A Suíça é segura?

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Zurique (foto: arquivo pessoal)
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A Suíça é segura?

Desde que saí do Brasil para morar no norte da Itália, em 2006, já notei diferença em relação à segurança, mas foi aqui na Suíça que me surpreendi e realmente fui senti-la reinando ao meu redor. Por várias vezes fiquei boquiaberta diante de certas situações e, confesso que ainda hoje este país continua me surpreendendo!

Existe por aqui uma confiança que eu jamais tinha visto em outro lugar. Não que absolutamente todos os suíços sejam íntegros, mas não é da cultura deles o famoso “jeitinho” e esperteza visando levar vantagem, não estão acostumados com isso, no geral são corretos, obedecem às leis e respeitam o próximo.

Além disso, outra coisa tão importante quanto, é que mesmo existindo classes sociais distintas, não vemos miséria como no Brasil. A classe mais baixa tem condições básicas para viver, ninguém mora nas ruas e as crianças têm acesso à educação. Certamente isso contribui bastante para a baixa taxa de criminalidade, embora os suíços digam, com razão, que ela tem aumentado devido à imigração pois, grande parte dos delitos são cometidos por estrangeiros.

Leia também: Mini favelas na Suíça? Não, Schrebergärten!

Considerando fatores como: taxas de homicídios, bem-estar material, níveis de criminalidade e terrorismo, gastos militares, entre outros; segundo o Índice Global da Paz, a Suíça está entre os 10 países mais seguros do mundo, ocupando o 7º lugar, enquanto o Brasil aparece em 105º no ranking de 163 países (em primeiro a Islândia e, em último a Síria).

Para compartilhar com vocês, listei 10 fatos (que vejo e/ou vivencio) que comprovam que a confiança e segurança ainda existem na Suíça:

1. Supermercados onde o próprio cliente registra a compra: existem duas grandes redes (Migros e Coop) onde o cliente pode registrar as compras e realizar o pagamento sozinho. Em alguns, usa-se um leitor de código de barras conforme vai pegando os produtos e, em outros basta passar os produtos no leitor do caixa no final das compras. Em ambos os casos, não tem nenhum funcionário por perto e o controle é randômico, ou seja, de tantos em tantos clientes, acende uma luz e a pessoa deve dirigir-se à um balcão para controlarem se tudo foi registrado.

Leitores de código de barras e caixas do Migros e Coop (arquivo pessoal)

2. Produtos e objetos do lado de fora: alguns estabelecimentos comerciais deixam produtos expostos do lado de fora, dia e noite, inclusive nos domingos e feriados em que o comércio não abre. Nem sempre têm câmeras de vigilância! E também bicicletas, patinetes e carrinhos de bebê são deixados nas calçadas em frente a supermercados, restaurantes e prédios, sem nenhum cadeado.

3. Entrega de pacotes: muitos pacotes entregues pelo correio não precisam de assinatura ao recebimento e, as caixas de correspondências possuem um compartimento maior para eles, que é acessível a qualquer pessoa já que não possui fechadura com chave ou cadeado. Se o pacote for grande demais e não couber nesse compartimento, pode ser deixado no chão, em frente à porta de entrada.

4. Crianças andam sozinhas nas ruas: vão sozinhas à escola a partir dos 4 anos de idade! Muito comum também vê-las brincando sem a presença de adultos. Além da segurança em relação à criminalidade, constatamos o quanto a consciência e o respeito às leis de trânsito também contribuem com a segurança.

5. Sistema pegue e pague (pequenos produtores): é muito comum encontrar venda de flores e outros produtos (frutas, ovos, etc.) de pequenos produtores que deixam tudo disponível para o cliente pegar e deixar o pagamento em uma caixinha, sem nenhuma vigilância.

6. Andar nas ruas à noite: as pessoas levam cães para passear, vão a pé à caixas eletrônicos, bares e restaurantes, tudo isso muitas vezes sozinhas. E também usam celulares, câmeras fotográficas, relógios, etc., tranquilamente.

7. Ministros andam sem guarda-costas: é possível vê-los a pé, de bicicleta ou trem sem a companhia de seguranças como acontece com políticos de outros países.

