores qualificados para áreas onde havia mão de obra escassa. É assim até hoje.

Afinal, quem são os Neozelandeses?

Na verdade eles se chamam de “kiwis” em referência ao pássaro típico do país e que só existe aqui (por sua semelhança, ele deu o nome também à fruta que tanto conhecemos). Os kiwis são os cidadãos do país, mas muitos deles nasceram em diferentes lugares.

Segundo o último censo, de 2013 (o de 2018 deve sair a qualquer momento), a grande maioria é de etnia européia, seguida pela maori, asiática e de povos do Pacífico.

Fonte: Censo da Nova Zelândia, 2013

Leia também: Por que morar na Nova Zelândia?  

Trata-se de uma grande e saudável mistura de culturas, o que, na minha visão, torna o país tão aberto, acolhedor e respeitoso.

Há algumas décadas eles vêm recebendo refugiados e acabaram de ampliar a cota anual de 1000 pessoas para 1500 pessoas em 2020. Num país com pouco mais de 4,5 milões de habitantes é uma cota considerável.

Ao todo, o país recebe, em média, mais de 70 mil imigrantes por ano (pessoas com a intensão de ficar por mais de 12 meses).

Este número tende a cair bastante, já que as regras de imigração sofreram grandes mudanças nos últimos anos e ficaram um tanto quanto mais restritivas, focando em qualificações profissionais nas quais eles têm falta de mão de obra local, o que faz todo o sentido. Neste post da Rosana Melo ela conta sobre “As Mudanças no Processo de Imigração da Nova Zelândia“.

E os Brasileiros vivendo na Nova Zelândia?

O grupo étnico de latino-americanos tinha um total de 13.179 pessoas (menos de 1% dos que declararam um grupo étnico) na Nova Zelândia em 2013 (82,6% nascido no exterior).

Ainda segundo o censo de 2013, havia 2.868 brasileiros morando por aqui, número este que mais que quadruplicou desde 2001.

Tenho grande convicção de que este número, atualmente, seja mais do que o dobro, dado o crescimento no número de imigrantes nos últimos anos (e ao crescimento da comunidade brasileira). Aguardemos os números oficiais.

Dentre os brasileiros identificados pelo censo, cerca de 67,3% viviam na Ilha Norte, 75,6% em áreas urbanas, e as cidades preferidas: Auckland (42,1%), a região de Canterbury (14,4%) e a região de Otago (13,3%).

Agora voltemos a pergunta inicial…

A Nova Zelândia é um País Receptivo ao Imigrante?

As autoridades combatem o racismo, o preconceito e garantem os direitos humanos e universais aos imigrantes.

Há inúmeras iniciativas para dar suporte e integrar o imigrante, como por exemplo New Zealand Now, New Kiwis e Immigration NZ (sites oficiais do governo) e a ONG ARMS.

Baixe aqui o PDF com os direitos dos Imigrantes na Nova Zelândia.

Mas e como é a receptividade ao imigrante na prática?

Com tantas levas de imigração ao longo da história, miscigenação, (relativa) abertura e receptividade, a Nova Zelândia é um país que, definitivamente, acolhe seus imigrantes e dá a eles o direito de viver sua língua, sua cultura, e se integrar à comunidade.

As dificuldades de imigração e adaptação são inerentes à condição, e fazem parte de qualquer mudança de local, língua e cultura. Haverá muitos altos e baixos, alguma dificuldade sobretudo no início, uma mudança completa de referências e informações em relação ao que tínhamos antes em nossas vidas. Mas com perseverança e determinação, é possível se adaptar e se sentir como um cidadão local, com o tempo.

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