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Carreira em Medicina nos EUA

Qualquer decisão, principalmente as mais significantes na vida, precisam ser definidas a partir de intenção e propósito. Quando se trata da carreira em medicina, a mudança para os Estados Unidos pode representar uma oportunidade única – especialmente se você alinhar suas ações ao planejamento direcionado a um objetivo (estratégia intencional) e for coerente com a sua razão (propósito).

E por que é tão importante fazer essa ressalva antes de entrar nos detalhes desse texto? Porque se você não define sua postura mental, emocional e logística nesse ambiente novo, e não sabe exatamente porque vai tomar determinadas decisões (o seu propósito maior), você ficará vulnerável às dificuldades e pode facilmente perder-se nesse processo.
Tendo isso claro, vamos entender o campo de trabalho nos EUA na área médica. Aqui vou focar em três alternativas que me são familiares por experiência própria e também de outras pessoas.
Importante lembrar que essas informações podem mudar, sem aviso prévio, de acordo com a regulação da American Medical Association (AMA) e também de acordo com as legislações de cada estado americano. Vamos conhecê-las!

 Opção 1 – Trabalhar como médico, atendendo pacientes em clínicas e hospitais

Para exercer a medicina clinicamente, você precisa passar em 3 testes (United States Medical Licensing Examination – USMLE) de acordo com os requerimentos do Educational Commission for Foreign Medical Graduates (ECFMG)

O step 2 é dividido em dois testes: o step 2 Clinical Knowledge (CK) e o Step 2 Clinical Skills (CS). O step 1 e o step 2 CK podem ser feitos fora dos Estados Unidos, seja durante a universidade ou a qualquer momento depois de formado.

O Step 3 exige que você já seja formado, e tenha passado nos steps 1 e 2 CK; pode ser que precise do step 2 CS também. O step 3 pode ser feito antes de aplicar para os programas de residência nos Estados Unidos ou no meio desse período (lembrando que você precisará repetir a residência, mesmo que já tenha feito no Brasil).

Após a residência, você terá uma prova (conforme a legislação de cada estado) para tirar a licença final e assim poder exercer a medicina.

Os médicos americanos também precisam se submeter às mesmas provas e requerimentos. A diferença logicamente é que o médico estrangeiro terá de fazer isso tudo, mesmo que já tenha anos de formado e experiência no Brasil. Mas use isso em sua vantagem, para aprender coisas novas e se familiarizar com a cultura e com o sistema médico.

Concluindo, apesar das dificuldades iniciais com a obtenção da licença, saiba que existe uma necessidade crescente de médicos nos Estados Unidos e que tende a agravar-se pelos próximos anos por várias razões, portanto o mercado está aberto para estrangeiros. Além do mais, medicina ainda é uma profissão de grande prestígio, ótimos salários e uma vez passando nos exames, voce irá usufruir de todos os direitos e benefícios da mesma forma que um médico que estudou e se formou nos Estados Unidos.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar nos EUA

 Opção 2 – Trabalhar na indústria farmacêutica como médico em pesquisa

A indústria farmacêutica americana é o berço da pesquisa em desenvolvimento de drogas, produtos biológicos, produtos usados para exames e produtos tecnológicos relacionados à saúde. As posições de médicos na indústria nos EUA são de pesquisadores clínicos de liderança, que manejam e idealizam os projetos e clinical trials (estudos com drogas experimentais em pacientes) que serão distribuídos posteriormente para as sedes globais, o que difere de médicos que trabalham nessas sedes de indústrias americanas no resto do mundo.

Ser médico na indústria farmacêutica e em biotech, em alguns casos, pode nem exigir licença médica nos Estados Unidos, porque você não lida diretamente com pacientes e esse é um trabalho sem fronteiras, com centros clínicos no mundo inteiro. Portanto, a licença médica americana geralmente só é solicitada no caso de haver alguma exigência regulatória do cargo.

Mas não são posições fáceis de conseguir, os critérios de seleção variam e são muito rigorosos. O médico estrangeiro precisa de anos de experiência clínica em seu país de origem e de experiência em algum setor científico, conhecimento no campo regulatório americano, e às vezes uma formação acadêmica extra nos EUA pode ajudar.