8. Janelas de carros: no verão algumas pessoas deixam os carros estacionados com as janelas abertas e pertences dentro.

9. Casas sem muros e janelas sem grades: casas e apartamentos térreos com portas e janelas imensas de vidro e acesso direto, como também varandas e jardins com pertences à vista, inclusive cortadores de grama robóticos de última geração (lê-se: caros!) girando sozinhos, livre, leve e soltos…

10. Objetos perdidos: geralmente ficam no lugar, no máximo colocam mais visível próximo ao lugar onde foi encontrado. Já cheguei a ver uma bolsa no estacionamento do supermercado, pendurada à espera da sua dona…

Bolsa perdida no estacionamento (arquivo pessoal)

Mas, é válido dizer que mesmo assim, por garantia, é bom ficar atento nas estações ferroviárias, aeroportos e aglomerações, principalmente nos centros urbanos, onde é possível a existência de certa delinquência. Dados divulgados pelo Departamento Federal de Estatística, afirmaram que em 2015 a maior incidência de roubos aconteceu em Neuchâtel, seguida de Genebra e Lausanne, enquanto Friburgo foi a cidade mais perigosa com maior taxa de crimes violentos. (Fonte: Swissinfo)

Leia também: 5 motivos para morar na Suíça

Acredita-se que o grau de segurança percebido pela população, fornece uma importante contribuição para a atratividade de um país, a produtividade dos cidadãos e o sucesso econômico de uma nação, já que a segurança reflete diretamente na qualidade de vida.

E reflete mesmo! Dentre tantas coisas, é muito bom poder caminhar tranquilamente pelas ruas nas noites de verão, passear despreocupada em um parque menos movimentado ou até mesmo parar em um semáforo, com as janelas abertas, sem medo de ser assaltada… a vida fica mais leve, o dia-a-dia menos estressante e, podemos apreciar coisas simples como crianças brincando na rua…

11 Comentários

  1. Bom dia! Sim, é verdade que a qualidade de vida na Suíça é muito alta e que a segurança funciona, entretanto sou muito cuidadosa com estas afirmações, pois há muitos turistas brasileiros que chegam ao país e pensam que podem ir ao banheiro no aeroporto e deixar suas malas em frente à porta, que nada acontecerá. Ocorre que aqui, aos meus olhos, as pessoas são muito cuidadosas e atentas ao que fazem e, diga-se de passagem, se houver negligência, o seguro não paga. Logo, se deixarem o carro aberto, a bicicleta sem cadeado ou a bolsa no banco do parque, podem ter sérios danos materiais e pessoais. E, vale lembrar, dano material aqui doi muito… A vida é boa, mas muito cara e qualquer perda material pode realmente atrapalhar muito o orçamento… Eu me lembro de um caso do meu vizinho que deixou o carro destrancado e roubaram-lhe tudo, inclusive as chaves de casa. Como em nosso prédio a fechadura é master, ou seja, uma chave abre tudo, a porta principal e a do apartamento, ele teve que pagar mais de Fr. 5.000 para trocar a fechadura do apartamento dele. Não foi muito legal, inclusive por que o seguro não computou nenhum ato violento de arrombamento no carro e, neste caso, recusou-se a assumir a responsabilidade… Quer dizer, aqui é seguro, assino embaixo, mas todos são muito cuidadosos, pois o descuido tem preço alto…
    Discordo no tocante à existência de câmaras. Existem sim muitas câmeras escondidas e, para não esquecermos, existe um controle social, muita gente observa os outros e, se houver suspeita, denunciam…
    Uma última contribuição a nível da alta segurança que pagamos como contribuintes: é proibido, na Suíça, que uma escola seja murada. O pátio da escola tem valor de espaço público e deve oferecer acesso 24X7 a quem quiser fazer uso dele para jogar, brincar ou simplesmente se sentar. Isto é gostoso, mas, ressalvo, quem paga é o contribuinte. E não é pouco. Mas funciona!

