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Meu retiro de yoga na Índia após morar no Camboja – Parte I

Meu retiro de yoga na Índia após morar no Camboja – Parte I

Ida para a Índia

Digamos que a minha viagem não começou muito bem. No aeroporto de Bangkok, já tive problemas no check-in com a cia área SpiceJet. Não satisfeitos com o meu visto impresso para a Índia, entraram no sistema do governo para ver se meu visto era válido. Após perder uns 15 minutos, ela me pede o cartão de crédito para confirmar a compra. Quando abri minha carteira, me dei conta que não tinha mais o cartão do banco, já que tinha feito a compra com meu cartão cambojano e, dois dias antes, tinha encerrado minha conta e devolvi o cartão. Ou seja, não tinha como comprovar a compra. Para resumir, tive que ir correndo sacar dinheiro para comprar outra passagem em dinheiro, já que não aceitavam cartão, para não perder o voo e toda a programação do retiro. Quase perdi o voo. Parecia uma louca correndo no aeroporto, passei pela imigração afobada, entrei no avião quase morrendo.

Chegada na Índia

Estava meio insegura, receosa e com medo. Afinal, estava viajando sozinha para a índia! O quanto eu fui alarmada não está escrito: cuidado, você pode ser estuprada, não ande sozinha, não fale com locais, não pegue táxi da rua, trem nem pensar. No avião, já sentia a tensão, Meu Deus, tem mais homem do que mulher. Cheguei em Delhi super cedo, na imigração, o funcionário tirou algumas notas do meu passaporte e disse: “cuidado com seu dinheiro, nem todos são honestos!” Concordei e ele, sorrindo, disse: “mas não aqui na Índia. Aqui você está segura”. Sorri para ser educada, pensando: mal sabe você sobre a reputação dos homens indianos. No dia a dia percebi que como qualquer outro lugar temos que tomar cuidado.

Depois de todo o trâmite feito, tinha mais um voo, de Delhi para Rishikesh, cidade que fica no norte da Índia e é conhecida como a capital da yoga. No aeroporto ia ter alguém do retiro me esperando. Olhava as plaquinhas e nada. Ah, não brinca comigo. Não tinha o chip local para ligar e no aeroporto não tinha wifi. Até que um senhor me abordou, expliquei a situação e ele gentilmente ligou para o retiro. Logo em seguida, achei o cara com a plaquinha com o meu nome. UFA!

Um homem sorridente me levou até o carro e pensei, hora de ligar o mapa! Atenção, viajante sem internet, essa dica é valiosa! Existe um app chamado maps.me que funciona offline e você pode fazer download do mapa de qualquer lugar do mundo e de graça.

Coloquei o nome do retiro no mapa e começamos a viagem, que demoraria em torno de 20 minutos. Tudo certo, quase chegando ao destino quando vejo a setinha desviando do caminho. Adeus, família. Brasileira desaparecida na Índia. Já via as notas nos jornais.

Mas de acordo com o mapa estava na rua paralela – estava acompanhando. Subimos uma ruazinha super estreita, cheia de buracos e quase no topo ele para. Chegamos. Oi? Eu to no meio do nada!

Ainda bem que ele me ajudou com a minha mala, afinal, de mochileira eu não tinha nada. Estava voltando para o Brasil após dois anos no Camboja com uma mala de 30 kg, uma mochila e duas bolsas. Certeza que ele pensou: “essa aí não sabe o que significa retiro”.

Chegando ao retiro

E o cenário piorava. Mas esse lugar não condiz com as fotos que eu vi. Estava em um prédio de quatro andares, em obras, cheio de homens. Cheguei à recepção, uma mulher. Namastê!

Ela pediu desculpas pelas obras, pois eles tinham recém mudado de endereço e o prédio não estava pronto. Que mancada, comprei A e recebi B.

Ela me deu o almoço, num bandejão, comi no quarto, desfiz as malas e sentei. Meio triste, pensando: escolhi o retiro errado. Me ferrei nessa.

Mais tarde fui conhecer as outras pessoas e éramos apenas mulheres, o mais engraçado, tinha outra brasileira! Aí foi uma festa, ela estava aqui pela segunda vez, então pensei, ah deve ser bom. Tinha mais duas meninas da Islândia e uma americana. Todas estavam matriculadas para o curso de professor de yoga. Ia ser a única do retiro.

Passado um tempo, recebemos a agenda da semana. Agenda do curso de professor. Mas e eu? Ah, que cilada, como estou sozinha vão me colocar para fazer outro curso, será que consigo cancelar? Mas, vou para onde? E agora? Ah, melhor dormir e amanhã descubro. Resultado: não dormi, estava ansiosa, insegura e com frio, nossa como estava frio! Esperava verão, mas me enganei profundamente. Fomos jantar e durante a refeição as meninas sentiram um tremorzinho e disseram é um terremoto! E eu não sentindo nada! “Olha o bebedouro”. E a água estava mexendo. Eu tremia tanto de frio que nem senti o tremor, mas que foi leve também. No dia seguinte, vimos que teve um terremoto próximo a Delhi de intensidade 5.5.

Voltando à programação, a agenda para o dia seguinte começava às 9h da manhã com o café. Sabia que estava errado, o programa que eu me inscrevi começava às 6:30 da manhã com chá e depois yoga, para depois tomar café. Preciso falar com o dono imediatamente! Ele me respondeu sorrindo, fique tranquila, à tarde irei te passar sua programação. Hoje teremos o ritual de fogo e a visita para o Ganga Prayer. Ah ta, então começa amanhã? Sim. Ok, perdi um dia, eu pensei, vendo a programação do site. Bom, não tem muito o que fazer. Talvez eu precise relaxar um pouco mais e tentar ser menos metódica e preto no branco.

Início do retiro

Dia 1

E fomos para o ritual de fogo. Foi muito bacana! Diferente de tudo que já tinha feito. Minha chave virou após esse ritual. A ideia é eliminar toda a energia negativa do seu corpo, limpar a aura e começar o retiro limpa. Começamos cantando um mantra, depois o ‘‘guru” iniciava uma reza, com uma cantoria e logo acendeu uma fogueira na qual jogamos ervas sempre pensando no que queríamos nos livrar e descarregar. Isso se repetiu constantemente. Também fomos abençoadas com a tinta vermelha no meio dos olhos e com arroz que grudava na tinta e permanecia na testa como um símbolo de proteção. Finalizamos a sessão com cada uma ganhando uma guirlanda de flores, um doce típico e uma fruta.

Após a cerimônia de fogo. Fonte: acervo pessoal.

No final da tarde, fomos conferir uma reza que acontece diariamente na beira do Ganges. Foi interessante analisar a cultura hindu, suas rezas e oferendas. Já conhecia o hindu por ter visitado Bali, mas a Índia é o berço, a origem de tudo, inclusive do Budismo. O final foi mais bacana ainda, pois compramos uma cestinha de oferenda, acendemos o incenso e a vela, fizemos um pedido e jogamos no Ganges. Foi muito bonito ver a minha oferenda indo pelo rio sagrado. Não perdi a oportunidade e molhei minha mão e me benzi com a água sagrada. Em Rishikesh, o rio é limpo, diferente de Delhi. Não sei ao certo onde ele começa a ficar poluído, mas no norte é maravilhoso. Minha noite foi diferente. Fui dormir tranquila, feliz e certa da minha decisão.

Mês que vem conto com mais detalhes a minha experiência.

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1 comentário

Janaina Janeiro 30, 2018 at 11:59 pm

Aaaaaaaaah meu Deus, vou ter que esperar até quando pra saber o restante????? Lindo texto!

Resposta

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