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Psicologia

Adaptando-se à mudança de planos

Adaptando-se à mudança de planos

Muitas de nós, quando tomamos a decisão de mudar de país, temos em mente algum plano, no sentido do tempo ou objetivo relativo à mudança: algumas pensam que a experiência será temporária, por conta de um contrato de trabalho ou período de estudo; outras já pensam que a intenção é de que seja “para sempre”, pois já não se identificam com algo no Brasil e resolvem partir de cabeça no plano da imigração.

Conversando com uma amiga sobre esse assunto, ficamos pensando sobre como a vida, apesar dos planos que fazemos, pode nos surpreender e, muitas vezes, nos vemos em lugares e situações que jamais imaginamos que poderíamos estar. Para alguns isso pode ser desesperador, mas para outros (no caso, eu me enquadro nesse time) isso pode ser um sinal de que estamos vivos!

Lembro que, no dia da minha formatura, nossa paraninfa deu um exemplo fantástico. Ela usou o exemplo de um eletrocardiograma que, para marcar que uma pessoa está viva, a linha vai para baixo e para cima e, apenas quando a pessoa já partiu, é que o exame fica em linha reta.

Como sou uma pessoa ansiosa (sim, sou psicóloga e tenho meu lado muito humana!), eu sempre quis ter as coisas muito bem organizadas e, por muito tempo, tentei lutar para que as coisas seguissem em linha reta, de acordo com o programado, mas, a vida sempre vinha me mostrar que não era eu quem mandava, que existiam planos maiores do que os meus e que tudo, aos poucos, acabava se encaixando de um jeito que eu jamais poderia imaginar. A vida segue, os planos mudam, os imprevistos acontecem, novidades surgem e, voltando ao exemplo do eletrocardiograma, isso é um sinal de vida!

Pensando nisso e na conversa que tive com a minha amiga, venho refletir sobre como, muitas vezes, nos pegamos pensando em detalhes de um futuro que ainda não chegou e deixamos de viver o único momento que realmente temos: o momento presente!

Pode parecer algo meio clichê, mas a verdade é que se pensamos demais no futuro, o presente passa. Vivemos de felicidades que serão vividas e perdemos os momentos que estão pelo caminho, quando, de fato, podemos ser felizes.

Digo isso não só por questões mais drásticas, como a morte, mas também por situações que realmente podem nos surpreender, por oportunidades que aparecem pelo caminho e deixamos de ver por estarmos com o foco em outro lugar. Sabe aquela coisa de quando tal coisa acontecer eu serei feliz, eu estarei bem ou eu ficarei tranquila? A vida vai passando de “se…” em “se…” e “o agora” fica onde?

Contando um pouquinho da minha história (se você quiser saber com mais detalhes, tem tudo aqui nesse post, salvo a última parte, já que agora estou em Lyon!), eu sempre quis sair de São Paulo, mas jamais imaginei morar em Curitiba, sempre quis morar fora do país. No entanto, nunca pensei em passar um tempo na Suécia, comecei meu plano de mudança de país pensando no Canadá, muito embora nunca tenha pensado em vir para a França!

Olhando para tudo isso, dependendo do ponto de vista, parece que minha vida virou uma zona e tudo saiu do meu controle, mas, a meu ver, isso não quer dizer que meus planos não tenham dado certo e nem que eu não esteja onde eu gostaria. Na verdade, os meus planos sempre extrapolaram as questões físicas e geográficas, pois o que eu sempre quis foi estar bem comigo, com meu marido e em sintonia com aqueles que eu amo, independente do lugar, e isso, sem dúvidas, eu consegui!

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Pensando nisso, eu te convido a rever seus planos, não só se fixando nas questões logísticas que podem ser planejadas, mas, quem sabe, focando em quem você quer ser, o que você quer conquistar, como pessoa, e nos sentimentos que deseja cultivar. Tenho certeza de que essa mudança de ponto de vista pode te ajudar a ver a vida de uma outra forma, onde você vai poder ver valor nos pequenos detalhes do dia a dia e não nos “e se…” que ainda estão por vir.

Voltando ao primeiro parágrafo, algumas de nós conseguirão seguir o plano à risca de quando estava do Brasil e sonhava com a vida no exterior, seja ele o de continuar na cidade escolhida, com o emprego programado, ou o de voltar, exatamente, na data programada de quando a passagem foi comprada.

Já para outras as coisas irão mudar e oportunidades diferentes vão surgir e, como eu, você vai poder se ver em uma cidade que você jamais imaginou!

Mas, acho que para todas nós uma coisa teremos em comum: surpresas ao longo do caminho. Na minha opinião, o grande desafio é saber fazer das surpresas algo positivo que possa deixar a nossa vida mais interessante e não com a sensação de que tudo saiu do controle.

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1 comentário

Maria da Graça Suleiman Fevereiro 23, 2018 at 11:48 am

Amei! Acho a Júlia Lainetti, uma grande profissional! É cada vez que leio algum texto dela, agradeço à Deus de ter uma filha tão formidável e capaz e aprender tanto com ela e poder dizer que consegui ficar uma mulher que somente transmite boas mensagens e está no mundo para servir. Parabéns, Juju, minha princesa psicóloga francesa!

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