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Nova Zelândia

Aprendizados após mudança para a Nova Zelândia

Mudança para a Nova Zelândia!

Quando você decide migrar para outro país, você sofre um processo que chamamos de aculturação, ou seja, sai da sua zona de conforto, passa a viver num novo ambiente e tenta se adaptar a ele. Esse processo de adaptação na Nova Zelândia alterou meu comportamento em algumas áreas e portanto, quero compartilhar com vocês como venho reagindo a essas mudanças.

Independência e dependência
Antes de chegar na Nova Zelândia, eu vivia bem independente no Brasil. Tinha um empoderamento total sobre a minha vida. Era eu que decidia, resolvia e corria atrás de tudo.

Essa independência sustentava meu ego de super mulher. Porém quando aqui cheguei, essa teoria toda caiu por água abaixo. Abri mão do pedestal de super mulher e abracei o da humildade. Esse sentimento tem me norteado nessa nova jornada.

Quando eu falo em humildade me refiro a perceber que nada mais sei e aceitar que tenho um longo caminho de aprendizado a percorrer. Sabe aquelas coisas mais simples e fáceis do dia a dia? Pois é, ficaram um pouco complicadas.

Sair da zona de conforto significa mudança e você passa a depender dos outros para a maior parte das coisas. Não pensem que é fácil, mas entre me tornar uma pessoa crítica e reclamona, prefiro me reinventar, abraçar o novo e seguir em frente.

Amizade e socialização
Quando vivia no Brasil tinha uma vida social intensa. Por conta de minha personalidade (adoro gente) gostava de sair, socializar e conhecer pessoas novas. Sempre tinha uma coisa acontecendo aqui e acolá e com isso, ia ampliando meu círculo de amizade.

Aqui as coisas são um pouco diferente nesse aspecto. Não tenho mais uma vida social intensa. Posso dizer que alguns fatores contribuem para isso. Primeiro, não tenho mais tantos amigos como costumava ter. Segundo, ainda não consegui formar um círculo de amizade com pessoas locais. Terceiro, moro numa cidade relativamente pequena onde não acontecem muitos eventos. Quarto, a Nova Zelândia é um país com muito mais opções diurnas que noturnas.

Hoje, minha vida se resume em atividades como passeio em parques, montanhas e piqueniques na praia. Diferente sim, mais quem disse que o diferente não pode ser bom também? E assim estou descobrindo um outro lado menos agitado dentro de mim mesma, mais introspectivo e que anda me fazendo muito bem.

Leia também: Recomeço após os cinquenta na Nova Zelândia

Transparência e sinceridade
Sabe aquele termo mentira branca: pois é, isso não existe mais para mim. Mais um aprendizado decorrente dessa mudança.

Antigamente, eu tinha muito medo de magoar as pessoas e às vezes para não dizer não, acabava fazendo coisas que não estava afim só para agradar alguém. Não faço mais isso. Hoje quando não quero, simplesmente nego.

Não tenho mais aquela cobrança de ter que agradar a todos. Aprendi isso convivendo com as pessoas daqui que são bem diretas em sua maneira de ser. Acredito que seja mais um ponto positivo nesse meu processo migratório.

Comunicação e entendimento
Como todos sabemos, um dos grandes problemas mundiais é a comunicação. Estou surpresa de como essa área está caminhando muito bem aqui com as pessoas que estou conhecendo e convivendo.

Acredito que por conta do idioma, a comunicação e o entendimento de tudo tem que ser muito claro e quando isso acontece, os “maus entendidos” se tornam mais raros e a comunicação flui muito melhor.

Umas das coisas que aprendi aqui foi dizer: “não entendi, você pode me explicar de outra maneira”. Isso vem na contra mão do que costumava fazer antigamente, onde tinha sempre a preocupação de entender tudo de primeira para não me sentir insegura diante de uma situação.

O exercício diário de aceitar minhas limitações e trabalhar em prol delas, está me fazendo compreender muito melhor tudo que vem acontecendo nessa nova fase da minha vida.

Leia também: A mudança que a mudança traz em nossos relacionamentos

Curiosidade e conhecimento
Gosto muito de ver coisas novas, de saber técnicas recentes, de ver lugares diferentes e de conhecer pessoas, tudo isso sempre me seduziu. Ter a oportunidade de morar num país como a Nova Zelândia, duplicou essa curiosidade.

Aqui é um país que você encontra pessoas de todas as partes do mundo. Principalmente na escola, tenho o prazer de conviver com pessoas tão diferentes em suas culturas, tradições, crenças, religiões, roupas, comidas etc. Ouvir suas histórias e conhecer suas famílias vêm me permitindo entrar em contato constante com as suas tradições.

Estou tão entusiasmada que, se hoje me perguntassem um dos cursos que gostaria de fazer, acho que antropologia seria um deles. Obrigada Nova Zelândia por essa maravilhosa oportunidade.

Preconceitos e diferenças
Não poderia deixar de falar sobre esse tema e compartilhar meu aprendizado nessa área.

Venho de um país ocidental, com uma cultura moderna, onde as mulheres são livres para escolher seu caminho. Sou parte de um povo que tem a opção de casar e escolher o marido, ou simplesmente optar por viver sozinha. Ter filhos sem que para isso tenha a obrigação de ter um parceiro.

Nós brasileiras, escolhemos as roupas que queremos usar, podemos trabalhar em todos os setores da sociedade e hoje, compartilhamos todas as atividades dentro de nossas casas com nossos companheiros. Podemos também transitar pelos mesmos lugares que os homens.

Isso tudo sempre esteve intrínseco na minha formação e me fazia ser crítica em relação a outros modelos, mesmo sabendo que a minha realidade não e a mesma de outras culturas.

Hoje convivo com um grande grupo de mulheres pertencentes a outro modelo cultural. Conviver, escutar suas histórias, respeitar suas tradições e acima de tudo, saber que seus modelos são as únicas verdades que elas conhecem, desvendou meus olhos para uma realidade bem diversa da minha.

Apesar de nossas diferenças culturais que, às vezes nos limitam para certas atividades, temos uma infinidade de coisas em comum. A troca de experiência vem alimentando nossos corações e nos fazendo ver que o mundo é feito dessa maravilhosa mistura de afinidades e diferenças, mas que independente do modelo cultural, somos todas mulheres .

E assim vou seguindo minha trajetória de reconstrução de uma nova mulher, que a cada dia se surpreende pela sabedoria que a vida pode proporcionar quando se tem a mente aberta para novas descobertas e pelas mudanças consequentes dessas descobertas.

“O que se leva da vida É… A vida que se leva
Desta vida nada se leva…A não ser a vida que se leva …Só se deixa…Então, te deixo o meu melhor…
Meu melhor sorriso, meu maior abraço, minha melhor história, minha melhor intenção.Toda minha compreensão
E do meu amor, a maior porção. Só quero ficar na memória de alguém como outro alguém que era do bem!” (Antoine de Saint-Exupéry)

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