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China

China – Ser Estrangeiro

Esse título ficou até redundante, mas é um fato! Tenho lido os posts das colegas aqui do ‘Brasileiras Pelo Mundo’ e constatado que de modo geral, até que não é tão difícil assim morar na China! =]

Ai você vai pensar: ‘ela enlouqueceu!’. Mas não, é só você comparar algumas situações.

A língua é a primeira delas. Realmente o mandarim é muito difícil, estou tentando com afinco dessa vez, mas se quer escrever também, ai a coisa pega! A maioria dos estrangeiros que falam mandarim fluente, os que eu conheço, não escrevem em caractere. Somente em pinyin. E isso continua sendo uma enorme barreira, porque o chinês geralmente não sabe ler o pinyin.

Mas em contrapartida, aprende mandarim quem quer e se quiser. O governo não obriga o estrangeiro que venha residir e trabalhar na China a aprender o idioma nacional.

Também conheço pessoas que moram aqui há 10, até 15 anos e não falam nada de mandarim além do trivial ‘Nihao’ (como vai?), ‘zai jiàn’ (até logo) e ‘duoshao qiàn?’ (quanto custa). Meu marido é um deles! =[ Se acomodou com a secretária-tradutora-assistente e pronto.

E olha que sobreviver em Chang Chun, norte da China, sem o mandarim não deixa de ser um ato de bravura! Já em Shanghai as coisas são mais simples, porque a comunidade de estrangeiros é imensa, e há o que chamo de ‘bolha’ onde vivemos. Nessa ‘Neverland’ os restaurantes tem cardápio em inglês, os garçons falam ao menos um inglês básico, as lojas são voltadas também para o público do resto do mundo. Aí, com uma mimica aqui, um google translator ali e um montão de paciência é possível se comunicar. E depois de um tempo, a gente acaba se acostumando com esse jeito de viver e até acha que é normal. Acreditem.

O que vem acontecendo nos últimos dois ou três anos, é que as empresas (principalmente as multinacionais) estão querendo funcionários estrangeiros que tenham um domínio relativo do mandarim. Hoje falar mandarim é um PLUS e tanto no currículo de qualquer pessoa.

Tenho uma invejinha boa das crianças, que chegam aqui mal falando sua língua materna e depois de seis meses falam inglês, mandarim e mais a língua de casa. E ainda corrigem os pais na pronúncia do inglês! Dorme com esse barulho! Como frequentam escolas internacionais, o inglês é a língua principal. Na escola até o 10° ano, o mandarim é compulsório e a língua materna é a que se fala em casa. Com o plus de aprender a escrever em caractere. Pensem no futuro dessa geração que vai para o mundo daqui mais uns anos.

Aí você se pergunta: Mas já que o mundo quer fazer negócio com a China, porque o governo não incentiva o estrangeiro a aprender o mandarim? Porque não interessa. Essa é minha conclusão depois de tantos anos aqui. E esse é o outro ponto que difere de ser estrangeiro em outros países. Na China sempre seremos estrangeiros, diferentes, forasteiros. E vamos combinar que é impossível um alemão loiro de olhos azuis ser confundido com um local, certo? Nem no branco dos olhos isso cola!

Ninguém recebe cidadania chinesa, mesmo morando aqui há 20 anos. Se seu filho nascer aqui ele não é chinês. E se você estiver ainda na China quando ele fizer 18 anos, ele tem que ir embora, pois o vinculo familiar para visto termina ali. Conheço uma família de finlandeses que moram aqui há décadas, dos quatro filhos, só um nasceu na Finlândia. Os outros três nascerem e cresceram aqui. Falam melhor o mandarim do que a língua materna dos pais, mas como foram fazer faculdade na Europa, quando vem passar as férias de verão e as festas de final de ano com os pais, precisam de visto de turista.

Meus filhos estudam aqui, então o visto deles é atrelado à universidade. O Nelson quando fez 18 anos ainda estava na metade do IB, e mesmo assim, o visto dele foi desvinculado do visto da família e a escola teve que enviar uma série de documentos que comprovassem que ele era aluno frequente.

Resumindo, se nunca o governo dará ao estrangeiro um visto permanente, porque fazer a pessoa se descabelar para aprender sua língua? A ideia de expatriação na China sempre foi de temporada, de estação. A maioria das pessoas vem com dia certo de chegada e de partida. Com algumas exceções, como a da minha família, que nem imaginamos o dia que voltaremos ao Brasil! Mas mesmo depois de nove anos, todo ano precisamos renovar visto. Quando saímos e entramos no país temos que passar pela imigração, da mesma forma que o turista que vem passar uma semana.

Agora a lei de visto sofreu uma alteração e parece que em alguns casos serão emitidos vistos de 5 anos para alguns profissionais residentes. Estamos torcendo para que seja o nosso caso. Aí, ao menos esquecemos a burocracia por um tempo!

No mês que vem vou escrever sobre a característica dos expatriados/estrangeiros aqui na China!

Até a próxima!

