20 choques culturais de uma brasileira em Nova Iorque

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Início de ano e eu resolvi falar sobre como foi o choque cultural logo que cheguei de mudança em Nova Iorque. Todos sabem, ou já ouviram falar, que o período de adaptação em um novo país tende a não ser muito fácil — afinal, você está longe da sua família e amigos, em um lugar novo, provavelmente sem conhecer ninguém. Inclusive porque, além das malas cheias de roupas, você também leva na mudança seus costumes e cultura de acordo com a sua vida até ali e é inevitável não ter choques com o novo. Então vamos à prática, aos 20 fatos que para mim foram estranhos.

Manhattan, NYC. (Foto: arquivo pessoal, reprodução não autorizada)

1 – Ninguém fala com ninguém: seja na rua ou no elevador, mesmo se for o do seu prédio – onde no Brasil é bem comum aqueles papos que quebram o gelo sobre o trânsito do dia ou sobre a previsão do tempo – na maioria das minhas experiências, não ouvia um simples “bom dia” e quando falava fiquei muitas vezes no vácuo. Nem estando grávida  ou depois que meu filho nasceu isso mudou, nada a ver com aquelas pessoas estranhas que vem falar com você, colocam a mão na sua barriga ou pegam na mão do seu bebê, como tem de monte no Brasil.

2 – As residências de Manhattan não têm lavanderia: ter máquina de lavar e secar roupa dentro de casa é luxo em NY. Com espaços reduzidos, a lavanderia é a primeira área da casa a não existir, tanque então, nem em sonho hehehe… A grande maioria das pessoas que moram em NYC usam aquelas lavanderias comunitárias (como vemos em filmes), levam toda a roupa acumulada de dias, ficam lá esperando lavar e secar e depois voltam com o monte para casa. Super comum ver essa cena pelas ruas da cidade. Na minha opinião, um programa nada bacana de se fazer, pois demanda tempo e você ainda tem que se adaptar à condição climática do dia. Imagina tudo isso em um dia de nevasca?

3 – Manicure: tirar cutícula pra quê? Pelo que sei, apenas as brasileiras no mundo todo tem o hábito de sempre cortar a cutícula. Em Nova Iorque, seja qual for a nacionalidade da manicure – menos as brasileiras, elas apenas empurram a cutícula e quando você pede para que  cortem com o alicate, te olham com uma cara que parece que viram um ET!  Aí você tem que explicar que no Brasil é cultural, que você está super acostumada desde sempre a tirar, etc. e acaba assim “convencendo” – a. Nem preciso falar que o serviço não chega nem aos pés de uma mão feita no Brasil.

4 – Sinal de STOP (pare, em português) no trânsito: A placa STOP significa que o motorista deve (obrigatório por lei) fazer uma parada completa, no ponto, mesmo que não tenha outro carro ou pedestre circulando. Conheço motoristas que foram multados por não parar.

5 – Pontualidade: a clássica pontualidade não é só britânica. Não chegar no horário marcado, é visto como falta de consideração para com a pessoa que espera. Se não puder chegar no horário, é preciso entrar em contato com a outra parte antes do horário marcado e avisar sobre o seu atraso. Leia-se atrasos, como tudo acima de 5 minutos!

6 – Segurar o sanduíche sem guardanapo: sim, segurar o sanduíche ou a pizza sem um guardanapo não é um problema de higiene para os nova-iorquinos, é praticidade. E eles acham bem estranho quem faz diferente.

7 – Sair para almoçar no trabalho: os nova-iorquinos almoçam na própria estação de trabalho ou em alguma sala no próprio escritório ou local de trabalho, muitas vezes sem parar de trabalhar. Em compensação saem do trabalho na hora certa no fim do dia. Não há perda de tempo, horário de trabalho é para trabalhar e almoço é para comer. Ponto.

8 – Cafezinho não é tão “zinho” assim: o tamanho dos copos de café são enormes se comparados com o que estava acostumada no Brasil.