    • Olá, Deborah! 
      Realmente, como foi alertado no texto, é necessário ter cuidado em aeroportos. Eu já vi algumas pessoas (europeus pois, geralmente os brasileiros por costume são mais precavidos) deixarem malas do lado de fora do banheiro mas, aí acredito que vai do bom senso de cada um pois, mesmo que a Suíça esteja entre os países mais seguros, não quer dizer que a criminalidade não exista e, certos lugares naturalmente requerem maior atenção.
      Concordo contigo sobre os custos e a importância de não negligenciar, já em contrapartida ao seu ponto de vista, onde eu vivo sinto as pessoas bem relaxadas (tranquilas) e às vezes até muito inocentes em relação à atenção e cuidados com a segurança, ainda fico surpresa com tamanha confiança mas, acredito que depende da região e vários fatores como impactos do crescimento populacional, imigração, diferenças, etc.
      Sobre as câmeras, mencionei alguns estabelecimentos, não quis dizer que isso ocorre em todos os lugares mas, vou mudar a frase para não dar margem a erro na interpretação. Antes de escrever, ao perguntar à proprietária de uma loja sobre os produtos deixados fora durante a madrugada, quando nem o controle social ajuda já que todos estão dormindo, ela me contou que são 23 anos sem câmera e nunca teve problemas. Disse que se um dia isso acontecer, aí então vai pensar sobre o assunto mas, que por enquanto tanto ela como outros colegas comerciantes, preferem manter os antigos costumes e acreditar na honestidade das pessoas. Como citei no texto, estas são situações onde eu vivo. Muitas coisas podem variar entre as regiões e até mesmo entre cidades do mesmo Cantão. Em qual região você vive? É sempre válido ter visões e opiniões de outras partes da Suíça, muito obrigada por seu comentário!

  2. Pode parecer estranho o que vou dizer. Tenho 50 anos, ou seja, não me considero um idoso. Porém, ainda durante a minha vida, eu testemunhei um ambiente bem menos violento, especialmente em São Paulo, cidade onde vivo. Quando era criança (passei toda minha infância e adolescência no bairro do Tatuapé), ou seja, há cerca de 40 anos, eu ia sozinho à escola tranquilamente (escola pública), brincava nas ruas até de noite e no parque publico que ficava ao lado de casa, frequentava um clube público (isso mesmo, isso existia em São Paulo. Aprendi a nadar em uma piscina publica), fazia meus trabalhos escolares em uma biblioteca publica relativamente bem equipada (para a época), morava em uma casa (hoje, nem pensar em morar em casa) e um dos delitos mais frequentes que tínhamos noticia em minha rua, era roubo de roupas que as pessoas deixavam estendidas nos varais à noite. Muitas vezes esquecíamos e dormíamos com as janelas abertas e a porta de casa ficava aberta o dia inteiro, somente sendo fechada à noite. Eu e amigos tínhamos uma brincadeira de moleque. Andávamos pelas ruas testando carros estacionados, para achar alguns que os donos não tinham fechado as portas, por esquecimento. Era muito frequente isso, os carros não tinham alarme e quase nenhum fazia seguro. Nossa ideia era só ver quantos tinha esquecido a porta aberta. Nenhuma maldade… Porém, a coisa foi piorando, piorando, até degringolar de vez, como estamos nos últimos 20 anos. Há 40 anos atrás, se você perguntasse a uma pessoa que saiu do Brasil, qual o motivo da saída, com certeza, pouquíssimos diriam que era a questão da violência. Hoje, boa parte tem essa motivação entre as principais.

    • Olá Francisco,
      Muito obrigada por ler e comentar!
      Não é estranho, não, ao menos para mim! Meus pais e tios também viveram assim, como você descreveu. Já na minha infância, não era mais tão tranquilo mas, ainda pude brincar no parque público com meus amigos. Infelizmente, uma década depois, vi a minha cidade (Campinas) estampando os jornais por estar entre as mais perigosas do Brasil. E como você citou, depois a coisa só piorou no nosso país… É triste saber que as últimas gerações estão crescendo cercadas de grades e que a violência tornou-se motivo para deixar o país. 🙁

  3. Olá!!! Adorei vários textos seu que li por aqui…mas eu gostaria de saber uma coisa, um pouco mais específica sobre minha área de atuação: a Veterinária… eu não consigo encontrar informações mais claras, por exemplo, apenas já vi que existem sim Clínicas e Hospitais, porém nada sobre as questões profissionais mesmo. Por acaso vc conhece algum (brasileiro ou não) que seja Vet por aí??
    Obrigada!!!
    Tudo de melhor sempre!

    • Olá, Tathiana!
      Agradeço pelo comentário e por nos acompanhar.
      Infelizmente não consigo esclarecer tuas dúvidas pois não conheço nenhum veterinário estrangeiro aqui.
      Talvez você possa buscar informações através deste site: orientamento.ch
      Mais uma vez obrigada e tudo de melhor a você também!

  4. ola galileu tenório eu tenho vontade de visita muitos pais para conhecer as segurança como são o brasil flata lei severa para a segurança tudo jovem trabalhando o preso o solto

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