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Camboja

Altos e baixos da vida de uma expatriada no Camboja

Vida de expatriada não é fácil, sabe? “Ahhh, mas foi você quem escolheu”. Sim, e não me arrependo! Mas ainda não sou um robô e tenho sentimentos. Tudo é mais fácil quando você tem alguém que fale a sua língua, que te entenda quando você fizer uma piada e que dê risada junto, enquanto beliscam algo e batem um papo. Eu tenho amigos gringos e saio com eles, mas eu sinto tanta falta de falar Português, de botar uma música brasileira e alguém cantar comigo. De assar um pão de queijo e comer com alguém que entenda o real sabor desse pãozinho tão amado por nós, brasileiros.

Há momentos em que nos perguntamos se não seria hora de voltar. Em qualquer decisão tomada, iremos ganhar e perder. E começa a tortura: “vale a pena deixar aqui tudo o que conquistei? Vale a pena um sentimento tomar conta da ação e sobressair à razão? Mas o que é razão, emoção, o que está em jogo, afinal?”.

O bom é que essa onda passa e, por mais que essas situações aconteçam, eu sei que eu estou bem. Eu aprendi que tenho a mim mesma. E essa nunca me abandona (viver sozinha é uma constante aprendizagem). Antes, pensava que a solução seria mudar para outro país, com uma comunidade de brasileiros, mas depois percebi que, se eu não estiver bem comigo mesma, eu posso ir para Marte e não estarei legal. Que seria uma fuga de mim mesma. E são nesses momentos “baixos” que temos que colocar a cabeça em ordem porque quando chegam os “altos”, aí é pura festa!

E o que seria da vida se ela não fosse uma caixinha de surpresas? Porque por mais que tentamos nos programar e planejarmos para algo, vem ela e apronta com a gente. Acredito que, quando você pede e pensa muito em uma coisa, e faz por merecer, acontece. Em dois meses de trabalho, consegui 15 dias de férias. Era o tempo que teria para passar Natal e Ano Novo com a família e os amigos no Brasil!

Eu sempre falo para quem quer vir para a Ásia: passar menos de 20 dias fica muito apertado e não vale a pena. Mas, mais uma vez, ainda não somos robôs e existe um sentimento chamado saudade. E sabe quando tudo flui? Aquele feriado local que eu trabalhei, os dias de folga que teria no final do ano, faz conta daqui e tira dali, e analisa o calendário, e checa passagem aérea, e conversa com o chefe, com o RH, reza o Pai Nosso e o tão esperado SIM vem naquele dia conhecido e comemorado na América como Thanksgiving Day. Amém!

Para dar mais emoção, decidi fazer uma surpresa para minha família. Meus amigos já sabiam, afinal precisava programar meu Réveillon também! Passagens compradas, contato meu irmão do meio (alguém precisaria me buscar no aeroporto na noite do dia 24). Momento cômico: chorando com a atendente da companhia aérea, após escutar que a compra tinha sido efetuada com sucesso. “Então está certo, eu vou para o Brasil, moça?”. E o choro veio à tona. “Ai, desculpa, eu estou muito emocionada. Faz quase um ano e meio que não volto e vou chegar de surpresa para o Natal”. “Puxa, que máximo! Estou chorando também!”. A emoção também foi conseguir parcelar esta compra (na maioria das compras internacionais, não é possível parcelar o valor, isso é comum no Brasil. Então, a dica é checar se a companhia tem um escritório no Brasil e fazer a compra por telefone, no meu caso, Skype).

Quantas noites eu passei em claro, fazendo contagem regressiva, abrindo e fechando o calendário, vendo o email da passagem. Estava eufórica. E me controlava para não deixar escapar nada para a minha família. Querem ver como foi a surpresa? Assistam o vídeo!

O tão esperado dia chegou. E sabe o que aconteceu? Descobri que virei “expatriada” quando voltei para o meu país, de férias. Estou voltando pra casa, mas, espera aí, qual delas? Essa divisão mexe com a sua cabeça, embaralha seus sentimentos e você não sabe ao certo se está chegando ou partindo da/para sua casa. Após um ano e quatro meses morando no Camboja, fui para o Brasil passar doze dias, nos quais eu não sabia ao certo se me sentia brasileira ou uma turista dentro do meu próprio país. Mas, ao mesmo tempo, achei a resposta que procurava: não, ainda não era o momento de voltar. Por aqui (no Brasil) nada mudou. Opa, quem mudou fui eu! E essa resposta veio de mim para mim mesma. Curti cada minuto com a família, amigos, Natal, Réveillon. Fiz tudo que podia, o que tinha direito e mais um pouco. Recarreguei minhas energias, matei a saudade e voltei com tudo para esse país que me acolheu tão bem.

Arquivo pessoal

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