Esse é um trabalho muito estimulante pois oportuniza expandir seus horizontes em pesquisa e práticas médicas globais, além de contato com key opinion leaders (que são os influenciadores da medicina) e acessos a estudos adicionais, conferências, grupos de pesquisa e visitas a centros médicos do mundo inteiro.

Essa foi minha opção e logo após meu mestrado em Saúde Publica na Harvard University em Boston (titulo MPH – Masters in Public Health) eu me mudei para Califórnia. Após muitas entrevistas eu consegui um contrato temporário de 6 meses e apesar de não ter experiência em indústria, levaram em conta meus 5 anos de residência (em clínica geral e cardiologia) os 6 anos adicionais trabalhando em hospitais e clínicas no Brasil e o trabalho de pesquisa na faculdade. Também foi importante ter o MPH e ter feito dois steps (step1 e 2 CK) da licença americana. Me comprometi imediatamente a entrar em um curso profissional sobre regulação e políticas de saúde e ao fim desse período fui contratada pela empresa. Alguns anos depois, fiz o Health Care Executive MBA, o que ajudou com outras posições, mas que não é necessário para esse trabalho, só se for algo pontual que você queira alcançar.

O pagamento dos médicos na indústria é ótimo, dependendo do seu tempo de trabalho e da empresa, poderá ganhar muito mais do que médicos em hospitais, até porque existem bônus referentes à sua produtividade, que podem chegar a um acréscimo de 30% ou mais do seu salário anual.

Também gosto do fato da carga horária ser bem mais manejável do que em hospitais, o que me dá mais tempo para minha vida pessoal, minha família e para explorar estudos adicionais na área terapêutica, de cura em medicina incluindo holística, além de oportunidades
de transição na direção de saúde pública, expandindo meus horizontes para o ramo de consultoria na área de saúde, coach de alta performance e profissional em neurociência.

 Opção 3 – Caminhos alternativos dentro da medicina

Área acadêmica (exemplo: doutorado) ou, mudar a direção para uma área mais naturalista e se formar como médico naturopata (ND – Naturopathic Doctor). Estudar enfermagem também dá acesso a um grande mercado de trabalho.

Porém, o mais importante é que você busque se alinhar ao que realmente quer e acredita, antes de se precipitar por se sentir pressionado a tomar uma decisão. Por isso, entenda o seu propósito e intenção para não fazer escolhas somente baseadas em sua ansiedade em recomeçar ou pela possibilidade de ganhos financeiros imediatos, isso seguramente não trará satisfação a longo prazo.

Ser feliz, no final das contas, deve ser sua prioridade principal nessa fase de mudança e decisão por novos caminhos profissionais no exterior.

Fique à vontade para comentar abaixo, e ajudar nesse processo!

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9 comentários

Andrea Cabral Setembro 20, 2019 at 2:58 pm

Excelente artigo! Sucinto e direto ao ponto. Realmente uma reflexao previa sobre o que te faz feliz e motivada e necessaria antes de investir tempo e dinheiro em quaisquer das opcoes acima. Estou finalizando meu MPH na Jonhs Hopkins e estagiando na PAHO/WDC. Sinto que optei pelo caminho certo, alinhado as minhas aspiracoes pessoais e profissionais. So acrescentaria que o numero de medicos formados aqui nos US ultrapassa a quantidade de vagas disponiveis para a pos-graduacao. Sendo a residencia um pre-requisito obrigatorio para exercer a profissao aqui, ha a necessidade de se pontuar bem alto nas primeiras etapas do USMLE. Boa sorte a todos os medicos que tiveram a coragem de vir morar aqui! Uma transicao dificil mas engrandecedora do ponto de vista pessoal e, reinventar-se, e uma qestao de sobrevivencia!

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Siglia Diniz Outubro 7, 2019 at 3:08 am

Oi Andrea, muito obrigada por seu comentario. E concordo muito com o que disse no final, em que reinventar-se eh uma questao de sobrevivencia. Sucesso e tudo de bom!!

