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Bali além de Comer, Rezar e Amar

Bali além de Comer, Rezar e Amar.

De acordo com o meu planejamento, era para eu estar na África neste segundo ano de jornada pelo mundo. No entanto, algo me chamava para a Ásia desde que cheguei na Europa.

Após cruzar a Rússia pela Transiberiana, decidi ouvir esse chamado e fui parar em Bali, na Indonésia. Não no estilo do livro e filme “Comer, Rezar e Amar”, mas para participar de dois treinamentos em uma das escolas referência para o meu projeto por ser pioneira em Educação para Sustentabilidade: a Green School.

No primeiro treinamento intitulado como Educador Verde – Diferentes Faces da Educação, tive a oportunidade de praticar a antiga arte marcial balinesa, Mepantigan, fundada há séculos pela comunidade Subak como forma de celebração da temporada de colheita. Subak é o rio e sistema de irrigação que cadencia a organização cooperativa dos agricultores locais em torno dos campos de arroz, e existe desde o século IX equilibrando um incrível e complexo ecossistema sustentável.

Os balineses não são apenas abençoados com a herança da arte e da cultura. Os antepassados também entregam o Mepantigan como um legado. Neste texto, compartilharei um pouco da minha divertida experiência praticando essa arte marcial com 18 educadores de diferentes nacionalidades.

Um dos objetivos do curso é conectar os participantes com a Natureza e a tradição balinesa atendendo simultaneamente, na minha visão, três das quatro dimensões da Sustentabilidade de acordo com o modelo de Educação Gaia: a Ecológica, a Social e a Visão de Mundo.

A escola vem desenvolvendo há anos uma parceria com o reverenciado mestre Putu Witsen Widjaya, fundador e professor sênior da Bali Mepantigan Arts e campeão de artes marciais, que deseja preservar essa tradição e tornou a prática famosa também entre moradores de toda a ilha, que fervorosamente vestem suas cangas de combate e dirigem-se aos poços de lama dos campos de arroz para alcançar os níveis mais elevados de aptidão, inteligência e bem-estar emocional prometidos pelo esporte.

Poços de lama? Sim! É o que torna a prática muito mais divertida. Por isso é procurada também pelos turistas sendo, inclusive, tema de matérias e documentários de reconhecidos canais internacionais como BBC, Discovery Channel, History Channel e FOX TV.

Com um misto da alta energia do taekwondo, kickboxing, karatê, luta de lama e devoção religiosa, o principal conceito do Mepantigan é felicidade, saúde e harmonia. Envolve técnicas físicas semelhantes às encontradas nas tradições de autodefesa de todo o mundo, mas amplia a forma ao basear-se no teatro balinês, na dança contemporânea e na música gamelan, combinando a luta com as artes cênicas para criar um fenômeno cultural inteiramente novo.

Segundo Putu Witsen Widjaya, que sonha em expandir a arte para todos os continentes, estudantes de Mepantigan evoluem como seres humanos e evitam a violência enquanto cultivam a compaixão. Ele afirma em seu site oficial: “Onde quer que as artes marciais apropriadas se desenvolvam, o mal diminuirá e o respeito pelos outros crescerá. Isto é particularmente verdadeiro para aqueles que praticam o Mepantigan, que é uma celebração do espírito”.

Leia também: Bali, a ilha dos deuses

Em aproximadamente três horas de atividade, celebrando o encerramento do curso, eu e meus novos amigos experimentamos todos esses benefícios.

Uma das regras é utilizar Sarongs (típicas saias balinesas) Tridatu (nas cores vermelho, branco e preto) ou Poleng (nas cores preto e branco) em respeito à Ida Bhatari Shri – Deusa do Arroz. Essas cores representam o Tri Murti, conceito da Trindade de Deus como uma das crenças básicas do hinduísmo em Bali. O vermelho representando Brahma, o criador; o preto Wisnu, o preservador; e o branco Ciwa, o destruidor.

Roupas trocadas, nos dirigimos primeiro para um campo próximo ao poço de lama para receber as instruções básicas. Tudo dentro das instalações da Green School, que também disponibiliza a prática para alunos, pais e educadores.

No vídeo abaixo, é possível ter uma ideia do que acontece no aquecimento:

Após praticarmos todas as instruções recebidas, partimos animados para o campo da divertida batalha que sempre termina com muitos abraços demonstrando respeito e esportividade entre todos os participantes.

A minha principal dica é resgatar a criança que há dentro de nós, assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento (como sugere a autora do best-seller referenciado no título deste texto) e cair na diversão. Afinal, se não for divertido, não é sustentável!

Fotos estão disponibilizadas neste álbum na minha página pessoal do Facebook.

Confira também alguns vídeos oficiais disponibilizados nos links a seguir e compartilhe nos comentários se você tem coragem de encarar essa batalha na lama. Eu garanto que faz bem para a pele e para a alma!

Green School
Discovery Channel
FOX TV
History Channel

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