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Bélgica tem o melhor sistema de reciclagem de lixo da Europa

Bélgica tem o melhor sistema de reciclagem de lixo da Europa.

Enquanto o Brasil ainda engantinha em planos setoriais de reciclagem previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, aqui na Europa a maioria dos países registra taxas de reciclagem superiores a 50%, movimentando um mercado bilionário que rende 1% do PIB do bloco europeu. E as metas são que, até 2030, a União Europeia passe a reciclar 65% de todos os seus resíduos urbanos. Na Bélgica, o assunto reciclagem é bastante sério, e a posição nº 1 no ranking de melhor sistema de reciclagem e gerenciamento de lixo é vista com muito orgulho. Por aqui, cada região, ou commune, tem um sistema diferente de recolhimento de lixo, que pode ser consultado no site da  aqui.

A região flamenga da Bélgica é a que apresenta a maior taxa de triagem de lixo na Europa.

Quase três quartos dos resíduos residenciais produzidos na região são reutilizados, reciclados ou compostados. Lembrando que a compostagem nada mais é que um tipo de reciclagem do lixo orgânico por processo natural, em que os micro-organismos como fungos e bactérias degradam a matéria orgânica, ajudando na redução das sobras de alimentos, o que a torna uma solução fácil de reciclagem dos resíduos gerados nas residências.

Desde que o primeiro Decreto de Resíduos foi aprovado em Flandres em 1981, os objetivos regionais para a geração global de resíduos residenciais, coleta seletiva e compostagem doméstica foram cumpridos e ultrapassados, permitindo que objetivos mais ambiciosos fossem estabelecidos para os próximos anos. Devido ao tamanho sucesso, a ênfase das políticas de gestão de resíduos passou da eliminação para a separação e reciclagem da fonte e, finalmente, para a prevenção de produção de lixo. A geração per capita de lixo na região de Flandres tem se mantida estável desde 2000, mostrando um exemplo raro de crescimento econômico sem aumento da produção de lixo.

Uma das estratégias principais da região de Flandres para prevenir o desperdício e produção de lixo vai para a raiz do problema: o próprio design dos produtos. Para resolver isso, organização sem fins lucrativos, VLACO, para compostos orgânicos criou um conjunto de ferramentas para promover a produção limpa e design sustentável:

  • “ECOLIZER” – uma ferramenta para designers estimarem o impacto ambiental dos produtos. Ela inclui um conjunto de indicadores relacionados a materiais, processamento, transporte, energia e tratamento de resíduos, permitindo que os designers identifiquem oportunidades para reduzir esses impactos, alterando o design.
  • Avaliação de Eco-eficiência – um programa para avaliar a eficiência das pequenas e médias empresas. Identifica pontos de intervenção para reduzir o desperdício, aumentar a eficiência no uso de energia e água, aumentar a reciclagem, e assim por diante. O teste é gratuito.
  • Banco de dados on-line inspirador – uma coleção de estudos de caso de empresas que implementaram métodos de produção limpa e eco-design.

Mas existem também estratégias direcionadas às famílias e indivíduos:

  • Pague conforme você produz (PAYT) – O destaque desta estratégia significativa para evitar o desperdício é a aplicação de impostos diferenciados, de acordo com resíduos produzidos, peso e volume. Os moradores são obrigados a distribuir o seu lixo entre três e quatro sacos (lixeiras) de cores diferentes – um para lixo geral, um para os plásticos, um para papel/papelão e outro para “resíduos de jardim”. O mais caro é a coleta de lixo residual (geral), seguida da coleta de materiais orgânicos, com os menores impostos aplicados a garrafas de plástico, embalagens metálicas e caixas de bebidas. A coleta de papel e papelão, garrafas de vidro e têxteis é gratuita. O imposto sobre resíduos volumosos varia dependendo da quantidade. Na região da Flandres, os moradores ainda podem pagar mais de 2 € por saco de resíduos destinados ao lixão, até cinco vezes mais do que pagam por sacos de lixo triados para resíduos recicláveis. Podem também receber multas se não separarem seu lixo corretamente, embora a maioria das infrações resulte em um aviso do município local.
  • Compostagem doméstica – Abordagens bem sucedidas para promover a compostagem incluem taxas anuais para a coleta de materiais orgânicos, campanhas de educação sobre a compostagem doméstica estimulando a “jardinagem de ciclo” para reutilizar resíduos de quintal, estímulo à compostagem nas escolas e demonstrações em fábricas de compostagem comunitária. Estima-se que 100 mil toneladas de materiais orgânicos são mantidos fora do sistema de coleta e manejo a cada ano, graças à compostagem doméstica. Em áreas densamente povoadas, o governo incentiva a compostagem comunitária, onde os cidadãos podem levar seus materiais orgânicos. Essas instalações normalmente usam reservatórios de compostagem e, portanto, não ocupam muito espaço.
  • Avaliação e guia de “eventos verdes”. Ferramentas on-line estão disponíveis para organizadores calcularem a pegada ecológica de seus eventos, evitando desperdícios durante a execução. A agência VLACO, já mencionada acima, também mantém uma lista on-line de lugares que emprestam louças reutilizáveis ​​para eventos e festas. Campanhas adicionais de prevenção do desperdício para os cidadãos incluem a promoção do uso de água da torneira em vez da engarrafada, desencorajando o uso de embalagens e sacos descartáveis ​​e fornecendo etiquetas “Please No Publicity” (Por favor, sem publicidade) distribuídas aos cidadãos para reduzir o correio indesejado.

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Bem interessante, não é? E como prova de que a reciclagem é linda, um fotógrafo belga chamado Paul Bulteel, fascinado pela conexão entre indústria e sustentabilidade decidiu passar cerca de 18 meses visitando 50 operações de reciclagem em cinco países para uma série de fotos que ficou conhecida como “Cycle and Recycle” (algo como “Ciclo & Reciclar”).

A série “Cycle and Recycle” foi iniciada no final de 2013, quando ele registrou velhos materiais de construção em Antuérpia e percebeu que fotografar a reciclagem era uma maneira mais otimista de falar sobre resíduos, inspirando pessoas a se interessarem pelo destino do lixo que produzem.

Fontes:

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