Resposta
Carla Cavalcante Pereira Fevereiro 27, 2020 at 1:22 am

Siglia, tudo bem?
Tenho algumas dúvidas e gostaria de ver o que vc tem a dizer. Desde já, fico grata por sua atenção.
Poderia colocar como seria para fazer residência médica nos EUA? Tenho que fazer os steps, ter o Toefl e ter uma carta de apresentação?
O modelo de residência é similar ao Brasil?
Como é a aceitação de médicos estrangeiros para o atendimento aos pacientes (médico assistente)? Há algum estado em que é mais difícil a validação?
Quanto a idade? Médicos mais velhos são bem aceitos?

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Evelyn Novembro 16, 2019 at 6:32 pm

Olá, Siglia!
Excelente artigo. Sou média infectologista, terminando mestrado em Clínica Médica. Meu marido é militar e será transferido para os EUA, Washington. Estou meio perdida no que fazer…
Você acha válido fazer os steps 1 e 2 e tentar um estágio “hands on” ? Doutorado sanduíche?Vamos com duas crianças pequenas e ficaremos por 2 anos.
Obrigada!

Resposta
Siglia Diniz Novembro 21, 2019 at 6:01 pm

Oi Evelyn, tudo bem? Desculpa a demora com a resposta, espero que ainda esteja em tempo. Como voce somente vai ficar 2 anos, acho que nao vale a pena tentar os steps 1 e 2 porque primeiro: os steps tomam tempo pra se preparar, e voce tem de ter uma razao pra se dedicar `a essa preparacao, como por exemplo se voce tivesse realmente a intencao de morar aqui nos Estados Unidos por mais tempo ou ate permanente pois ai sim nesse caso, acho que valeria super `a pena. Quanto `a um estagio hands on, por exemplo, se voce nao tiver os steps (e mesmo com os steps, talvez houvessem algumas restricoes ate completar um treinamento mais especifico como a residencia), eu sugiro contactar algum expert na sua area em sua cidade e se apresente, e peca pra conhecer o servico e pergunta se eles teriam algum tipo de servico pra acompanhar como ‘shadow’ pra conhecer o que eles fazem, e acompanhar.`As vezes, tem hospitais que tem servicos nao para trabalho pois precisaria de um visto de autorizacao pra trabalho, mas para acompanhar um expert, que por sua vez se beneficia por colocar em seu curriculo que tem x number de medicos estrangeiros ou doutorandos buscando o seu servico para estudos. Em 1994 por exemplo, antes de eu vir morar aqui, eu fiquei 2 meses em Boston, e eu contactei uma medica especialista em cardiologia infantil no Children’s hospital, e eu acompanhei exames e discussoes (eu nao podia entrar no consultorio com pacientes), aprendi bastante com ela, e por algum tempo tive essa informacao no meu curriculo e a carta de recomendacao dela (essas cartas aqui pra emprego e pra inscricao de pos-graduacao sao ouro), depois que me mudei e consegui trabalho, eu nao precisei mais e ela tinha falecido, mas foi bem util pra mim, ate mesmo pra ver o funcionamento de um hospital americano e daquela area que me interessava bastante. Quanto ao doutorado sanduiche, eu super admiro esse tipo de programa, pois eh uma grande oportunidade de acesso ao programa e treinamento de doutorado aqui sem ter de aplicar para o doutorado daqui que seria mais trabalhoso e caro, e a pessoa ja vem pra parte da pesquisa pois a vinda pra ca seria apos os dois primeiros anos quando as materias ja estao completas, e aqui seria a pesquisa; o bom desse doutorado sanduiche eh que voce fica com as recomendacoes daqui e pode aplicar ate pra empregos aqui e em outros paises pois fica com a referencia da universidade americana embora o titulo seja do Brasil (logico que vai depender da sua performance e networking, mas ja esta com um pezinho dentro); fazer um mestrado aqui tambem seria uma otima opcao, dependendo do estado que var morar, os militares tem uma serie de facilidades, se informe quanto a isso. Se tiver mais alguma duvida, pode me escrever no: [email protected] ou manda um DM no meu instagram @drasigliadiniz ; Abraco.