9 – Diaristas: como todo serviço em Nova Iorque o valor das diaristas para residências são altos (comparando com São Paulo, por exemplo) e em compensação os horários são menores (risos). O valor cobrado pela limpeza de um apartamento, por exemplo, depende da quantidade de quartos e banheiros que o mesmo tenha. E, a “diária” dura no máximo 4horas, sem intervalos para comer. A maioria das diaristas fazem 2 casas por dia, uma no período da manhã e outra no período da tarde. Valor de um apartamento de 2 quartos e 2 banheiros sai em média $100.

10 – Ar condicionado (no verão) e aquecedor (no inverno) sempre está ligado no máximo em todos os lugares: Quando está 40C lá fora, o ar condicionado é uma benção e sinceramente não dá para viver sem ele. Mas, em todo lugar que você vá, incluindo dentro dos ônibus, o ar condicionado é praticamente uma máquina de fazer neve! Super congelante! Seria ótimo ter um meio termo, tanto no verão quanto no inverno.

11 – Obsessão por gelo em refrigerantes e água: Gelo em bebida é agradável e refrescante no verão, mas a maioria dos restaurantes exageram na dose: vem um copo enorme com gelo até a boca! E isso independente da estação do ano! Em um inverno que pode chegar a -20C isso é realmente desnecessário.

12 – Há muitas variações de sabores para o mesmo produto: Ter variedade é ótimo, mas às vezes há um certo exagero. Isso é claramente observado em supermercados grandes, são imensas prateleiras lotadas com pequenas variações do mesmo produto.

13 – Há bandeiras dos Estados Unidos, literalmente, a cada metro quadrado: Acho que é pra lembrar que você não está em outro país. (risos)

14 – Taxa do Estado: ter que calcular a taxa do estado em cima do preço de prateleira de qualquer produto que você compre, é digamos que, cansativo. E, vale lembrar que a taxa muda de estado para estado americano. Seria ótimo já embutirem no preço, assim como acontece no Brasil.

15 – Leis mudam de estado para estado: Em um estado você pode virar à direita em um farol vermelho, mas não em outro estado. Em alguns, os fogos de artifício são proibidos, e liberados em outros estados. Bem complicado para quem está chegando na área.

16 – Sistema de medidas diferente: Porque não usam o grau Celsius ou o sistema de métrica que o mundo todo usa? Para que simplificar se podem complicar? Até hoje uso um “app” para converter as medidas, porque ninguém merece…
17 – Comerciais de remédios: Os comerciais de televisão, são 2% o comercial e 98% as obrigações da lei (lista de todos os possíveis efeitos colaterais). Dá pra imaginar o quão chatos?
18 – Farmácias: Há um mundo em cada uma delas! Lugar onde você pode comprar uma cerveja, produtos de limpeza, cartão de aniversário, imprimir uma foto e até comprar um remédio.
19 – Pessoas usam pijamas nas ruas: e isso é absolutamente normal de se ver. Não é sensacional?
20 – “How are you” (“Tudo bem?”, em português) na prática significa “Olá”: ninguém quer saber, de verdade, como você está.
Em resumo, mesmo com os choques, avalio a minha adaptação em Nova Iorque como fácil. Era uma cidade que eu já havia estado várias vezes, a turismo, e que eu já amava. Hoje posso dizer que vários desses ‘choques’ fazem parte da minha cultura, da minha vida para sempre!
Que este ano seja de fácil adaptação para todos nós. Feliz 2018! 

2 Comentários

  1. Olá Debora, vi alguns posts seus e gostaria de saber o nome da ginecologista/obstreta brasileira, com formação também nos USA que te atendeu quando você foi ter filho. Poderia me passar o contato dela? Sabe dizer se ela ainda está atendendo em NYC? Gostaria de trocar algumas “figurinhas” é possível? Obrigada. Sílvia

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