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Alimentação nas escolas e creches na Virgínia

Hoje vou contar para vocês a minha experiência com minha filha e a alimentação na escola/creche que ela frequenta aqui na Virgínia, EUA. Antes de mais nada, é bom mencionar o seguinte:

  1. Minha filha tem 2 anos e frequenta um híbrido de escola com creche, que foi a opção que encontrei por aqui onde moro, uma cidade relativamente próxima à capital dos EUA.
  2. Vou falar sobre a alimentação deste tipo de escola que atende crianças até os 5/6 anos de idade, desta forma, não tenho como dar meu parecer sobre alimentação nas escolas públicas para crianças a partir dos 5/6 anos.
  3. A minha alimentação e de minha família segue a linha de priorizar produtos naturais. Priorizamos os verdes, legumes, verduras e frutas. Assim como feijões, castanhas, ovos, ervas e óleos. Buscamos alimentos frescos, se possível orgânicos, e que saibamos a procedência.
  4. Também temos uma vida corrida, trabalhamos e precisamos ter opções rápidas – “fast food”. E o melhor “fast food” por mim é uma maçã! Ou um punhado de castanhas, ou ainda uma barra de cereais o mais saudável possível.
  5. Parece que sou radical, mas não sou, comemos coisas que não são saudáveis às vezes. Gosto de massas e pães, priorizo os integrais, mas uma vez ou outra como o refinado. Em aniversários comemos “cupcakes” (os famosos bolinhos daqui). Comemos pizza, aliás, fazemos pizza em casa e é um divertimento só! Quando comemos alimentos não saudáveis, comemos pouco. Trato de preparar comidinhas super saudáveis e deliciosas, porque não abro mão de uma comida gostosa e bem temperada! E para qualquer excesso, um bom suco verde resolve!

Considerando o que comentei acima, quando procurava por escola para minha filha, eu sabia que de um coisa eu não abriria mão: alimentação saudável no período em que ela estivesse por lá.

Visitei 5 escolas,  todas mais ou menos com o mesmo perfil, apenas uma com um valor muito superior em relação às outras e que tinha uma opção de alimentação parecida com a que praticamos.

Porém, dentro do nosso orçamento, escolhemos uma opção intermediária em termos de valores, com a promessa de que poderíamos “trabalhar” a questão da alimentação.

Ocorreu que não funciona bem assim…

Vou explicar: se seu filho (a)  tem restrições alimentares, alergias, ou mesmo doenças onde precisa de uma dieta específica, você deve levar um atestado médico que comprove isso e aí poderá mandar o lanche do seu filho (a). No caso da minha filha, ela felizmente não se enquadra em nenhuma das situações que citei, logo, não foi autorizada a levar seu lanche de casa, a escola não permite. O que  nos explicaram é que se ela não comia determinados alimentos servidos por eles, eu deveria ter uma recomendação do pediatra  para que, aí sim, ela fosse autorizada a levar sua merenda de casa. O sistema, as regras, as burocracias. Mas neste caso, muito discutível.

E assim fizemos, fomos ao pediatra e explicamos sobre a alimentação de minha filha que, por exemplo, não toma leite de vaca – eu a amamento e ela também toma leite de amêndoas que faço em casa. Tampouco come os processados e embutidos, como salsicha, hambúrguer e queijos diversos. O pediatra nos forneceu um atestado informando que, por motivos de alergia, precisaria levar sua comida de casa. Observem aqui que o pediatra não inventou nada, eu que precisei dizer que ela poderia ter uma reação alérgica caso ingerisse os alimentos que não costuma comer. Entenderam?

Aqui minha reflexão: o sistema te leva a criar uma história para que você possa mandar a comida saudável do seu filho (a) para a escola e assim ele (a) não come a comida totalmente artificial, que na maioria das vezes contêm conservantes, colorantes e muito açúcar refinado.

Eu confesso que fico triste e me sinto impotente vendo o que é servido para as crianças nas escolas e creches. No café da manhã, por exemplo, cereal cheio de açúcar refinado. O açúcar está em todas as refeições em excesso e muitas vezes escondido em molhos e conservas, fazendo com que os professores não consigam identificar que se trata de um alimento prejudicial a saúde das crianças e deles também!

A situação é crítica. Ao mesmo tempo que existe aqui nos EUA (e na verdade no mundo todo) a consciência para uma alimentação saudável, e existem inúmeras opções para tal escolha, existe o lado real, do dia a dia, que é inacreditável, e onde as escolas seguem servindo uma comida que não parece comida, enlatados, comidas cheias de conservantes e açúcares, embutidos, frituras aquecidas nos fornos e por aí vai.

As escolas seguem o diagrama do prato nutricional sugerido pelo governo americano, que inclui frutas, proteínas, laticínios, vegetais e carboidratos, mas a qualidade do que é servido e o fato de que alguns nem sejam comida de verdade, no mínimo, assusta. Vejam este excelente artigo aqui, publicado em 2015 por outra colunista do BPM com mais informações sobre esta questão dos alimentos nos EUA.

Uma outra questão é a social: minha filha, no começo, não estava se socializando porque não entendia o motivo de sua comida ser diferente, então ficava triste, não comia nada e observava os coleguinhas comendo e se divertindo. Eu vi isso, ninguém me contou. Aí precisei reconsiderar alguns alimentos que ela pudesse comer do menu escolar, assim como preparar versões saudáveis dos pratos servidos na escola. Para isso, toda sexta-feira o menu da próxima semana é enviado para mim e eu posso me organizar para preparar as minhas versões e minha filha pode se sentir parte do ritual das refeições.

Também tenho um diálogo muito aberto e saudável com os diretores da escolas e professores, que são ótimos e abertos a atender solicitações dentro das regras e possibilidades impostas pela direção corporativa da rede. Na maior parte das vezes, ela come a comida de casa, algumas vezes quer a comida da escola porque é criança, logo, é curiosa. Estamos em um caminho harmonioso.

Minhas dicas para um equilíbrio entre a sua alimentação e a da escola/creche:

  1. Diálogo sempre! Conversar, pesquisar, perguntar, criar opções, envolver o pediatra, se necessário, como foi no meu caso.
  2. Seja criativa e trabalhe junto com a escola na busca de alternativas que funcionem para você, sua família e a própria escola.
  3. Informe-se sempre sobre os alimentos, leia rótulos, coma mais verdes, mais frutas, mais alimentos naturais, menos processados.

Até a próxima! Caso tenha dúvidas ou queira perguntar algo, deixe um comentário aqui, ou me envie um email ([email protected]).

Beijinhos e muitas doses de Vitamina L.

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