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Marcio Novembro 20, 2019 at 12:52 am

Olá Siglia! Excelente texto e mto oportuno tbm! Estou estudando a possibilidade e viabilidade de mudar p os EUA. Sou Anestesiologista concursado, modéstia parte bem formado, porém insatisfeito com a realidade da medicina e toda situação que o país vem passando. Tenho algumas dúvidas sobre mercado de trabalho. Acho que tenho fibra para encarar o USMLE e repetir a residência. Me preocupo com o dps.. mercado de trabalho e todos os tramites da imigracao.
Caso seja possivel trocar uma idéia contigo, ficaria mto grato.
[email protected]
whatsapp +55 41 988039788

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Siglia Diniz Novembro 21, 2019 at 6:13 pm

Oi Marcio, tudo bem? Eu sou daquelas que pensa que se voce realmente quer algo, e esta disposto a enfrentar a dificuldade inicial com a preparacao das provas, se esta ok com a chatura do choque cultural inicialmente (mesmo que esteja familiarizado com a cultura, quando vai morar, eh outra coisa), e se vem com o coracao aberto mesmo pra aprender sem aquele papo de ‘mas eu ja fiz tanto’ (pois quando se muda pra outro pais, logicamente precisamos aprender e adaptar muita coisa) e se tem paciencia, chega um dia que voce comeca a usar a ‘bagagem’ que trouxe do Brasil com o que aprendeu aqui, e ai a vida desenrola e dai eu acho que super vale a pena.

Quanto ao mercado de trabalho, esse eh um pais que tem muita oportunidade, e lendo estatisticas aqui, esta previsto inclusive escassez de medicos com o passar dos anos, por varias razoes: a formacao dos medicos eh carissima e demora muito, tem muita chatura com os seguros, e muita gente prefere ir pra profissoes que rendem ate mais sem ter de trabalhar tanto pois medico aqui trabalha muito tambem. Alem do mais, em termos de mercado de trabalho, da mesma forma que nao podemos prever a qualidade do futuro ai no Brasil, o mesmo ocorre aqui, eu acredito que quando a gente esta preparado e mete as caras, nao tem como faltar trabalho, pode nao ser facil, mas tem pra todo mundo. E digo mais, na hora que voce esta preparado e busca trabalho, no comeco pode ser um pouco mais dificil, mas quando voce entra no mercado de trabalho ( e falo em nivel profissional realmente nao sei como eh em categorias mais simples) voce disputa de igual pra igual pois as empresas desse pais sao capitalistas demais pra deixar de contratar um bom profissional por ele ser estrangeiro por exemplo, e dai eu dizer que o mercado esta aberto pra quem estiver disposto a fazer o seu melhor e se provar.
Se quiser conversar um pouco mais pode me escrever no [email protected] ou me mandar um DM no @drasigliadiniz. Abraco,

Resposta
Carla Cavalcante Pereira Fevereiro 27, 2020 at 1:27 am

Siglia, tudo bem?
Gostei bastante do que vc escreveu. Simples e objetivo.
Tenho algumas dúvidas e gostaria de ver o que vc tem a dizer. Desde já, fico grata por sua atenção.
Poderia colocar como seria para fazer residência médica nos EUA? Tenho que fazer os steps, ter o Toefl e ter uma carta de apresentação?
O modelo de residência é similar ao Brasil?
Como é a aceitação de médicos estrangeiros para o atendimento aos pacientes (médico assistente)? Há algum estado em que é mais difícil a validação?
Existe alguma restrição quanto a idade?

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Flavio Duarte Março 11, 2020 at 6:03 pm

Oi Siglia, parabéns pelo artigo. Motivador.
Eu, assim como o Marcio, sou formado há 9 anos, médico de família inicialmente e atualmente atuando na cardiologia. Tenho “certa estabilidade” profissional, mas sempre quis sair do Brasil, seja por questões financeiras, segurança e principalmente qualidade de vida. Meu primeiro filho está a caminho e quero um futuro melhor para ele. Estou pensando nos steps, até porque não tenho mestrado ou doutorado. Gosto de pesquisa clínica, mas nunca participei de nada. O que você sugeriria?

Obrigado e parabéns.

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