 

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9 comentários

Fernanda Franco Outubro 11, 2013 at 12:10 pm

Muito interessante o seu texto, Chris! Eh uma situacao mesmo delicada essa dos filhos (mesmo nascendo ai) terem que sair do pais e pegar visto de turista. Totalmente surreal! Acredito que se as autoridades cobrassem de todos os estrangeiros e investidores que ai trabalham, de aprender o tal do Mandarim, poderia sair no prejuizo. Ja imaginou quantos nao tem tempo e nem vontade de aprender a lingua? E mais um vez, salve o ingles! Beijos e bom fimd e semana!!! x F

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Emilia Hanashiro Outubro 11, 2013 at 3:24 pm

Pois é eu sei o que você fala, pois aqui é tudo mais ou menos igual, no que diz respeito a língua, também aqui, inclusive eu não sei todos os ideogramas,que chamamos de kanji. Passei muito tempo trabalhando com brasileiros falando só o Português, e meus filhos vieram para cá adultos, não frequentaram escolas aqui.Portanto tiveram mais dificuldades para aprender.

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Monica Bateman Outubro 11, 2013 at 4:54 pm

Parabens, Chris! é o que você falou, da pra viver muitos anos (e bem) na China sem falar Chinês! Mas que é muito frustrante as vezes, isso é! Ter que levar um tradutor para comprar persianas para casa (meu caso) e ficar com o Google translator na mao no meio do Carrefour para perguntar a alguém onde está o gôndola de palitos hehe….. mas o pior foi o dia que eu precisei ir ao Banheiro dentro da Home Depot…… quando eu fui perguntar, cheia de mimicas, sabe onde eu fui parar??? na área que vende privadas!!! hahahahha e dá-lhe história pra contar para os netos!

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China – Ser estrangeiro. | China na minha vida Outubro 11, 2013 at 10:46 pm

[…] China – Ser estrangeiro. […]

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fabi mesquita Outubro 14, 2013 at 2:28 pm

Menina, sei bem o que é isso!
No Vietnam tambem nao aprendemos o vietnamita, mas acho que aí é ainda mais complicado por causa dos ideogramas!
tenho muita vontade de te visitar um dia! acho que temos muita figurinha pra trocar!
bjs

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Ana Cristina Kolb Outubro 14, 2013 at 2:47 pm

Nossa Chris, como sempre amei seu texto, eu acho sempre uma pena nao aprender a lingua local e se integrar totalmente no pais em se vive, mas isto vem do meu lado que ama aprender culturas e linguas novas e tem facilidade ainda por cima, além de nunca te tido que morar em um pais onde eu nao tenha me identificado com a cultura.! No momento me deu uma vontade e to começando a aprender japones, ja sei que vou cortar um duro danado, pois pra escrever tem que aprender a desenhar kanji e muito bem! rsrsrsr o mesmo problema que vcs teem na China! mas eu tenho sempre uma fascinaçao por tudo que é pra mim um desafio, por isso compreendo que nao é pra todo mundo se dar tanto trabalho, ainda mais quando nao se é tao valorizado ou necessario! Eu particularmente acredito que a China tamböm nao tem interesse de outras pessoas se tornarem chineses, pois ja teem mais chineses que precisam e mesmos estes querem ir embora pra outros paises, a prova disso é a quantidade de comunidades chinesas ao redor do mundo. Paises onde a estrutura de idade é mais velha e as novas geraçoes estao cada vez mais sem filhos, como a Alemanha por exemplo, tem interesse em que os emigrantes se integrem e que se tornem “alemaes” afinal, eles serao uma grande parte da Alemanha e também embaixadores e cultivadores dessa cultura e costumes! nao podemos nunca nos esquecer que “emigraçao” é muito ligado a interesses politicos e politicos pensam sempre em tempo limitado, ou seja tempo de mandato, e sempre “local”, o que é um paradoxo na sociedade e economia atual que é totalmente globalizada. Eu particularmente como disse, acho sempre uma pena quando vejo a cultura de um pais se tornando insipida devido a globalizaçao, e outra coisa interessante que voce comentou foi sobre a “bolha” de expatriados, que acaba virando um pais e cultura cosmopolita a parte! Eu conheço bem o cenario, vivi nele por alguns bons anos! rsrrsrs Mas enfim outro assunto muito interessante a ser tratado em outro post meu! rsrsrsr Eu me inspiro muito nesta nossa comunidade, como os assuntos e as perspectivas sao infinitas né?! que bom que podemos nos comunicar e aprender uns com os outros e criar um espaço pra reflexao! Força amiga no seu aprendizado e mesmo se nao aprender a escrever. aprender a falar ja vale muito a pena! Bravo!!! Namasté querida! 🙂

Resposta
Sou Estrangeira | China na minha vida Agosto 27, 2014 at 2:42 pm

[…] Escrevi um texto sobre isso no blog ‘Brasileiras pelo Mundo’ do qual sou colaboradora também, que pode ser conferido nesse link. […]

Resposta
Lee osmar Novembro 10, 2015 at 4:58 am

Gostei muito da reportagem. Mas você sabe c um filho de Chines e possivel ser reconhecido como Chines e abrir um comércio ou até comprar uma casa. E que meu pai faleceu a mais de 20 anos. Eu moro no Japão e gostaria de fabricar algo k veio na ideia. É por ter um custo baixo na produção. Pensei na China. C caso tenha alguma informação agradeço

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Christine Marote Novembro 10, 2015 at 10:31 am

Olá Lee,
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Realmente não sei esclarecer sua dúvida. Mas acho que o melhor caminho é ir na Embaixada da China e coletar informações precisas. As leis na China mudam muito e muito rápido.
Abraço e boa sorte!

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