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Americanos – é possível definí-los?

Americans ou americanos, para nós brasileiros.

Quem são, como pensam e agem, esse povo tão famoso no mundo inteiro? Os famosos “americanos”… Eu venho aqui lhes apresentar, baseada em meus 5 anos de convívio. Vamos lá?

Bom, para começar, um esclarecimento:  os EUA, assim como o Brasil, é um país de dimensões continentais. São imensas regiões, divididas em duas costas: leste e oeste, respectivamente banhadas pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Além disso há um vasto território central, o conhecido meio-oeste. Tem também as regiões sul e norte. Praticamente do tamanho do continente europeu ocidental. Dá para imaginar, então, a grande diversidade desse povo?

A ideia que nos é vendida, vêm de Hollywood, dos filmes e das séries de televisão. Mas na prática, esse é um recorte minúsculo do que significa ser “americano”.

A região, com suas variações climáticas e culturais, já desenha grandes diferenças. De fato os moradores do Texas, gostam de chapéus, rodeios e armas, enquanto que os nativos da Califórnia, preferem a brisa do mar e o discurso hippie de paz e amor. Já os nova-iorquinos estão sempre correndo de um lado para outro, focados em seus compromissos.

Mas, para além dos estereótipos, há algo que unifica essa gente toda e é sobre isso que quero falar!

Americanos são em sua essência um povo extremamente resiliente e determinado. Nada parece intimidá-los ou impedi-los de realizar aquilo que eles encasquetam em fazer. A história não me deixa mentir, e grande parte dos visionários que mudaram nossa existência, nasceram por essas bandas.

Você pode detestar certos comportamentos, discordar profundamente de posições políticas ou ideológicas, mas é inegável, que os Americanos são a grande influência da nossa era, sobretudo depois do início do século XX.

Nas minhas andanças por aqui, conheci e convivi com tanto tipo de gente, que tive um aprendizado intensivo em humanidade e antropologia.

Para ficar lúdico, vou descrever alguns seres humanos  que tive a honra de conviver. Terei o cuidado de substituir os nomes e lugares em respeito à privacidade. Vamos lá?

Leia também: Abrace a diversidade

  • Anne é loira, rica e republicana. Dirige uma SUV e mora em um subúrbio rico da Virginia. Passa parte dos seus dias lecionando inglês, voluntariamente, para imigrantes e refugiados, entre os quais, mulheres muçulmanas de países como Irã, Iraque e Afeganistão.
  • Kevin nasceu em um corpo de menino, com espírito de mulher. Ama maquiagem, é lindo e se veste com um estilo único. Vive e trabalha em San Francisco.
  • John tem paixão por armas. Coleciona AR15 e seu cartão de crédito é vinculado a uma loja de munições. Ao invés de acumular milhas, ele acumula pontos, para serem trocados por balas para o seu arsenal. Ele vive nos arredores de Detroit.
  • Jonathan é um jovem negro. Adora ler. Ama literatura inglesa e seu sonho é ser professor universitário. Foi aceito em uma das faculdades mais renomadas do país, quando ainda estava no penúltimo ano do ensino médio.
  • James nasceu em um país pobre e violento da Africa. Chegou aos EUA como imigrante illegal, ainda criança. Viveu nas ruas de Nova Iorque até a adolescência, onde foi adotado por uma senhora branca da costa oeste. Criado com muito amor e respeito, entrou para a Universidade mais concorrida do estado em que vive.
  • Amber é muito rica. Herdeira de um magnata da tecnologia, casou-se com o proprietário de uma das maiores empresas de transporte do país. Juntos têm cinco filhos e dividem sua vida entre uma casa envidraçada nas montanhas de Aspen e outra com vistas cinematográficas à beira do lago Michigan. Nunca teve empregadas ou cozinheira. Faz questão de criar seus filhos sozinha e prepara cuidadosamente o jantar das crianças frequentemente.
  • Kate é mãe solteira de duas crianças, uma com 6 meses e outra com 2 anos. Dependente de opióides, vive em um abrigo na cidade de Portland. Luta contra o vício e dentro de suas possibilidades, cria os seus filhos com uma força imensurável.
  • Carolyn vive com o marido David em uma pequena cidade no interior de Indiana. Têm quatro filhos , cinco netos e dois bisnetos. O filho mais velho, Martin, casou-se com Juan que imigrou do Equador. Tanto Carolyn, quanto David, trabalham até hoje, já perto dos 80 anos, para continuar honrando seus compromissos financeiros.
  • Steve nasceu em uma rica família da California. Depois de formado resolveu viver como voluntário por dois anos no continente africano. De volta aos EUA, engajou-se em uma organização de moradores de rua e hoje é um dos principais responsáveis pelo bem estar e sobrevivência de milhares de famílias.
  • Jim é um artista e professor super talentoso. Pinta e desenha maravilhosamente bem. Muito bem educado, conhece mais sobre literatura portuguesa do que eu. É muito generoso ao ensinar e compartilhar seu conhecimento com seus alunos.
  • O casal Wolf se conheceu no auge do movimento hippie dos anos 70. Casaram-se e fincaram raízes em Seattle. Ambos trabalham como educadores. Já com os filhos criados, usam suas férias e tempo livre para causas humanitárias na Africa, além de roubarem “donuts” da cafeteria da escola, para distribuírem aos “homeless” na hora do almoço!

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar nos EUA

Esses foram apenas alguns dos exemplos que vieram à minha mente. Foram muitas pessoas que cruzaram meu caminho. Foram muitas histórias que me inspiraram e me transformaram.

Sair da minha caixinha de conforto do Brasil, me proporcionou esse mergulho profundo na descoberta da natureza humana.

Sabe a que conclusão chego? Somos tão semelhantes quanto distantes em nossas diferenças. Somos seres pensantes, carregados de sentimentos, valores e histórias pessoais, que aos poucos vão construindo o que realmente somos. A vida é mágica por proporcionar esses encontros que expandem nossas capacidades.

Viver nos EUA, me fez crescer demais e serei eternamente grata a essa terra e a essa gente, por tudo que me ofereceram. Estou indo embora com a alma crescida e o coração pequenino de saudades.

Bye, bye e até a próxima.

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2 comentários

Clea Albuquerque Junho 24, 2019 at 8:14 pm

Seu relato nos faz pensar na diversidade, quão importante seria se todos tivessem a oportunidade de vivenciar isso tudo e com certeza muito mais.
Obrigada por compartilhar essas experiências.
Ficarei aguardando outras tantos relatos que vc faz com maestria.

Seja feliz na nova caminhada, e continue nos colocando em dia o que se passa por esse mundão afora.

Resposta
Larissa Rinaldi Julho 4, 2019 at 6:54 pm

Adorei, Gabi!

bjs.

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